O Tribunal Administrativo e Fiscal condenou o Hospital Padre Américo, em Penafiel, ao pagamento de uma indemnização de 105 mil euros à família de Sara Moreira, uma jovem de 19 anos que faleceu devido a um tumor cerebral não diagnosticado. A decisão surge 13 anos após a morte da vítima, natural de Paredes, que recorreu dez vezes à urgência daquela unidade sem que a patologia fosse detetada.
Conforme noticia o Jornal de Notícias, entre fevereiro de 2010 e janeiro de 2013, a jovem deu entrada no hospital com queixas persistentes de dores de cabeça, vómitos e desmaios diários. Contudo, em todas as ocasiões, os médicos diagnosticaram crises de ansiedade, prescrevendo apenas analgésicos e tranquilizantes. Sara acabou por falecer em casa, dois dias após a sua última ida à urgência. A autópsia confirmou a existência de um tumor cerebral.
Na sentença, o tribunal considerou que houve uma “falta de articulação dos serviços hospitalares” e uma violação dos deveres de cuidado. O juiz sublinhou que a realização de exames complementares, como uma TAC ou ressonância magnética, teria “muito provavelmente” detetado a neoplasia a tempo de evitar o desfecho fatal. Foi ainda criticado o facto de, perante um diagnóstico recorrente de cariz psiquiátrico, a utente nunca ter sido encaminhada para consultas da especialidade.
Embora quatro médicos tenham sido absolvidos na esfera criminal em 2019, por o tribunal ter considerado que não agiram com dolo, a responsabilidade civil do hospital foi agora confirmada. A unidade hospitalar já anunciou que irá recorrer desta condenação para o Tribunal Central Administrativo do Norte.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o JNR, relativas ao Grande Porto? Envie para noticias@jornalnovoregional.pt


