Confraria do Pão, Biscoito e Regueifa de Valongo à espera de uma sede

A Confraria do Pão, Biscoito e Regueifa de Valongo vai dia 4 de junho levar a cabo mais um capítulo.
Para quem não sabe o que é uma confraria, perguntamos uma vez mais à principal responsável, a Padeira mor Rosa Maria Rocha: “Uma Confraria é uma Associação sem fins lucrativos que visa preservar certos valores. No nosso caso, somos uma Confraria Gastronómica criada para prestigiar, defender, divulgar os valores e tradições ligadas ao pão, em geral, e à regueifa e biscoitos, em especial.
Uma Confraria tem características específicas e um ritual próprio que tivemos que criar. Tivemos a colaboração de um designer – Paulo Simões – para a conceção da insígnia, e de dois Valonguenses de Campo – Salomão Abreu, músico, compositor e ex-maestro da Banda de Campo e Martinho Abreu, poeta popular e letrista, para a criação da música e letra do nosso hino.
Algumas particularidades interessantes:

Os nomes dos nossos órgãos e dos seus titulares são: Assembleia Geral – BISCOITARIA e os seus membros são o/a Biscoiteiro/a Mor, o/a Biscoiteiro/a e o/a Amassador/a de Biscoiteiro; Direção – PADARIA e os seus membros são o/a Padeiro/a Mor, o/a Padeiro/a, o/a Amassador/a Padeiro, o/a Forneiro/a e os/as Ajudantes de Padeiro/a; Conselho Fiscal – MOINHO e os seus membros são o/a Moleiro/a Mor, o/a Primeiro/a Moleiro/a e o/a Segundo/a Moleiro/a.

As Confrarias quando se criam escolhem as “madrinhas”. Sendo nós uma Confraria do pão que acompanha toda a refeição e do biscoito que acompanha o café, escolhemos para madrinhas a Confraria do Presunto e da Cebola do Vale do Sousa, que simboliza a entrada de uma refeição; a Confraria do Anho Assado com Arroz de Forno, que simboliza o prato principal; a Confraria dos Vinhos Verdes, que simboliza o néctar que acompanha toda a refeição, sendo que escolhemos o vinho verde, por ser o vinho da nossa zona; e a Confraria do Queijo da Serra da Estrela, que simboliza uma sobremesa nobre”.
Nos dois últimos anos, todo o mundo viveu uma situação excecional provocada pelo novo coronavírus SARS-CoV-2, responsável pela doença Covid-19. Também houve repercussões na Confraria “As limitações a que estivemos sujeitos condicionaram a normalidade das nossas vidas e, afetou, por isso, o normal decurso das atividades do movimento confrádico: não se realizaram capítulos. As atividades que implicavam deslocações, ou a participação em atividades que implicavam a presença dos confrades estiveram suspensas. Não obstante isso, não paramos, fomos tendo reuniões por Zoom, a Federação organizou sessões mensais em que debatíamos questões ligadas à gastronomia portuguesa, o porquê de certas tradições … enfim, foram uns serões interessantes, em que ficamos mais ricos, pois aprendemos coisas novas!
Além disso, a Confraria do Pão, da Regueifa e do Biscoito de Valongo, dando cumprimento ao seu espírito de Solidariedade, no Natal de 2020, em colaboração com as Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), ofereceu, aos beneficiários do apoio mensal de cabazes, uma regueifa e uma dúzia de pães. Podem estar a pensar… foi pouco … e têm razão, mas beneficiaram mais de 730 famílias! Em 2021, fizemos um donativo a cada uma das Corporações de Bombeiros do Município – aos de Valongo e aos de Ermesinde. Também neste período, reduzimos as quotas dos Confrades em 50%. Sendo a Confraria uma Associação sem fins lucrativos e não estando a desenvolver atividades, resolveu aplicar parte substancial das suas quotas no bem-fazer!”
Sobre o número de confrades que existe, refere Rosa Maria Rocha que “na criação da confraria houve o trabalho de envolver muitos “valonguenses”, escrevi entre aspas porque estou a referir-me a valonguenses do concelho de Valongo, pois nós somos uma associação concelhia. Como ia dizendo, procuramos envolver muitos valonguenses, por isso, no 1º Capítulo, fomos entronizados 99 Confrades efetivos e 7 confrades honorários. Hoje já somos quase 150 Confrades Efetivos (infelizmente já morreram 2 confrades, sendo que um deles foi com o Covid 19, 13 confrades honorários (morreu um) e 1 confrade benemérito.
Este ano vamos entronizar mais sete novos confrades efetivos, sendo dois deles produtores e um restaurante, e três confrades honorários, dois Chefs e uma personalidade do mundo científico”.
Acerca do balanço destes seis anos de existência, a Padeira mor que “o balanço que fazemos é francamente positivo. Passo a referir, apenas, algumas atividades. Além do nosso Capítulo anual, da colaboração com a Câmara Municipal e com a Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas, em tudo o que nos é solicitado, fazemos dois Concurso anuais – o da Melhor Sopa Seca, em Valongo, e o da Melhor Rabanada, em Ermesinde, estando estes eventos associados a um fim de solidariedade. Realizámos, em colaboração com Câmara Municipal e os Agrupamentos de Escolas aderentes, para o 4º ano de escolaridade, a atividade “Pequenos Almoços à moda antiga” em que um Confrade padeiro vai às escola fazer um workshop sobre como se fabrica o pão, fazendo o pão desde o pegar na farinha até o retirar do forno. No final, os alunos tomam um pequeno-almoço com o pão quentinho com manteiga e cevada ou leite ou chá. Vamos, todos os anos, a uma Escola de Hotelaria fazer um showcooking de sopa seca; em colaboração com a Escola Secundária de Valongo e com a Escola Superior de Hotelaria e Turismo, do Politécnico do Porto, nossas Confrades Honorárias, fazemos um jantar de inovação com os nossos produtos – o pão e os biscoitos – e temos tido agradáveis surpresas.
Participamos no concurso Sete Maravilhas Doces de Portugal, tendo chegado `quase à final. Para terminar, dizer que levamos longe a nossa terra e os nossos produtos, pois fomos ao Programas na RTP1, na SIC, no Porto Canal e temos tido alguma visibilidade na TVI e fomos a mais de 50 Capítulos em Espanha e em todo o Portugal, incluindo as regiões autónomas”.
Rosa Maria Rocha refere ao JNR que “nós temos divulgado muito bem Valongo e os produtos que representamos – o pão a regueifa e os biscoitos. Todos conhecem os nossos biscoitos. A todos os Capítulos que vamos, levamos os nossos biscoitos para acompanhar o café. Aliás, os nossos confrades produtores de biscoitos têm sentido os efeitos da nossa divulgação pelo aumento da procura e consequentemente das suas vendas”.
Sobre o futuro, importante é “consolidar a nossa Confraria, continuar com os projetos que nos são mais queridos – os Pequenos-almoços nas Escolas, se queremos manter as nossas tradições temos que as passar aos mais novos e a idade ideal é a do 4º ano de escolaridade; queremos continuar a fazer o Concurso da Melhor Sopa Seca e da Melhor Rabanada e vamos criar mais um concurso, noutra freguesia – Campo. Por fim, há um projeto que sempre nos acompanha e cuja concretização não depende de nós – UMA SEDE – precisamos de um espaço onde colocar as nossas coisas … se nos quisermos equiparar aos humanos … SOMOS UMA ASSOCIAÇÃO SEM ABRIGO”.
Sobre a Oficina da Regueifa e do Biscoito a Padeira mor da Confraria diz que “ a Oficina está bem conseguida, tem um plano de atividades interessante, a própria Confraria tem colaborado em algumas ações, mas há um reparo a fazer – sendo a Oficina dedicada ao pão, em especial a regueifa, e aos biscoitos, não seria normal a Confraria ter lá um pequeno espaço? Bastava ter o nosso traje, a nossa escritura de constituição e o nosso Livro de Usanças! Lamentamos profundamente, mas, mesmo assim não baixamos braços na defesa do nosso pão, regueifa e biscoitos!”
Sobre a Feira da Regueifa e do Biscoito “é uma atividade interessante para a divulgação Valongo e das suas indústrias de panificação e de biscoitaria, que atrai muitos visitantes, o que é importante. A criação da Confraria do Pão, da Regueifa e do Biscoito de Valongo, bem assim como a realização dos Capítulos anuais ocorreu e ocorrem, precisamente, na altura da Feira e integrados no seu programa”.

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