Técnico do INEM agredido em Gondomar por jovem que tentava socorrer: “Partiu tudo e ainda ameaçou a equipa”

Publicidade

Profissional sofreu traumatismos na cara, dentes partidos e fratura num dedo. Incidente ocorreu um dia após entrada em vigor da nova lei que agrava penas para quem agride profissionais de saúde.

Um técnico do INEM foi brutalmente agredido na noite de sábado, em São Cosme, Gondomar, enquanto respondia a uma emergência num restaurante. A vítima foi socorrida no Hospital de Santo António, no Porto, com traumatismos faciais, dentes partidos e uma fratura num dedo.

A enfermeira da mesma equipa chegou a barricar-se na ambulância para escapar às agressões.

O alerta foi dado por volta das 21h00, quando um jovem de 21 anos, em estado de grande agitação e sob alegada influência de álcool, causou elevados danos no interior de um estabelecimento. Segundo a proprietária, o indivíduo entrou com dois amigos, aparentando já estar alcoolizado e a causar distúrbios, acabando por se ferir.

A ambulância de Suporte Imediato de Vida (SIV) do INEM e os Bombeiros de Gondomar foram mobilizados para prestar socorro, mas, ao tentar intervir, o técnico foi violentamente agredido. “Sem sequer conseguir prestar cuidados, foi atacado com extrema violência”, descreve Rui Lázaro, do Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar, em declarações à SIC. “A enfermeira teve de se barricar na ambulância. O técnico ficou sozinho e indefeso”, denuncia.

A PSP foi chamada ao local, mas, quando chegou, a equipa médica já tinha sido retirada. O agressor, ferido e com uma hemorragia no braço, foi localizado nas imediações e transportado ao hospital por uma terceira ambulância, sob escolta policial. Segundo testemunhas, o jovem terá ingerido “entre 26 a 30 favaios” ao longo da tarde.

Em reação, o INEM classificou o episódio como “absolutamente inaceitável” e anunciou que irá “ativar todos os meios legais ao seu alcance para defesa dos seus profissionais”. A Comissão de Trabalhadores do instituto exige “consequências severas” e lembra que situações como esta “não são casos isolados, mas um retrato do risco constante” enfrentado por quem trabalha no setor da emergência médica.

A agressão ocorreu apenas um dia depois de entrar em vigor a nova legislação que agrava as penas para quem atenta contra profissionais de saúde, bombeiros, forças de segurança e professores. De acordo com esta lei, agressões a estes profissionais podem ser consideradas crimes de ofensa à integridade física qualificada, sujeitos a penas mais duras.

“O reconhecimento público, institucional e governamental dos riscos a que se expõem sistematicamente estes profissionais é urgente. Não se aceitam medidas paliativas”, lê-se no comunicado da Comissão de Trabalhadores do INEM, que apela à ação firme das autoridades.

O caso foi remetido ao Ministério Público.

Se tem sugestões ou notícias para partilhar relativas à região do Grande Porto, envie para: noticias@jornalnovoregional.pt