(Imagens: Facebook)
A entrada em 2026 ficou assinalada por uma crise interna na corporação dos Bombeiros Voluntários de Areosa/Rio Tinto, em Gondomar, após a passagem à reserva de 25 bombeiros, num universo de 68 elementos do quadro ativo, em discordância com o atual comandante, Marco Martins, que assumiu funções em julho de 2025.
A decisão foi formalizada no dia 28 de dezembro e surge na sequência de um protesto simbólico ocorrido a 22 de dezembro, quando um grupo de bombeiros colocou os capacetes no chão em frente ao quartel, manifestando publicamente o seu descontentamento com a liderança do comando.

Em comunicado, os bombeiros que solicitaram a passagem ao quadro de reserva referem que, desde a nomeação do atual comandante, 10 funcionários da associação terão pedido a demissão, alegadamente por discordância com a gestão, havendo ainda outros a ponderar fazê-lo. Os signatários alertam que a saída de cerca de 37% do efetivo ativo representa uma “perda significativa de recursos humanos”, com impacto potencial no socorro às populações de Rio Tinto e Baguim do Monte, embora sublinhem que não pretendem “parar o socorro”, mas sim exigir “dignidade” no exercício das suas funções.
A direção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Areosa/Rio Tinto contesta esta leitura. Numa nota assinada pelos responsáveis dos Órgãos Sociais, é esclarecido que, no mesmo período, saíram cinco funcionários e não 10, por decisão “livre e voluntária”, tendo sido entretanto contratados oito novos elementos. A associação garante que os mínimos legais de operacionalidade estão assegurados e que o socorro à população não se encontra comprometido.
No mesmo comunicado, a direção revela que solicitou um inquérito urgente à Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil e à Direção Nacional de Bombeiros, entidades responsáveis pela supervisão operacional e disciplinar, sublinhando que a avaliação da atuação do comandante e do corpo ativo cabe exclusivamente às instâncias competentes.
A associação considera ainda que o comunicado divulgado pelos bombeiros na reserva contém “afirmações suscetíveis de gerar alarme social injustificado”, reafirmando o seu compromisso com a legalidade, a verdade e a segurança da população, e reservando-se o direito de recorrer aos meios legais para defesa do seu bom nome institucional.
Entretanto, o tema tem gerado ampla discussão nas redes sociais, com várias tomadas de posição públicas sobre liderança e funcionamento dos corpos de bombeiros voluntários.
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