Rui Cabeda é um reconhecido mecânico a trabalhar junto de reconhecidas marcas de automóveis.
Atualmente integra a equipa de laboratório da Hyundai.
Residente em Valongo (Susão), é sempre a casa que regressa nas paragens do trabalho.
O Jornal Novo Regional quis saber mais sobre Rui Cabeda e, aproveitando a presença do mecânico em Portugal, falamos com ele e aqui ficam as respostas.
- Como foi o início desta aventura com a mecânica?
- O meu gosto pelos carros e especialmente pelas corridas vem desde que me lembro. Comecou com o meu pai a levar-me a ver o Europeu de Ralicross em Lousada ou a ver exposições de carros na Exponor e a partir dai nunca mais parou.
- Em relação à competição, como começou tudo?
- Em frente a minha casa havia uma oficina que tinha uns carros de corrida e comecei a passar muito tempo lá, a aprender e a praticar até que em 1999 quando tinha 17 anos fiz o meu primeiro rali como mecânico.
Depois de alguns anos nessa empresa decidi mudar e como sempre quis mais, decidi ir a procura de desafios mais altos, até que tive a oportunidade de trabalhar em algumas das melhores equipas em Portugal em várias categorias do desporto motorizado - A internacionalização aconteceu quando e como?
- A internacionalização foi em 2012 quando fui convidado por um amigo que já lá trabalhava, a fazer parte da equipa Mini WRC que tinha sede em Itália. Nesse ano fiz o Campeonato do mundo de ralis na integra pela primeira vez.
- Esteve quantos anos nas equipas de competição e qual é agora a sua função na Hyundai?
- Depois em 2013 fui contratado pela Volkswagen Motorsport na Alemanha e lá estive durante 7 anos e meio em que fiz parte de vários projetos como o Campeonato do Mundo de Ralis (WRC), Campeonato do mundo de Ralicross(WRX) e também Campeonato do mundo de Carros de Turismo (TCR). Nesse tempo como membro da equipa venci 6 vezes os diversos campeonatos mundiais em que participei.
Em 2020 mudei-me para a Hyundai motorsport também sediada na Alemanha onde me mantenho até hoje. Nesse mesmo ano vencemos também o Campeonato do mundo de ralis por equipas.
A minha posição neste momento é mecânico chefe, responsável dos testes dos vários carros de ralis e num projeto de um carro elétrico para circuitos. Sou também um dos responsáveis na produção e desenvolvimento dos vários carros de diferentes categorias destinados aos clientes. - Como foi ajudar a desenvolver e melhorar a performance de carros de competição?
- É sempre muito satisfatório mas também muito trabalhoso. Requer muitos sacrificios pessoais e familiares mas quando as coisas são feitas por gosto e paixão vale a pena.
São muitas horas a trabalhar, muitas noites sem dormir mas quando os bons resultados aparecem é uma honra e um previlegio fazer parte deste mundo. - Como evoluiu o setor nestes seus 24 anos de atividade?
- Durante estes 24 anos o sector automóvel e o desporto motorizado evoluiram muitissimo, numa escala que ninguém a uns anos poderia prever. O desempenho dos carros evoluiu com toda a tecnologia dos dias de hoje, a segurança dos mesmos para pilotos e espectadores aumentou, a preocupação com o ambiente é agora uma questao muito importante, as pessoas e as equipas têm-se adaptado e aceite essas mudanças e mais importante ainda o desporto motorizado tem mantido a paixão e o interesse nos adeptos.
- É importante este desenvolvimento para que as marcas o adaptem aos carros do dia a dia?
- Isso é muito importante e isso é o que acontece, se não fosse assim os contrutores nao investiam tantos milhões de euros nas corridas sem terem retorno.
Nós nas equipas funcionamos como uma especie de laboratório, onde se testam novos materiais, tecnologias e soluções para que depois tudo isso se possa utilizer nos carros de dia a dia. - Vive na Alemanha há 10 anos, como tem sido a adaptação ?
- No inicio foi bastante dificil deixar a minha familia, os meus amigos e todo este nosso cantinho aqui para trás. A Alemanha é um pais muito diferente do nosso, a cultura o clima, a comida para não falar da lingua que é bastante difícil. Mas passados os primeiros meses, as coisas comecam a ficar melhores e agora estou completamente integrado.
- E quanto à introdução dos carros elétricos nas corridas? E já agora como vê o futuro da indústria: os carros a combustão vão mesmo desaparecer?
- A introdução dos carros elétricos tem acontecido de modo gradual e está a ficar cada vez mais forte. Como já referi antes porque a tecnologia elétrica está em evolução e os construtores querem testar mais e mais rápido por isso usam o Motorsport para esse fim.
Se os carros a combustão vão desaparecer? essa é uma pergunta muito difícil de responder porque acho que ninguém sabe bem a resposta.
A minha opinião é que os carros a combustão nunca vão desaparecer mas sim vão ficar diferentes. As marcas estão a trabalhar em varios tipos de soluções diferentes e acho que no futuro vai haver outros tipos de tenologias que nos permitam ter carros a combustão na Estrada juntamente com os carros elétricos - Como classifica o Rally de Portugal deste ano: O Rovanpera ganhou num Toyota pela segunda vez seguida, os Hyundais ficaram em segundo e terceiro. Podiam ter feito mais?
- O Rali de Portugal foi mais uma vez um sucesso, a nivel desportivo e mediático.
Desde há muito tempo que é considerado um dos melhores ralis do mundo.
Este ano foi um rali muito duro, com muitos quilómetros de troços e também ligações muito grandes mas sempre com imagens espetaculares e com muita luta entre pilotos.
Em relação ao resultado, a Toyota esteve muito forte mas com dois pilotos da Hyundai no pódio nao se pode dizer que foi um resultado mau. Estamos a trabalhar muito para conseguir ainda ser mais rapidos e conseguir a nossa primeira vitória da época.
(Nota: Notícia publicada em primeira mão na edição em papel do Jornal Novo Regional. Para receber as edições em casa por ctt contacte pub@jornalnovoregional.pt)



