O que faz o Centro Social de Alfena? as respostas do presidente Padre Manuel Fernando

O Centro Social e Paroquial de Alfena (CSPA) comemorou no dia 13 de maio, 46 anos de plena atividade em prol da solidariedade, cultura e desporto na freguesia de Alfena e concelho de Valongo.
O presidente da direção é o Padre Manuel Fernando e o Jornal Novo Regional foi saber um pouco mais de uma instituição de referência em Alfena, Valongo e região e cujo trabalho é muitas vezes desconhecido.
Para o dirigente estes 46 anos são “46 anos de uma vida que marcou Alfena, pelo serviço e pela referência desde a sua fundação pelo Padre Nuno. A certa altura a própria terra era designada como a Terra da Solidariedade. Agora Alfena é a Terra do Brinquedo, mas em tempos era assim conhecida. Os anos foram passando e foram surgindo as valências em reposta às necessidades que foram surgindo. E a verdade é que, quer na assistência aos idosos, quer no apoio às crianças, a instituição foi crescendo e marcou profundamente Alfena, por aqui muita gente passou e foi feliz. No que se refere ao emprego na freguesia, o CSPA também marcou esta terra, freguesia e concelho. Houve uma altura em que chegou aos 300 funcionários, em tempos de economia marou e marca seguramente Alfena”.

“quadro com 164 funcionários e 20 pessoas em prestação de serviço”

Atualmente o CSPA tem 164 funcionários diretos, havendo ainda cerca de 20 em prestação de serviços, ou seja, no total 184 colaboradores, o que faz com que o CSPA se torne uma média empresa.


O CSPA tem na totalidade dez valências de apoio social, traduzidas na Estrutura Residencial para Idosos, (ERPI) (nomes pomposos para os lares) 1 e 2. Nestas duas ERPIS o CSPA acolhe 112 idosos. Ainda ao nível de apoio à terceira idade o CSPA tem a SAD (Serviço de Apoio Domiciliário) e o Centro de Dia, que totalizam 65 pessoas (40 + 25).
Ao nível da Infância o CSPA apoia 104 crianças no Pré-Escolar 1 e 2 (dos 3 aos 5 anos). Em Creche dá apoio a 60 crianças. Ainda nas crianças referência para a sala de estudo.
Na vertente de apoio às Pessoas com Deficiência, o CSPA acolhe 24 pessoas no Lar Residencial (Polo 2).
O CSPA possui ainda o CAO 1 e 2 (Centro de Atividades Ocupacionais. Trata-se de uma espécie de Centro de Dia para deficientes, com equipas técnicas de acompanhamento que os vão inserindo em ocupações diversas. A instituição vai buscar as pessoas a casa (um pouco por todo o concelho de Valongo) e os técnicos vão-nos estimulando a nível de trabalhos, estimulação sensorial e motora. Existem parcerias diversas com outras entidades, que permitem criar um mundo ativo para os estimular. Frequentem o CAO 1 e 2 cerca de 60 pessoas (30 em cada).
O bom trabalho que o CSPA tem efetuado leva a que a lista de espera para as várias valências seja elevada. O Padre Manuel Fernando recorda que “tivemos em funcionamento o CAO 2 com dez utentes durante um ano sem apoio da Segurança Social. Quando tivemos a garantia de apoio e começamos as entrevistas, foram ouvidas cerca de 170 pessoas e só podemos acolher 30. Isto tem realmente um impacto negativo, porque não temos apoio para responder a todas as necessidades. A mesma situação se verifica em relação ao Jardim Infantil e à Creche. Temos uma lista de espera suficiente para abrir outra Creche. A nível da terceira idade cada vez mais a procura aumenta e cada vez há mais gente marcada por doenças especificas e a nossa resposta é impossível”.
Esta situação de lista de espera leva o presidente do CSPA a dizer que “por outro lado não podemos arriscar porque não queremos colocar em causa a sustentabilidade da instituição. Não podemos colocar em cheque aquilo que temos e passar calafrios.

“as famílias têm cada vez menos recursos para poder corresponder”

Os apoios são poucos, mesmo das autarquias o apoio é residual e as famílias têm cada vez menos recursos para poder corresponder. Veja-se que o custo com um idoso anda na ordem dos 1100 euros, a Segurança Social dá uma verba de 340 euros, se as reformas forem pequenas, o que é o caso maioritário, e as famílias não puderem comparticipar torna-se complicado fazer esta gestão. Temos uma casa muito grande e atualmente em termos de imparidades (dividas das famílias) o valor é superior a 50 mil euros”.
Também o pagamento da Segurança Social relativo às vagas cativas falha muitas vezes, sendo o valor em falta de cerca de 90 mil euros. Acrescenta o Padre Manuel Fernando “em muitos casos nós somos a família dos idosos. Lamentavelmente há utentes que não recebem a visita da família há mais de dois anos. Isso é assustador”.
Para além da vertente social, o CSPA possui as vertentes cultural e desportiva. Refere o presidente que “à medida que tem havido alteração da legislação, temos procurado adaptar a situação à realidade, sobretudo com a clarificação de cada uma, por exemplo em termos de gestão financeira e autonomia. Criamos uma estrutura associativa própria pra cada uma, com corpos diretivos próprios, mas sempre em ligação com o Centro Social, até porque as estruturas físicas utilizadas são do CSPA”.
Incluem estas vertentes a Banda de Música, o Rancho Folclórico, o Hóquei em Patins e a Patinagem Artística.
A Banda de Música continua a representar Alfena por todo o país, havendo já marcações para o ano 2020. Refere o Padre Manuel Fernando que a “houve necessidade da banda se abrir às entidades, não vale a pena esperar que os contratos venham até cá, é preciso ir ao encontro de quem possa precisar dos serviços. Estamos numa fase de renovação da estrutura, tudo isto nunca acontece sem dores de renovação. Temos participado nas dinâmicas culturais da freguesia e do concelho porque ninguém vive à custa no nome”.

“se houver alguém que não possa, comprovadamente, pagar, isso não é motivo de exclusão”

Quanto ao Rancho Folclórico também continua a trabalhar, embora uma vez que existem mais dois ranchos na freguesia, o espaço fica mais reduzido quer nas atuações, quer no número de elementos.
Acerca das vertentes desportivas, no que se refere ao hóquei em patins, o CSPA teve uma parceria com a Dragon Force (F.C. Porto), estando (na ocasião desta entrevista) a ser negociada e discutida a continuação da parceria. Refere o padre Manuel Fernando que “o que as pessoas pagam mensalmente é muito menos do que pagam noutros locais. Se houver alguém que não possa pagar, isso não é motivo de exclusão. Tudo são fatores que dificultam as parcerias, mas não será por isso que o hóquei acaba. Em breve as coisas ficarão decididas”.
Sobre a patinagem artística, o que se pode dizer é que as coisas correm, os resultados são interessantes e a formação decorre também da melhor maneira. Lembra o dirigente que “ainda na Gala de Mérito ficamos muito contentes por termos recebido vários prémios. Tentamos criar condições para os atletas possam praticar da melhor maneira”.
A propósito das condições, o padre Manuel Fernando refere que “com a colaboração da Câmara de Valongo temos efetuado melhorias no pavilhão. Alteramos o piso, alteramos as tabelas e a iluminação num investimento superior a 100 mil euros.

Continua o presidente do CSPA: “É importante criar condições para a prática do desporto, podemos ter grandes atletas, mas sem as condições mínimas não se chega ao objetivo”.
Mas nem tudo está feito e o dirigente refere por exemplo, a necessidade de balneários. “Já está projetada a obra e queremos avançar tão breve quanto possível refere o padre Manuel Fernando.
Falando de obras, convém relembrar a falada obra de restauração do Cine Teatro. Há meses foi assinado um acordo de parceria com a Câmara de Valongo, só que, na altura o investimento estimado era de cerca de 300 mil euros, com um apoio da CM Valongo de 140 mil. Só que as exigências para espaços deste tipo atiram o projeto para mais de 500 mil euros. Refere o presidente do CSPA que “vamos ter de dividir o tempo de construção, estamos a estudar a forma de avançar. Com a Comissão Fabriqueira vamos começar a pedir orçamentos para irmos fazendo a obra”. O espaço será uma mais valia para Alfena e para o concelho de Valongo, tendo capacidade para 400 pessoas.
Numa recente edição do jornal Voz de Alfena (propriedade do CSPA), o padre Manuel Fernando refere em editorial que “a Igreja e a Paróquia de Alfena e o CSPA não são a mesma coisa”. Desafiado a comentar esta afirmação, o pároco alfenense refere que “não é a mesma coisa, na verdade. Cada vez mais temos de distinguir isso, até pelos compromissos que cada entidade assume. Temos de separar as águas, claro que esta situação do pároco ser o presidente do centro pode levar à confusão. A mistura das duas coisas não funciona e por isso o CSPA tem a sua direção e a Paróquia tem o Fábrica da Igreja. Temos de procurar para cada uma delas aquilo que lhe é próprio, para cada uma cumprir a sua missão. A Paróquia procura a caridade e o Centro Social, a solidariedade, o que é diferente. O Centro Social tem de ser gerido como uma empresa e a Paróquia já não. A Paróquia lida com voluntariado e o CSPA lida com profissionais”.
O CSPA, como se leu atrás representa para Alfena e para Valongo uma mais valia importante, seja a nível do apoio social, seja a nível do número de funcionários.
Atualmente, o CSPA tem 164 funcionários diretos e o apoio específico para as suas valências traduzem-se na colaboração de médico, neurologista, nutricionista e quatro enfermeiros, por exemplo. “Procuramos ter qualidade e condições porque o Centro Social não é só o sítio onde se deposita o idoso. Queremos levar ao máximo a ideia do envelhecimento ativo”.
Noutra área o CSPA tem agora uma parceria com os CTT, funcionando uma loja nas suas instalações.
No dia seguinte a esta entrevista do JNR, o CSPA foi visitado pelo diretor Regional da Segurança Social do Porto, Miguel Cardoso. O responsável foi visitar as instalações do CSPA para ficar a conhecer melhor esta realidade.