PSP lança operação “Vive na Real!” para prevenir dependências de substâncias e ecrãs nas escolas

A Polícia de Segurança Pública (PSP) iniciou hoje, 9 de março, a operação nacional “Vive na Real! – Não na Dependência”. Através das Equipas do Programa Escola Segura, a iniciativa decorrerá até ao dia 27 de março em estabelecimentos de ensino do 3.º ciclo e secundário, com o objetivo de sensibilizar os jovens para os riscos dos comportamentos aditivos, que vão muito além do consumo de substâncias tradicionais.


Novas Tendências: Das Substâncias ao Mundo Virtual

A operação surge num contexto de mudança nos padrões de consumo em Portugal. Se, por um lado, o álcool continua a ser uma preocupação, a PSP alerta para o aumento do consumo de canábis, ecstasy e anfetaminas entre as camadas mais jovens.

No entanto, um dos grandes focos desta edição é a dependência digital, um fenómeno que ganhou contornos críticos desde o período da pandemia. A Organização Mundial de Saúde (OMS) já reconhece a “Perturbação de Adição a Videojogos” como uma patologia, caracterizada por:

  • Perda de controlo sobre o tempo passado a jogar;
  • Prioridade total ao jogo em detrimento de outras atividades diárias e interesses sociais;
  • Persistência no comportamento mesmo perante consequências negativas graves no rendimento escolar ou ambiente familiar.

Retrato Digital dos Jovens aos 18 anos

Dados recentes do Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD) revelam a dimensão do desafio que as autoridades e famílias enfrentam:

  • Tempo de Ecrã: 61% dos jovens utilizam a internet durante 4 horas ou mais por dia.
  • Início Precoce: 41% começaram a navegar na rede antes dos 10 anos de idade.
  • Redes Sociais: Praticamente todos os jovens (97%) utilizam redes sociais, sendo que 15% passam 6 ou mais horas diárias nestas plataformas.
  • Gaming: 61% dos jovens de 18 anos jogam online regularmente.
  • Dispositivos: O telemóvel é o equipamento eleito por 92% dos utilizadores, o que facilita o acesso constante e dificulta o controlo parental.

Embora o uso da internet seja transversal, o estudo nota que os rapazes tendem a iniciar-se mais cedo, enquanto as raparigas despendem, em média, mais tempo ligadas às plataformas digitais.


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