Disparidades salariais expostas no Grande Porto: Matosinhos lidera como exceção positiva
Num momento em que se discute o verdadeiro impacto da valorização do salário mínimo nacional (SMN), os dados mais recentes do Banco de Portugal revelam uma realidade preocupante: em Valongo, 27% dos trabalhadores ganham o salário mínimo — ou seja, mais de um quarto da população ativa local.
Este cenário repete-se com gravidade em outros concelhos do Grande Porto, como Paredes (36,6%), Penafiel (32,7%) e Gondomar (30,6%). A Maia, embora abaixo da média nacional (23%), ainda regista 14,4% dos trabalhadores nesta situação. Já Matosinhos surge como um exemplo positivo, com apenas 9,6%, colocando-se ao nível de concelhos como Oeiras ou Campo Maior, os mais bem posicionados do país.
Distribuição de trabalhadores a receber o salário mínimo nacional nos concelhos do Grande Porto:

O que estes números realmente mostram?
Entre 2015 e 2022, a percentagem de trabalhadores abrangidos pelo salário mínimo aumentou de 18% para 23%, mesmo com aumentos nominais de 5,5% ao ano (3,4% em termos reais). Isto significa que não foram os salários médios a subir, mas sim o salário mínimo a aproximar-se da média, por ausência de valorização salarial generalizada.
Além disso, a prevalência do SMN continua a ser mais expressiva entre mulheres, jovens, trabalhadores com escolaridade básica e cidadãos estrangeiros, acentuando desigualdades estruturais no mercado de trabalho.
O desafio da valorização salarial
O Banco de Portugal defende que os aumentos do SMN devem ser enquadrados em políticas de mercado laboral mais amplas, tendo em conta a produtividade, a inflação e o ciclo económico. Enquanto tal não acontece, os números mostram que uma fatia significativa da população trabalha por valores mínimos — não por serem pouco qualificados, mas porque os salários não acompanharam a evolução da economia.
A realidade em Valongo e concelhos vizinhos serve como alerta e espelho de um problema nacional: um país que cresce, mas onde muitos continuam a ganhar o mínimo.
Imagem: Banco de Portugal

