O presidente da Câmara Municipal de Santo Tirso, Alberto Costa, entregou esta semana, em Lisboa, uma Carta Aberta à Ministra da Saúde, Ana Paula Martins, exigindo esclarecimentos sobre a retirada da gestão pública do Hospital de Santo Tirso.
A iniciativa surge após dois meses de silêncio do Ministério da Saúde face ao pedido de audiência urgente feito pelo autarca, na sequência do protocolo assinado pelo Governo com a União das Misericórdias Portuguesas, em dezembro de 2024. Este acordo prevê a transferência da gestão do hospital, integrado na Unidade Local de Saúde (ULS) do Médio Ave, para a Misericórdia de Santo Tirso.

Alberto Costa sublinha que a decisão foi tomada sem qualquer diálogo prévio e que nem os profissionais de saúde nem as autarquias envolvidas tinham conhecimento dos contornos da mudança. “O silêncio não pode ser a resposta para uma questão que atinge cerca de 250 mil utentes/habitantes dos Municípios de Santo Tirso, Trofa e Famalicão”, afirmou.
Na Carta Aberta, o autarca coloca onze questões à Ministra da Saúde, exigindo garantias sobre o impacto da transição, nomeadamente a manutenção dos postos de trabalho, os custos para os utentes e o investimento no hospital. O documento questiona ainda a razão pela qual apenas o Hospital de Santo Tirso será retirado da gestão pública, ao contrário do Hospital São João de Deus, em Famalicão, que se mantém sob administração estatal, apesar de ambos pertencerem à mesma ULS e serem propriedade das respetivas Misericórdias locais.
Ao receber o documento na Assembleia da República, Ana Paula Martins comprometeu-se a responder ao pedido de audiência e a agendar uma reunião com o presidente da Câmara de Santo Tirso. Entretanto, a “Moção em defesa da gestão pública do Hospital de Santo Tirso”, aprovada em janeiro em reunião de Câmara, será debatida na próxima Assembleia Municipal.
Imagem: Município de Santo Tirso

