NUNO MONTEIRO: “Um programa a pensar nos cidadãos”

Nuno Monteiro, cabeça de lista do BE à Câmara de Valongo

Tendo nascido em Valongo, vivendo e trabalhando neste município pude acompanhar o caminho escolhido pelos sucessivos executivos, alternando entre PS e PSD/CDS, as suas escolhas e decisões. Após todos estes anos consegui constatar que na realidade não há diferença significativa no caminho que escolheram. Se nos 20 anos de PSD/CDS muitas foram as críticas às opções e decisões tomadas, já vão 8 anos deste executivo, e as diferenças são mínimas. E se para o Bloco de Esquerda não havia muitas dúvidas quanto aos perigos de uma maioria absoluta, neste momento será fácil para qualquer munícipe constatar que vivemos outra vez tempos de narcisismo e megalomania.

Sabemos que Valongo precisa e merece um novo edifício, mas na atual conjuntura, e com um futuro incerto, onde não tendo o país recuperado da crise económica, se vê com as incógnitas das consequências de uma pandemia, não se justifica tal empreendimento. Um projeto megalómano num contexto económico-social muito difícil que todos sentimos. As obras públicas não podem ser feitas a qualquer preço. Os cidadãos não podem continuar a ter um município constantemente endividado para servir egos de um executivo e do seu presidente.
A política do showman está à vista de todos e nem a crise pandémica, que veio esclarecer os menos atentos para a necessidade de um estado social forte, um SNS bem equipado e com os profissionais necessários, serviços públicos preparados para intervir, uma rede de transportes que verdadeiramente sirva a população! Algo que o BE sempre defendeu e que todos podem constatar a sua importância. Mas apesar de todas estas evidências, na realidade, as prioridades deste executivo estão completamente erradas. Esperava-se que, com a crise pandémica que todos vivemos, e cujas consequências nos próximos anos são uma grande incógnita e poderão ser devastadoras, o executivo parasse para rever as prioridades, olhando para as necessidades dos munícipes e “porque todos contam” canalizar todos os esforços para as pessoas. Continuam a insistir na política da PEDRA POR PEDRA em detrimento de uma política verdadeiramente orientada para as pessoas. Ruas e largos que estavam bem, viram as suas pedras apenas trocadas, num desperdício de dinheiro impossível de compreender.

Apesar de alguns quererem atribuir ao aumento de população no Concelho, um aumento ténue e a decrescer, ao trabalho do executivo, na verdade a realidade é algo bem sinistra. A especulação imobiliária crescente tem levado a uma enorme diminuição de oferta para habitação familiar e a um aumento do seu custo. Custo este que levou durante algum tempo ao aumento da população, mas que neste momento também em Valongo está-se a tornar impossível viver condignamente. Não houve visão, não houve estratégia para antecipar e contrariar este fenómeno e todos nós iremos sofrer se nada for feito. Apesar do anúncio deste executivo de um plano para a habitação, mais uma vez podemos verificar que esta questão não é, nem nunca foi, uma prioridade. Para se compreender melhor, numa leitura transversal da estratégia local de habitação apresentada pelo Presidenta da Câmara, facilmente se constata que nem o objetivo proposto pela secretaria de estado da habitação, de 5% é atingida. O atual executivo propõe-se a um aumento de 2,9 para 3,7%, ou seja, de 1170 habitações para 1527. Propõe-se aumentar 357 habitações, quando atualmente as necessidades são superiores a 850 e destas existem 363 famílias com necessidade urgente! No entanto, no mesmo plano apresentado não esqueceu o financiamento público a privados, apontando o subarrendamento como solução à carência habitacional. A resolução do problema da habitação em Valongo é urgente, é para ontem e não para se ir fazendo nos próximos seis anos como anunciado. “Porque todos contam” é necessário dar força ao BE para mudar Valongo. O BE propõe-se a aumentar a oferta de habitação social e pública para 6%.
De mão dada com a falta de habitação, tem andado a falta de transportes. São inúmeros os locais em todas a freguesias do município de Valongo onde o transporte público é uma utopia. Mais grave ainda, por normalmente estes locais serem habitados por pessoas com menos rendimentos e com limitações de mobilidade devido a idade, vendo-se muitas vezes privados de aceder a serviços públicos essenciais. Para isso, propomo-nos criar um circuito municipal de transportes, e exigir a criação de novas carreiras bem como o reforço das atuais. Com a criação da linha rosa do metro e a consequente libertação de alguns autocarros para outras linhas, o município de Valongo deve estudar a possibilidade de as conseguir para finalmente disponibilizar um serviço público de transportes que chegue aos locais onde ainda não existe. Lutamos e continuaremos a lutar para que isto seja possível.
Para o BE, a água sendo um bem essencial, deve ser público, não passível de ser privatizado. Infelizmente essa não foi a opção e hoje, podendo concluir que foi um mau negócio, e o será até ao fim da concessão, lutaremos para conseguir o seu resgate. Entretanto, enquanto uns prometem a redução do custo da água, nós BE, comprometemo-nos na aplicação da tarifa social automática da água. Pois, entendemos que à água deve ser aplicado o mesmo que à energia, beneficiando assim todas as famílias que a este apoio social têm direito.
Nenhuma empresa está acima da qualidade de vida dos cidadãos. Assim sendo, o aterro de Sobrado, estando tão próximo da população, com as consequências que a população sente e nos transmite, não podemos senão estar do lado dos cidadãos, como sempre fizemos nos órgãos onde estamos representados e lutaremos para o seu fecho.
Desde o fecho das urgências do Hospital, as dificuldades no acesso a uma saúde de proximidade aumentaram. Não sendo uma responsabilidade direta do município, deve este tudo fazer para colmatar esta carência colocando pressão sobre a tutela para a criação de um SAP que sirva a população. Achamos que a existência de um SAP no Centro de Saúde de Campo seria uma boa opção para servir as freguesias mais deficitárias na saúde de proximidade, Campo, Sobrado e Valongo.

No nosso discurso é fácil constatar que sentimos que sempre existiram e existem cinco freguesias, com uma identidade e cultura muito rica e própria. Permitam-me particularizar um pouco, cresci, estudei, brinquei com colegas das várias freguesias. Ia para a escola com amigos da minha rua, tive um colega de carteira durante anos de Sobrado, formei uma banda de música com amigos e excelentes músicos de Campo. Os meus filhos jogaram Basket no Alfenense, estudaram no Instituto de Línguas em Ermesinde. Nasci, vivo e trabalho neste município, sempre estive atento e ouvi as pessoas, senti as suas dificuldades. O Município de Valongo é uma terra única. Foi um grande erro, de quem não conhece minimamente o município, ter juntado as freguesias de Sobrado e Campo. Estivemos sempre contra a agregação e lutaremos, como sempre o temos feito, para a sua desagregação.

Ao nível ambiental, há tanto por fazer. A recolha de lixo está deficitária. A reciclagem tem que aumentar, diminuindo a sua incineração. Queremos que Alfena tenha finalmente um EcoCentro. A recolha dos chamados “monos” existe mas deve ser aumentada e a informação da sua existência transmitida a todos os munícipes. Tronos e baloiços na serra são show-off de um executivo que quer desviar a atenção do que deveria ter sido feito e não fez. A plantação de árvores autóctones, nos poucos locais onde foi feita, está ao abandono e basta passear pelas serras para verificar que os eucaliptos continuam a ganhar terreno. Os rios continuam com descargas de poluentes, atos que continuam por identificar e resolver.
Os cidadãos merecem e precisam de sentir que a sua vida melhorou, que o concelho evoluiu. Obras que nada alteram a sua vida, obras megalómanas que não servem a população têm que parar.

O BE apresenta um programa a pensar nos cidadãos, “porque todos contam”.

Nuno Monteiro