Estádio de Valongo. Para o Executivo, uma “pesada herança” do PSD. Para os Sociais-democratas “negligência”

A interdição do Estádio Municipal de Valongo por razões de segurança na sequência de abatimentos no terreno é, para a Câmara Municipal de Valongo, resultado de uma “pesada e escondida herança do PSD”. O atual executivo promete solucionar este problema, mas o PSD fala de “negligência”.

Em comunicado enviado aos jornalistas, a autarquia diz que o PSD deve um pedido de desculpas por esta obra construída pelo governo social-democrata, mas, em vez disso, “surpreende-nos pela falta de memória e descaramento sem precedentes”, lê-se.

Para o atual executivo camarário, aquando da construção do Estádio Municipal de Valongo na zona das minas da Outrela “o PSD sabia que existiam essas minas, assim como muitos poços de ventilação”. Ainda assim, a obra foi feita sem o aterro adequado, o que “foi mais uma decisão errada do executivo PSD e um problema gravíssimo que nos deixaram”.

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A Câmara diz estar a “tentar mitigar este problema gravíssimo” com “intervenções pontuais nas áreas que abatem, o que tem danificado o relvado que, devido a essas intervenções corretivas, encontra-se todo remendado e praticamente impraticável”.

Em contrapartida, os sociais-democratas dizem que esta situação “torna clara a negligência do executivo municipal socialista” e que “poderia ter sido evitada se ao longo dos anos fossem realizados trabalhos de manutenção e correção de anomalias existentes no equipamento”, lê-se em comunicado de imprensa enviado às redações.

Ainda para o PSD Valongo, o estado do Estádio Municipal “é um reflexo da falta de prioridade dada pelo executivo socialista à promoção do desporto e da atividade física”. Perante isto, “é necessário que sejam tomadas medidas urgentes para reparar o equipamento e garantir que outras infraestruturas desportivas do município não caiam em situações semelhantes, nomeadamente os pavilhões e gimnodesportivos municipais, que nas várias freguesias têm sido deixados esquecidos”.

Os custos da recuperação do Estádio Municipal de Valongo

O atual executivo diz que a recuperação do Estádio Municipal de Valongo vai “exigir muitos recursos”. Só nesta nova fase de reconstrução, o orçamento previsto é de 700 mil euros.

No entanto, “se somarmos o que vai ser investido com o que já foi gasto a reabilitar os balneários e nas várias manutenções e intervenções preventivas ao longo dos últimos 9 anos, possivelmente iremos gastar mais dinheiro que o estádio custou ao PSD”, diz a Câmara Municipal de Valongo.

O executivo acrescenta ainda que “neste caso, não foi só o querer fazer barato, foi não saber fazer de forma correta e competente”, em alusão ao aterro não ter sido bem feito e, ainda assim, a obra ter avançado sobre esse mesmo aterro.

A construção do Estádio Municipal de Valongo na zona da Outrela “foi uma decisão tecnicamente mal projetada, mas principalmente politicamente desastrosa, apanágio da governação de 20 anos do PSD na câmara de Valongo”, conclui a autarquia em comunicado.

PSD: “Executivo em part-time, problemas a tempo inteiro”

A oposição acusa o atual executivo socialista de estar a funcionar a meio termo. “Continua a ser alarmante constatar a ausência permanente do Presidente da Câmara José Manuel Ribeiro, ao mesmo
tempo que parte do executivo municipal de Valongo se encontra a meio tempo, o que se traduz
num executivo em regime de part-time, quando os problemas que afetam o município são de
tempo inteiro”, lê-se no comunicado do PSD.

O Presidente da Comissão Política do PSD Valongo, Hélio Rebelo, diz que o concelho “está abandonado à sua sorte pelo executivo Socialista, com um Presidente mais preocupado com o seu futuro político, após 12 anos na liderança de um município sem obra para apresentar, e um executivo em part-time, que olha para as funções municipais como quem dá o seu tempo de carolice a um clube desportivo ou associação recreativa. Não é, portanto, de estranhar, que quando se vive para Valongo a meio tempo, os problemas se imponham a tempo inteiro.”

O PSD faz ainda referência a um conjunto de problemas que se avizinham com o fim do mandato deste executivo socialista. “A herança do presente executivo será o aumento do custo da água, a maior taxa de desemprego dos Municípios limítrofes do Porto, um aumento do custo da habitação, um trânsito caótico e uma mobilidade impossível – abdicando do metro no concelho – falta de acesso a cuidados primários de saúde, infraestruturas municipais deterioradas e sem manutenção e a construção de um novo edifício dos Paços do Concelho de investimento megalómano, a ser pago pelas próximas gerações”, dizem os sociais-democratas.