Política e Associativismo: Cooperação ou Oportunismo?
Por Joana Fitas *
Em tempos de campanha política, o associativismo torna-se um palco privilegiado para candidatos e partidos, pelo papel central que têm nas comunidades, ao reunirem pessoas, promoverem a cidadania ativa e servirem de elo entre a sociedade civil e os poderes instituídos, verdadeiros espaços de influência e mobilização. Para as associações, esse momento representa também uma rara oportunidade de serem ouvidas e de verem as suas preocupações levadas em conta.
No entanto, é essencial que essa aproximação não seja apenas simbólica ou estratégica. A relação entre política e associativismo deve ser construída com responsabilidade e transparência, evitando promessas vazias que geram desilusão e, sobretudo, impedindo a instrumentalização do associativismo para fins eleitoralistas. As associações não podem ser vistas como meros trampolins políticos, mas como parceiras fundamentais na construção de políticas públicas eficazes e realistas.
Paralelamente, o associativismo é rico em experiências que podem e devem inspirar a gestão pública. Muitas associações sobrevivem e prosperam com recursos limitados, mostrando uma enorme capacidade de adaptação, criatividade e mobilização comunitária, exemplos de boas práticas:
- Promoção do diálogo e da escuta ativa: Reunião de diferentes opiniões e visões, gera o debate democrático, levando a decisões mais equilibradas e ajustadas.
- Gestão eficiente de parcos recursos: Muitas coletividades fazem milagres financeiros, garantindo que cada euro tenha um impacto significativo, uma inspiração para políticas públicas mais eficientes e sustentáveis.
- Dinamização criativa de atividades: Promoção de comunidades ativas, com iniciativas culturais, desportivas e sociais, contribuindo para modelos de governação mais dinâmicos e participativos.
- Fortalecimento do espírito comunitário: As associações criam laços de pertença, solidariedade e entreajuda, úteis para a definição de políticas sociais que fomentem o envolvimento cívico e interajuda.
- Trabalho colaborativo e apartidário: O foco está na causa e não na ideologia, numa ação mais pragmática e orientada para soluções. Este princípio pode inspirar a adoção de abordagens mais cooperativas, privilegiando o bem comum sobre interesses particulares.
Se os modelos bem-sucedidos do associativismo forem aproveitados na gestão pública, poderemos construir uma sociedade mais participativa, eficiente e solidária. Mais do que promessas de campanha, o que realmente importa é garantir compromissos concretos e sustentáveis para o futuro.
Pelo Movimento Associativo Popular e Voluntário. Pela cultura, arte, recreio, desporto e solidariedade promovidos pelas nossas associações. Por Alfena, Ermesinde, Campo e Sobrado, e Valongo.
* Presidente da ACCV (Associação de Coletividades do Concelho de Valongo)

