Depois do vogal da Junta de Ermesinde, Armindo Ramalho, ter tornado público em plena reunião da Junta de Freguesia, um trabalho de investigação no leito e rede de condutas da Ribeira de Gandra, (ver video AQUI), o Núcleo do PSD de Ermesinde tomou posição pública.
Segundo é dito, “quatro cidadãos ermesindenses deslocaram-se a diferentes pontos de acesso ao leito da Ribeira da Gandra, com o objetivo de observar a infraestrutura existente, identificar eventuais descargas e recolher elementos que permitam contribuir para o esclarecimento da origem do problema.
O trabalho de campo permitiu recolher registos vídeo e fotográficos de condutas, estruturas hidráulicas e pontos concretos de descarga de efluentes observados no subsolo de Ermesinde.
No dia 24 de agosto, foram igualmente realizadas, a título voluntário e pro bono, com a colaboração de um técnico superior especializado na área do Ambiente, medições indicativas de sulfureto de hidrogénio (H₂S) em quatro pontos da rede de águas pluviais.
Nesses pontos, foram registados valores entre 10,3 ppm e 17,6 ppm, correspondendo a uma média aproximada de 14 ppm.
O PSD de Ermesinde refere no entanto que estas medições não constituem uma perícia, análise laboratorial ou medição oficial, não pretendendo substituir uma avaliação técnica realizada pelas entidades legalmente competentes”.
Diga-se que o sulfureto de hidrogénio é um gás tóxico, inflamável e associado ao característico odor
a “ovos podres”. A deteção destes valores numa infraestrutura subterrânea de águas
pluviais constitui, no entendimento do PSD de Ermesinde, “um sinal de alerta que ultrapassa a questão do simples incómodo provocado pelos maus odores e justifica uma avaliação rigorosa das condições de segurança existentes”.
O PSD de Ermesinde regista ainda a reação da Câmara Municipal de Valongo que, no próprio dia da reunião do Executivo da Junta de Freguesia, veio a publico, juntamente com o Presidente da Junta de Freguesia Miguel Oliveira, anunciar a existência de “planos de ação” relativos ao Rio Leça e à
respetiva bacia hidrográfica.
“Nós denunciamos, vocês aparecem depois. É uma dinâmica curiosa: primeiro a oposição trabalha e investe no terreno, depois o Executivo corre atrás para acompanhar.”
O PSD de Ermesinde entende, contudo, que, perante a natureza dos factos agora identificados, o essencial é que todas as entidades responsáveis atuem com rapidez e em articulação, independentemente de quem tomou a iniciativa de alertar para o problema.
Algumas das questões colocadas são: Qual a origem e titularidade das condutas e dos pontos de descarga
identificados nos registos efetuados no terreno?; Existem ligações indevidas ou descargas irregulares na rede pública de águas pluviais?; Quais são os níveis de H₂S registados ao longo da infraestrutura, incluindo nos pontos de acesso e ventilação para a superfície?; Que medidas de segurança estão a ser adotadas para proteger trabalhadores, utilizadores da infraestrutura e população residente nas zonas potencialmente afetadas?; Que medidas estão previstas para identificar e eliminar a origem dos efluentes
e dos odores que têm afetado a população?
Entretanto já tinha sido divulgado pelo Município de Valongo que o Município e a Junta de Freguesia de Ermesinde “partilham a preocupação da população com o estado do rio e trabalham em conjunto para contribuir para a sua recuperação. O Rio Leça precisa de respostas concretas. Identificar as causas e agir no terreno é o nosso compromisso”.
Concretamente é referido que, em outubro, arranca um plano de ação com inspeções às ribeiras da Balsinha e da Gandra, para identificar e eliminar ligações indevidas de saneamento às redes de águas pluviais e às linhas de água.
Já foi também lançado o concurso para a ampliação da ETAR de Ermesinde, uma intervenção que permitirá reforçar a capacidade de tratamento das águas residuais”.
Há trabalho feito, mas sabemos que ainda há situações por resolver. O compromisso é continuar a procurar as causas e atuar para proteger o rio e a qualidade de vida da população.
Na reunião de Junta, o presidente Miguel Oliveira, tinha referido ser importante o alerta para este tipo de situações, mas que a forma encontrada pelo eleito do PSD não foi a melhor e falou da visita dos elementos do executivo à ETAR, onde tiveram oportunidade de questionar elementos da Be Water.
Por outro lado e, em declarações citadas pelo Jornal A Voz de Ermesinde, fonte da Be Water -Águas de Valongo diz que “está sensível às preocupações manifestadas pela comunidade local e que tem acompanhando a situação com a máxima atenção e diligência”. A empresa acrescenta que estando “conscientes dos constrangimentos associados a uma infraestrutura que se encontra atualmente a operar em plena capacidade, mantemos um acompanhamento permanente da situação, procurando identificar e avaliar eventuais causas da responsabilidade da Águas de Valongo que possam contribuir para a ocorrência dos odores reportados”.
A Be Water – Águas de Valongo esclarece ainda que a ETAR «é objeto de monitorização, operação e manutenção permanentes, 24 horas por dia, 7 dias por semana, de forma a assegurar o seu regular funcionamento. Nas verificações realizadas, continuamos a não identificar qualquer anomalia suscetível de comprometer o funcionamento do sistema de desodorização, sendo que no interior da instalação os odores não são sentidos. Encontram-se, contudo, em curso diligências complementares de verificação e ensaios, quer na instalação, quer na rede pública de águas residuais envolvente».
A Be Water – Águas de Valongo recorda também “que se encontra aprovado, ao abrigo do programa NORTE 2030, o financiamento para a ampliação da ETAR de Ermesinde, num investimento estimado em cerca de 18 milhões de euros, comparticipado em 70%. O lançamento do concurso público internacional ocorreu no passado dia 4 de agosto, estando o início da empreitada previsto para 2027. Esta intervenção permitirá aumentar a capacidade da infraestrutura e reforçar o nível de tratamento. A Águas de Valongo manterá, como sempre, uma postura de transparência, proximidade e diálogo com a comunidade, acompanhando esta situação com o empenho e a responsabilidade que a mesma exige”.
Por último diga-se que foi conhecido nos últimos dias e nas redes sociais um apelo à presença dos ermesindenses na reunião da Assembleia de Freguesia a ocorrer dia 23 (quarta-feira) às 21horas no Edifício da Junta.
Foto principal retirada de video https://www.facebook.com/reel/1601012261485383




