Poluição no Leça na ordem do dia

PSD VAI DENUNCIAR ESTA NOITE LIGAÇÕES ILEGAIS E CÂMARA DE VALONGO AVANÇA COM PLANO PARA IDENTIFICAR E ELIMINAR LIGAÇÕES INDEVIDAS

Enquanto que esta noite (Dia 16 às 21H00), na reunião pública da Junta de Freguesia de Ermesinde, Armindo Ramalho eleito pelo PSD naquela autarquia, promete denunciar a origem de descargas ilegais no Rio Leça, o Município de Valongo, segundo nota enviada ao nosso jornal vai avançar com um plano de ação dirigido à identificação de eventuais ligações indevidas das redes de saneamento às linhas de água e às redes de águas pluviais que desaguam no Rio Leça. Os trabalhos começam em outubro.

Recorde-se que a cidade de Ermesinde tem sido palco de cheiros nauseabundos nos últimos dias e que a população tem feito queixas às diversas entidades.


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Voltando ainda à posição da Câmara, a nota refere a opinião do presidente «Não queremos ficar à espera que outros descubram os problemas do Leça por nós. Queremos ir ao terreno procurar as causas, identificar as situações concretas e atuar sobre elas».

«Se existem ligações indevidas, queremos saber onde estão, quem é responsável por elas e o que é necessário fazer para as eliminar. Se não existem, também queremos ter essa confirmação. O que não podemos fazer é trabalhar com suspeitas ou perceções: temos de ir ao terreno, verificar e agir», acrescenta Paulo Esteves Ferreira.

O plano prevê, numa primeira fase, a realização de inspeções vídeo nas ribeiras da Balsinha e da Gandra, com o objetivo de identificar eventuais ligações indevidas, infiltrações ou outras situações suscetíveis de contribuir para a degradação da qualidade da água.

A intervenção será igualmente estendida às redes e pontos de descarga de águas pluviais que afluem ao Rio Leça, procurando localizar eventuais ligações indevidas de águas residuais às redes pluviais.

Sempre que sejam identificadas situações irregulares, a Câmara Municipal atuará no âmbito das suas competências, promovendo a sua correção e o tamponamento das ligações indevidas, bem como encaminhando para as entidades competentes as situações que não sejam da sua responsabilidade direta.

Paralelamente, o Município vai constituir uma equipa para realizar uma vistoria sistemática ao longo do troço do Rio Leça que atravessa o concelho de Valongo, com o objetivo de verificar a existência de eventuais novas ligações ou descargas indevidas diretamente para o rio.

O plano de ação pretende, assim, reforçar o trabalho de fiscalização e diagnóstico no território de Valongo, contribuindo para identificar todas as potenciais fontes de contaminação que possam ser eliminadas localmente e para disponibilizar informação rigorosa às entidades responsáveis pela gestão e recuperação do Rio Leça.

Esta ação permitirá também atualizar o levantamento realizado anteriormente no território municipal, garantindo que a informação disponível é atual e que quaisquer novas situações entretanto surgidas possam ser identificadas e tratadas.

O Presidente da Câmara sublinha ainda que a despoluição do Rio Leça exige uma atuação articulada entre diferentes entidades e municípios.

«A defesa do Rio Leça não pode ser uma disputa política nem uma questão de fronteiras administrativas. É uma responsabilidade coletiva. A Câmara de Valongo fará a sua parte, identificando e corrigindo tudo aquilo que estiver ao seu alcance e sinalizando às entidades competentes aquilo que ultrapasse as suas competências», afirma.

Intervenção na ETAR de Ermesinde avança

A par destas ações de fiscalização e diagnóstico, a Câmara Municipal de Valongo está também a atuar sobre uma das questões estruturais relacionadas com o sistema de tratamento de águas residuais que serve as populações de Ermesinde e Alfena.

Já foi lançado o concurso para a ampliação da capacidade da ETAR de Ermesinde, estando prevista a realização da obra a partir do início do próximo ano.

O reforço da capacidade da ETAR permitirá dar resposta ao crescimento e às necessidades atuais do sistema, eliminando, após a conclusão da intervenção, as descargas esporádicas que ocorrem em situações em que a capacidade instalada de tratamento é ultrapassada.

«Estamos a atuar em duas frentes: por um lado, vamos ao terreno procurar e eliminar eventuais ligações indevidas que possam estar a contribuir para a degradação do Rio Leça; por outro, estamos a resolver um problema estrutural, com o aumento da capacidade da ETAR de Ermesinde», afirma o presidente da Câmara Municipal de Valongo.

«Não queremos esconder nenhum problema. Queremos identificá-lo, perceber a sua origem e resolvê-lo. É por isso que estamos a avançar simultaneamente com fiscalização, inspeção das redes e investimento em infraestruturas», refere ainda o autarca.

Foto SOS Leça