Projeto “Serras do Porto Natura 2030” investe cerca de 1,7 milhões de euros na conservação da natureza e valorização da biodiversidade
O Presidente do Conselho Executivo da Associação de Municípios Parque das Serras do Porto, (e da Câmara de Paredes) Alexandre Almeida, presidiu à sessão de Apresentação Pública do Projeto “Serras do Porto Natura 2030” esta quinta-feira, 28 de maio, no Parque Natural da Senhora do Salto, em Aguiar de Sousa, em Paredes, na presença dos autarcas de Gondomar, Luís Filipe Araújo, e de Valongo, Paulo Esteves Ferreira.
O Projeto “Serras do Porto Natura 2030” representa um investimento superior a 1,7 milhões de euros, financiado pelo FEDER, através do programa NORTE 2030, contando igualmente com o parecer da CCDR NORTE, do ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas e da APA – Agência Portuguesa do Ambiente, vai permitir a reabilitação de 8,4 quilómetros de linhas de água dos três municípios associados, Gondomar, Paredes e Valongo, no âmbito das ações de conservação da natureza, restauro ecológico ecológico e adaptação às alterações climáticas no território.Na sessão, realizada no Parque da Senhora do Alto, o autarca de Paredes, Alexandre Almeida, destacou que “aos poucos, queremos passar de uma monocultura, composta principalmente pelo eucalipto, para uma floresta com mais medronheiros, castanheiros, carvalhos, etc.”, referindo, ainda, que “continuamos a contar com todos os nossos parceiros, sejam escolas, sejam juntas de freguesia, sejam proprietários, neste trabalho, e depositamos muita expectativa neste Parque como ponto de intervenção futura para que as empresas possam adquirir créditos de carbono e assim ajudem a exponenciar o trabalho que temos vindo a fazer”.
Das várias intervenções previstas, o projeto procura dar resposta às principais ameaças identificadas no território, como a presença de espécies exóticas e invasoras, a degradação de linhas de água, a pressão humana e a perda progressiva de habitats sensíveis. Está ainda prevista a instalação de estações meteorológicas, sensores de fauna, câmaras de monitorização e um drone, que permitirão recolher dados rigorosos e acompanhar, em permanência, a evolução das áreas intervencionadas. No domínio social e educativo, o projeto prevê ações de sensibilização para diversos públicos, a edição de um livro infantojuvenil, a criação de uma peça de teatro e ações de voluntariado.
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O que é o Projeto “Serras do Porto Natura 2030”?
O projeto Serras do Porto Natura 2030, financiado pelo NORTE 2030, representa um passo decisivo para a conservação da natureza, o restauro ecológico e a adaptação às alterações climáticas no território da Paisagem Protegida Regional Parque das Serras do Porto. Abrangendo cerca de 6.000 hectares distribuídos pelos municípios de Gondomar, Paredes e Valongo, grande parte inserida na ZEC Valongo da Rede Natura 2000, este projeto procura dar resposta às principais ameaças identificadas no território, como a presença de espécies exóticas e invasoras, a degradação de linhas de água, a pressão humana e a perda progressiva de habitats sensíveis.
A operação centra-se no reforço do conhecimento científico e na gestão ativa dos ecossistemas. Para isso, inclui um conjunto de ações de monitorização inovadoras, como o uso de ADN ambiental para inventariar espécies aquáticas e detetar fauna de difícil observação, a monitorização sistemática da avifauna, das libélulas, da salamandra-lusitânica e dos microbiótopos presentes nas antigas minas romanas. O projeto integra ainda a instalação de estações meteorológicas, sensores de fauna, câmaras de monitorização e um drone, que permitirão recolher dados rigorosos e acompanhar, em permanência, a evolução das áreas intervencionadas.
Um dos elementos estruturantes deste investimento é o restauro ecológico de habitats prioritários, com destaque para as charnecas secas europeias, as galerias ripícolas e as depressões turfosas. A intervenção em mais de 110 hectares visa controlar espécies invasoras como acácias, háqueas e erva-pinheirinha, promovendo a regeneração natural e a recuperação do coberto vegetal autóctone. Paralelamente, o projeto desenvolve medidas específicas de proteção de flora rara e ameaçada, como Vandenboschia speciosa, Dryopteris guanchica, Sphagnum spp., Drosophyllum lusitanicum e Palhinhaea cernua, incluindo trabalhos de reprodução ex situ e a instalação de micro-reservas.
Entre as ações mais relevantes destaca-se também a aquisição de dois terrenos na zona das Águas Férreas, em Santa Justa, área de importância crítica para a reprodução da salamandra-lusitânica e onde se localizam minas romanas consideradas refúgios ecológicos únicos. Esta compra permitirá garantir a gestão pública e contínua de um dos locais mais emblemáticos para a conservação desta espécie vulnerável.
O projeto investe ainda na reabilitação de 8,4 km de linhas de água, recorrendo a soluções baseadas na natureza para recuperar margens, estabilizar taludes, controlar espécies invasoras, melhorar a qualidade da água e reforçar a conectividade ecológica ao longo dos rios Ferreira e Sousa. Estas intervenções contribuirão para aumentar a resiliência do território a fenómenos climáticos extremos e para restaurar habitats essenciais a inúmeras espécies protegidas.
Na vertente social e educativa, o projeto implementará um plano de comunicação abrangente, com a criação de conteúdos audiovisuais, gestão de plataformas digitais e ações de sensibilização para diversos públicos. Está prevista a edição de um livro infantojuvenil, a criação de uma peça de teatro, múltiplas sessões educativas para escolas, famílias e atores locais, bem como o desenvolvimento de ações de voluntariado dedicadas ao controlo de invasoras e à plantação de espécies nativas.
Em síntese, o Serras do Porto Natura 2030 constitui uma operação integrada e de largo alcance, que alia ciência, gestão florestal sustentável, restauro ecológico e envolvimento comunitário. O projeto reforça a resiliência ambiental das Serras do Porto, promove a recuperação de habitats e espécies protegidas, aprofunda o conhecimento técnico e científico sobre o território e aproxima a comunidade do seu património natural, contribuindo para uma paisagem mais saudável, equilibrada e preparada para os desafios das próximas décadas.
Valor global do projeto:
Investimento total: 1.765.332,23 €
Comparticipação FEDER (85%): 1.500.000 €
Súmula das ações – Projeto NORTE 2030
Monitorização e conhecimento
- Estudos de biodiversidade com recurso a ADN ambiental (eDNA)
- Monitorização de avifauna, insetos e anfíbios
- Acompanhamento da salamandra-lusitânica
- Avaliação de cavidades mineiras e habitats associados
- Instalação de estações meteorológicas
- Aquisição de equipamentos (sensores, câmaras, drone)
Ferramentas de gestão
- Desenvolvimento de uma Estratégia de Serviços dos Ecossistemas
Avaliação ecológica e socioeconómica do território
Exploração de mecanismos de valorização (ex.: créditos de carbono e biodiversidade)
Conservação e restauro ecológico
- Controlo de espécies invasoras (≈110 ha)
- Restauro de habitats
- Criação de micro-reservas para espécies raras
- Aquisição de áreas estratégicas (+-25 ha)
- Propagação de sementes da charneca autóctones
- Instalação de estruturas ecológicas (madeira morta, etc.)
Reabilitação de linhas de água
- Intervenção em +-8,4 km de cursos de água
- Restauro de galerias ripícolas
- Aplicação de Soluções Baseadas na Natureza
- Redução da erosão e melhoria da qualidade da água
- Reforço da conectividade ecológica
Comunicação e envolvimento
- Implementação de plano de comunicação
- Produção de conteúdos (filme, microfilmes, materiais)
- Livro e peça de teatro infantojuvenil
- Ações de sensibilização (bioblitz, Forestschool em,escolas, famílias, técnicos)
- Ações de voluntariado ambiental
Síntese
- Projeto estruturado em 5 eixos complementares
- Integra ciência, intervenção no terreno e participação pública
- Focado na conservação da biodiversidade e adaptação às alterações climáticas



