Presidente da Câmara da Maia, António Silva Tiago, faz balanço de mandato e meio ao JNR

“A Câmara é muito sustentável financeiramente, está forte e isso dá credibilidade”

Numa altura em que a Cidade e o Concelho da Maia recebem milhares de pessoas para as Festas da Maia em honra de Nossa Senhora do Bom Despacho, o Jornal Novo Regional foi ouvir o presidente da Câmara da Maia, António Silva Tiago.

Está no segundo mandato à frente da Câmara Municipal da Maia. Como compara este mandato com o primeiro e qual o balanço, agora que estamos quase a meio do mandato?

Diria que estou agradado. Sinto que as pessoas são gratas e reconhecem o esforço de todos, um esforço que é também das pessoas, que nos compreendem, conhecem, valorizam e agradecem.
Com as dificuldades todas com que nós temos sabido viver, contrariamos essas realidades. Temos feito obra. Eu, por natureza, e por defeito de formação, gosto de conceber projetos, arranjar a melhor forma de os levar a cabo e colocar à disposição das pessoas, sempre ouvindo as pessoas e melhorando a sua qualidade de vida. Gosto de estar presente nas obras, ir vê-las, melhorá-las.
O mandato está a meio, e eu diria que está a ser feito com normalidade, naturalidade, sem invenções. A Câmara é uma Câmara muito sustentável financeiramente, está forte e isso também nos dá credibilidade.

Quais as principais obras ou ações desenvolvidas? Está satisfeito ou queria mais?

Ao nível viário estamos a fazer obras… ou já fizemos uma ligação à EN13, que é complementar a Via Periférica. Toda a gente ficou fascinada com aquela obra porque é muito útil. Agora vamos fazer uma idêntica junto ao Maia Jardim para ligar à Via diagonal, que é uma coisa necessária e que já devia ter sido feita. Estamos a completar a Avenida Vieira de Carvalho, faltavam 200 metros de via porque era preciso comprar lá uns terrenos e tivemos que expropriar porque o interesse geral se sobrepõe ao particular.
A Ponte do Brás Oleiro era também do interesse geral. Estava em risco de cair e nós fizemos uma ponte nova. Demorou seis meses e as pessoas insurgiram-se porque demorou, mas era uma obra essencial nesta via histórica que interfere com a Maia, Gondomar, Valongo e Porto Agora, está pronta e as pessoas estão satisfeitas.
Estamos a intervir fortemente na habitação. Vamos investir, nos próximos anos, com a ajuda do IRHU – Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana, 106 milhões de euros para construir cerca de 800 habitações.
Estamos a desenvolver uma série de obras em diferentes. Tudo o que fazemos é a pensar no bem-estar e na felicidade dos maiatos e das maiatas.

E uma dessas formas de trabalhar para o bem-estar da população é através da mobilidade suave que a autarquia tem vindo a implementar?

Sem dúvida. É apostando nos modos suaves de mobilidade enquanto fator decisivo para a adoção de um estilo de vida saudável. Diria que temos em curso uma autêntica revolução nessa matéria, posto que o paradigma que queremos para os nossos centros urbanos é o do primado do transeunte que caminha a pé ou utiliza meios de transporte com zero impacto carbónico, como a bicicleta ou a trotinete, concedendo também a devida atenção aos transportes públicos coletivos intermodais. A prazo, o primado do automóvel que herdamos dos finais do século XIX e que atingiu velocidades e proporções descontroladas no século passado, deixará de ter proeminência na Maia, porque terá de conviver em harmonia com os modos suaves.

Caminhar para a sustentabilidade integral é o objetivo?

Estamos a dar passos muito largos e consistentes para nos tornarmos também um ecossistema integralmente sustentável, com as condições necessárias e ótimas para trabalhar, empreender e investir.
É com esse propósito que apostamos com determinação e objetividade estratégica, no planeamento atempado e numa gestão rigorosa dos atributos e do potencial endógeno do território concelhio, para criar as melhores condições possíveis para quem cá vive ou para cá quer vir viver, para quem cá trabalha, empreende e investe, se sinta bem, realizado, recompensado e feliz.
Nesta equação virtuosa que combina as diversas dimensões de uma comunidade, como a dimensão humana, social, económica, territorial e política, o resultado esperado e o único que é certo e lhe dá pleno sentido, é a felicidade individual e coletiva. E é na resolução dessa equação que me foco dia-a-dia, trabalhando entusiasticamente, com a alegria de servir a minha comunidade concelhia, dando o meu melhor contributo para que todos tenham um futuro de confiança, sejam felizes e possam sorrir para a vida.
Para além do Plano Municipal de Segurança Rodoviária o Município da Maia possui um Plano de Mobilidade Sustentável, datado de 2013, revisto em 2021, e que estabelece a estratégia global de intervenção em matéria de organização das acessibilidades e gestão da mobilidade, definindo um conjunto de propostas que contribuam para a implementação e promoção de um modelo de mobilidade mais sustentável. Pretende ser um indutor de uma maior coesão social, compatível com o desenvolvimento económico e orientado para a proteção do ambiente e eficiência energética.
Com a implementação do Plano Municipal de Segurança Rodoviária o Município da Maia e do Plano de Mobilidade Sustentável, o Município pretende recuperar a função de rua e a identidade local; recuperar a sociabilidade urbana; valorizar a mobilidade suave no espaço-canal; valorizar o conceito de unidades de vizinhança; adotar medidas de acalmia de tráfego e a adoção de Z30 e Zonas de Coexistência Multimodal. Estamos, sem sombra de dúvida, a fazer todo um caminho rumo a uma mobilidade inclusiva, mais segura e sustentável.

A segunda Linha do Metro na Maia vai avançar?

A segunda linha do Metro vai avançar e com isso a estação do Fórum da Maia passa a ser um novo hub do Metro, com a concretização da linha entre o Hospital de São João e o centro da cidade e a sua ligação ao aeroporto. Com a nova linha, Pedrouços, Águas Santas, Milheirós, Gueifães, Vermoim e o centro da Maia poderão estar ligados ao Hospital de São João e ao Pólo Universitário da Asprela dentro de alguns anos.

Como tem sido a articulação com outros municípios do Grande Porto? seja a nível da AMP, da Lipor, da associação Corredor do Rio Leça, por exemplo.

São tudo sinónimos de partilha colaborativa, em equipas a que me sinto honrado de pertencer.
No caso, da Associação Corredor do Rio Leça, a que presido este ano, é a concretização deste projeto de cooperação institucional autárquica, que une e reúne quatro municípios que têm em comum um rio que os liga, é no contexto regional e nacional, exemplo vivo da capacidade realizadora do poder local democrático, podendo ser invocada como referência, a esse nível.

E agora falando das Festas em honra de Nossa Senhora do Bom Despacho e das Festas da Cidade, é um momento importante para as gentes maiatas? Qual a intervenção da Câmara e qual o apoio?

No meu entendimento, pessoal e institucional, em pleno século XXI, num Mundo globalizado, preservar tradições seculares manter estas tradições, como a multissecular Romaria em Honra de Nossa Senhora do Bom Despacho, é conceder à memória e ao imaginário coletivo, todo o valor que assumem na conformação da nossa identidade cultural.
Manter esta chama viva, que a religiosidade popular nunca deixou que se apagasse é, por um lado, um ato de preservação do nosso Património Cultural Imaterial e, simultaneamente, um gesto de afirmação da nossa marca identitária. A afirmação de uma comunidade que se orgulha do seu passado e da sua memória coletiva e que, ano após ano, se empenha em manter viva a sua devoção à Nossa Senhora do Bom Despacho e Padroeira da Maia.

Deixe por favor um convite a quem nos lê para vir até à Maia estes dias de festa.

Acima de tudo, espero que venham à Maia, visitem a Feira de Artesanato, a Feira do Livro, desfrutem da programação musical e partilhem connosco este momento de devoção, que tem o seu expoente máximo, no momento em que a imagem da Senhora do Bom Despacho percorre, em Majestosa Procissão, as principais artérias entre o Santuário e os Paços do Concelho, numa manifestação, sempre impressionante, de comovente afeto espiritual pela nossa Padroeira.

Nota: Esta entrevista foi publicada originalmente na edição em papel do JNR. Para receber a edição em papel por CTT em casa ou em PDF no e-mail, contacte pub@jornalnovoregional.pt