Nova rede Mobiave gera debate sobre transportes e impacto local

A nova rede de transportes Mobiave, que entrará em funcionamento a 1 de abril, está a gerar um intenso debate sobre a gestão da mobilidade intermunicipal. A ligação entre Famalicão, Trofa e Santo Tirso surge como uma resposta à falta de soluções eficientes na zona, mas especialistas e responsáveis do setor questionam a necessidade de mais uma autoridade de transportes numa região já servida por outras redes.

Uma nova solução ou mais sobreposição?

Com a entrada em operação da Mobiave, os três municípios passam a contar com uma estrutura própria de transportes, a somar à Unir e à Ave Mobilidade, que já operam na região. Para Marco Martins, presidente da Transportes Metropolitanos do Porto (TMP), esta proliferação de autoridades pode comprometer a coerência da rede e dificultar a integração dos serviços.

“A mobilidade metropolitana deve ser pensada de forma integrada e não fragmentada”, defendeu Marco Martins, alertando para a necessidade de articulação entre a Área Metropolitana do Porto (AMP) e as Comunidades Intermunicipais (CIM) vizinhas.

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Como avança o Porto Canal, o professor universitário Álvaro Costa reforçou esta preocupação, sublinhando que a falta de coordenação pode resultar na sobreposição de serviços e numa menor eficiência dos transportes públicos. Tiago Ferreira, da CIM do Cávado, também criticou a possibilidade de existir uma autoridade que apenas cobre parte de um município, o que pode gerar desigualdades no serviço prestado aos cidadãos.

O que muda para os passageiros?

A Mobiave chega com uma operação robusta: 90 linhas, 110 autocarros e mais de 2.700 paragens, prometendo melhorar a acessibilidade dentro e entre os três concelhos. Nos primeiros dias de funcionamento, haverá viagens experimentais gratuitas, incentivando os habitantes a testar o serviço.

Os autarcas de Famalicão, Trofa e Santo Tirso defendem a pertinência da nova rede, sublinhando que esta surge como resposta a lacunas existentes nas ofertas atuais. António Azevedo, presidente da Câmara da Trofa, destacou que a Unir não abrangia algumas zonas do concelho que agora serão servidas pela Mobiave. Já Alberto Costa, presidente da Câmara de Santo Tirso, considera que os sete anos de concessão vão permitir avaliar a eficácia deste modelo e ajustá-lo conforme necessário.

E os municípios vizinhos?

A criação da Mobiave levanta questões que também interessam aos concelhos vizinhos da AMP, como Valongo, Maia, Gondomar e Paredes, onde a mobilidade intermunicipal é um fator determinante na vida dos cidadãos. A necessidade de deslocações diárias para trabalho e estudo faz com que qualquer alteração nas redes de transporte tenha impacto na rotina de milhares de passageiros.

A unificação dos sistemas de transportes tem sido uma bandeira da AMP, que defende a centralização da gestão na TMP para evitar desigualdades entre territórios. Se a Mobiave provar ser um modelo eficiente, poderá inspirar outras autarquias a adotar soluções semelhantes. No entanto, se as críticas sobre a descoordenação se confirmarem, a tendência poderá ser o reforço da integração dentro da AMP.

Um futuro de maior integração?

O futuro da Mobiave dependerá da sua capacidade de oferecer um serviço eficiente e integrado. A forma como a nova rede se relacionará com as restantes ofertas de transporte, especialmente nas ligações a concelhos como Valongo, Maia, Gondomar e Paredes, será um teste importante para o modelo. Para já, os passageiros terão a oportunidade de avaliar na prática os benefícios e desafios desta nova operação.

A mobilidade é um fator-chave para o desenvolvimento regional, e a forma como os transportes públicos são geridos pode determinar a qualidade de vida dos habitantes. A Mobiave representa uma aposta na descentralização, mas só o tempo dirá se esta decisão trará maior eficiência ou mais complicações na gestão dos transportes da região.