A Freguesia de Leça da Palmeira e a Câmara Municipal de Matosinhos formaram uma frente comum ao emitirem pareceres desfavoráveis ao projeto de ampliação e reorganização do Terminal de Contentores Norte (TCN) do Porto de Leixões. Inserido no Plano Estratégico 2025-2035, o projeto é visto pelas autoridades locais como uma ameaça “irreversível” à identidade e à economia da zona.
Apesar da importância económica do porto, a autarquia e a junta consideram que os custos sociais e patrimoniais são demasiado elevados.
Os Pontos Críticos: O que está em risco?
A Junta de Freguesia, em comunicado, detalhou os impactos de “elevada magnitude” que fundamentam a sua oposição:
- Fim da Marina Porto Atlântico: O projeto prevê a absorção total da área da marina pelo novo terrapleno e cais. Atualmente, não existe um plano de relocalização financiado ou calendarizado.
- Impacto no Património Mundial: A ampliação afetará a paisagem visual de ícones da arquitetura de Siza Vieira, como as Piscinas das Marés e a Casa de Chá da Boa Nova, além das praias locais.
- Economia Local: A eliminação da marina prejudicará diretamente a restauração e os serviços que dependem do fluxo turístico e desportivo náutico.
- Mobilidade e Ambiente: Prevê-se um agravamento severo do tráfego pesado e riscos ambientais decorrentes de dragagens de sedimentos potencialmente contaminados.
“A intervenção rompe com um século de convivência harmoniosa entre a atividade portuária e a vivência urbana de Leça da Palmeira.” — Junta de Freguesia de Leça da Palmeira.
Poder Local vs. Governo Central
A discórdia coloca em campos opostos a estratégia nacional e a qualidade de vida local:
| Entidade | Posição | Argumento Principal |
| Câmara de Matosinhos | Contra | A cidade não pode “recuar” para o porto crescer. |
| Junta de Leça | Contra | Perda irreversível de valores identitários e económicos. |
| Governo (Min. Infraestruturas) | A favor | O plano é estratégico para o país; promete diálogo e mitigação. |
O Ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, já assegurou que o plano “é para avançar”, mas mostrou abertura para conversar com Matosinhos de forma a encontrar soluções que compensem a cidade ou alterem aspetos específicos do projeto.
A Próxima Batalha
A questão da Marina Porto Atlântico promete ser o ponto mais sensível das negociações. Sem uma alternativa viável no “molhe sul”, a comunidade náutica e os comerciantes temem um esvaziamento da centralidade de Leça da Palmeira.
Este impasse surge num momento em que Matosinhos tenta equilibrar o seu estatuto de “Porta do Atlântico” com a preservação do seu valioso património costeiro e turístico.
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