Associativismo em Outubro: Democracia e Pertença

Outubro carrega um simbolismo maior. Celebramos a implantação da República, e, este ano, será ainda marcado por eleições autárquicas livres, 51 anos após o derrube da ditadura. Datas que nos lembram que a Democracia é conquista permanente e responsabilidade partilhada.

E não é possível falar de democracia sem falar de associações. A República foi um ponto de viragem. A Constituição de 1911 consagrou, pela primeira vez, a liberdade de associação, permitindo que coletividades culturais, desportivas e de educação popular florescessem como espaços de participação, convívio e aprendizagem cívica. No tempo da ditadura, foi nelas que muitos resistiram, e depois de Abril de 1974 foram as primeiras a dar corpo ao regime democrático.

Nas associações encontramos, ainda hoje, o exercício quotidiano da comunidade. São espaços onde cada um, com a sua voz, contribui para um só coro. E é nessa composição que reside a grande lição: somos muitos num só, e nesse “um só” não há lugar para braços de ferro, mas sim para partilha e construção. A vida associativa ensina-nos, sem manuais, que a democracia não se decreta — pratica-se. É colaboração, mais do que competição, é autonomia e não subserviência.

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Por isso é essencial sublinhar: o associativismo é um projeto maior que nós mesmos, não é prolongamento de partidos nem palco para rivalidades políticas. Dirigentes vão e vêm, as Associações mantêm-se. Na liderança de uma associação temos o dever de distinguir a nossa ideologia, o nosso cargo político, da responsabilidade coletiva. A autonomia e a independência dos dirigentes dentro da coletividade não são um detalhe: são o alicerce da confiança, a garantia de sobrevivência das instituições e a defesa do interesse maior.

Neste Outubro, invoquemos a memória como garante do futuro e recordemos que a democracia também se constrói no chão das coletividades, no convívio nas sedes, no trabalho diário. Porque democracia é mais do que urna: é comunidade, pertença e laços que se fortalecem diariamente. Se queremos futuro, construamo-lo no equilíbrio entre pluralidade e unidade.

Deixamos um apelo. As coletividades não vivem de calendário eleitoral, vivem sempre: terminado o tempo de campanha, continuem — eleitos ou não — a lembrar a sua importância. Continuem a aparecer, a apoiar, e a fazer parte desta vida coletiva. As portas estão sempre abertas.

Pelo Movimento Associativo Popular e Voluntário. Pela cultura, arte, recreio, desporto e solidariedade promovidos pelas nossas associações. Por Alfena, Ermesinde, Campo e Sobrado, e Valongo.

Joana Ribeiro Fitas
Presidente da Associação das Colectividades do Concelho de Valongo (ACCV)