Continua a luta contra o aterro de Sobrado. Câmara quer limitar circulação de pesados.

A Associação Jornada Principal, que foi criada sobretudo para lutar contra as consequências negativas do aterro da Recivalongo, em Sobrado, reuniu em assembleia geral. Na reunião foi aprovado o plano de atividades para 2020 (que à frente reproduzimos), tendo sido abordado o ponto da situação atual em que o cheiro pestilento continua cada vez mais intenso e a necessidade de encontrar medidas de ação “contra o constante atentado ao ambiente que acontece naquele aterro”.

Na oportunidade foi feito o apelo de divulgação da petição online que corre e que ainda tem poucas assinaturas, atendendo ao número de pessoas que residem em Sobrado e no concelho de Valongo. Já agora o link da petição é https://peticaopublica.com/mobile/pview.aspx?pi=fimdoaterroemsobrado&fbclid=IwAR2KMyEb6pnsx3X276ZpsIZNnLIMtBfM83Q1bS9RChFuCU8RQPtSHUTbvjY

Entretanto, em recente reunião da Câmara de Valongo, foi informado pela autarquia de que iria responder afirmativamente à população e que iria ser limitado o trânsito na EM 606 (Ruas Senhora do Amparo e de Campelo), para evitar cargas de resíduos não autorizados no aterro da Recivalongo.

Paulo Esteves Ferreira, vereador afirmou que naquela estrada só irão circular veículos pesados de emergência, serviços públicos e autorizados, com a indicação da matricula previamente. A intenção, diz o vereador, “é impedir que camiões não autorizados, quem sabe também com resíduos não autorizados, circulem por aquela estrada”.

Esta medida vai entrar em vigor o mais rápido possível, sendo possível que avance em menos de um mês.

Voltando à AG da Jornada Principal, o Plano de Atividades aprovado para 2020, foi o seguinte:
“Ações de esclarecimento/sensibilização: Dar continuidade ao projeto de sessões de esclarecimento, envolvendo os seguintes públicos: População em Geral, Escolas (abrangendo vários públicos alvo/idades/escolaridade, Associações, Empresas.
Contatar outras associações ambientalistas, atendendo à indiferença da Zero e da Quercus. Reunir com grupos desportivos e associações que recebem patrocínios da Recivalongo; Reunir com grandes empresas sedeadas no concelho de Valongo (ex: Jerónimo Martins), com o intuito de abordar o assunto e as consequências do aterro à população;Promover um debate em Sobrado sobre o Impacto do aterro no mercado imobiliário em Sobrado, nomeadamente: Os terrenos valorizaram com o aterro? Existe uma maior procura de imóveis em Sobrado? Quais as perspetivas para o futuro?
Impedir a Circulação de viaturas com cargas superiores a 5 toneladas na estrada Municipal 606. Solicitar à CMV a colocação de sinalização vertical que proíba a circulação de viaturas pesadas com mais de 5 toneladas; Solicitar à CMV a criação de uma plataforma de registo de viaturas, que obriguem os transportadores a pedir à CMV o dígito de autorização para circular entre o Entreposto do Jerónimo Martins e o Pavilhão Municipal de Sobrado; Apelar à população de Sobrado que apresente queixas junto das autoridades cometentes a solicitar a fiscalização das viaturas pesadas que passam junto às escolas: GNR, CMV, Junta de Freguesia de Campo e Sobrado.
Agendar reunião com CMV e partidos políticos para nos inteirarmos do ponto de situação no que toca ao pedido feito há mais de meio ano, alteração do PDM, inviabilizando qualquer expansão da Recivalongo no Vale da Cobra.
Mobilização da população para uma atividade conjunta, que envolva todo o Concelho/Grupos Partidários/Comunicação Social. (vigília/caminhada/protesto etc.)
Questionar a CCDR-n sobre o ponto de situação referente à presença da da Associação Jornada Principal e um membro académico na Comissão de Acompanhamento.
Mobilização da população com o intuito de proceder à entrega das mais de 4.000 assinaturas na Assembleia da República.
Enviar uma exposição sobre a situação atual da Taxa de Gestão de Resíduos (TGR) dos resíduos provenientes do Movimento Transfronteiriços de Resíduos (MTR), inviabilizando desta forma o negócio de importação de resíduos para Portugal a custo inferior à média praticada pelos países da União Europeia.
Articular com os outros aterros, nomeadamente Azambuja e Setúbal, para levarmos a problemática da “importação de lixo à Assembleia da República”.
Vestir sobrado de “negro” com sinalética alusiva à perigosidade do aterro e frases de apelo e sensibilização (lonas nos postes/varandas, etc.).
Continuar a insistir no jornalismo de Investigação para programas de cariz informativo e mediático.
Monitorização Trimestral das águas superficiais da Ribeira do Alto Vilar.
Solicitar às entidades locais (CMV e Be Water) a intensificação de fiscalização das redes de águas residuais e águas superficiais, com o intuito de despistar eventuais descargas ilegais por parte da Recivalongo (conforme plano de amostragem cedido pela Associação Jornada Principal).
Solicitar um esclarecimento formal da ACES Maia-Valongo perante as denuncias de picadas de mosquitos, presença de pragas e roedores e quais as consequências.”

Foto Arquivo – Junho 2019