A demolição do Moinho e da Ponte 4 de Ardegães, na Maia, para a construção de um itinerário do Corredor Verde do Rio Leça, vai entrar em discussão pública na segunda-feira, segundo um aviso publicado em Diário da República.
Naquele aviso, a Câmara Municipal da Maia, no distrito do Porto, explica a necessidade de demolir aquelas duas construções com a “inexistência de alternativa de trajeto” para aquele corredor, que vai passar pelos municípios da Maia, Matosinhos, Santo Tirso e Valongo.
Segundo informação da autarquia, o moinho em causa é “hidráulico, construído em granito, com um mecanismo de rodízio acionado a água”, que está em “estado de ruína”, pelo que “é impossível determinar a sua organização interna, nem o número de mós”.
“Com base no desgaste dos diversos cruciformes gravados nas padieiras da porta de entrada, é provável que a sua construção tenha ocorrido durante o século XVIII. Sob a porta de entrada, encontra-se uma epigrafe com as letras R J.S.M 1894 (Reconstruído por J.S.M no ano de 1894)”, refere a autarquia.
A autarquia refere que “tendo em consideração o regime legal de enquadramento do bem cultural, o estado de ruína em que se encontra e a ausência de alternativas para o itinerário do passadiço metálico a construir no âmbito do Corredor Verde do Rio Leça, coloca-se à discussão pública a sua demolição”.
Quanto à ponte, que está em estado “razoável”, a autarquia explica que é uma ponte sobre o rio construída em betão armado, com o tabuleiro apoiado nas margens e sem pilares centrais”.
“A estrutura da ponte apresenta sinais de corrosão na armação de aço do betão. O arrolamento deste bem cultural no Plano Diretor Municipal da Maia teve como base não o seu valor arquitetónico, mas o facto de estar integrada num itinerário antigo enquadrado pela Capela da Senhora dos Aflitos”, lê-se.
A câmara da Maia defende que “a demolição total da ponte 4 em Ardegães justifica-se e é defensável de acordo com o projeto de execução do Corredor do Rio Leça, que prevê a construção de uma nova travessia localizada a poucos metros, a jusante da PT06, de forma a não privar a população deste equipamento”.
A discussão pública ocorrerá por 20 dias e “durante este período os interessados poderão, por escrito, apresentar reclamações, sugestões ou observações, mediante requerimento, dirigido ao presidente da Câmara Municipal, através do correio eletrónico geral@cm-maia.pt, por via postal ou entregue diretamente no Gabinete Municipal de Atendimento do município”.
Foto Arquivo Mário Santos/CM Maia

JCR // JAP Lusa/Fim


