Em agosto, 9 voluntários dizem “SIM” a uma missão que promete mudar vidas — inclusive as dos participantes.
O grupo de 9 missionários prepara-se para partir rumo ao Quénia, mais concretamente para Chumviyere, onde vão ajudar a construir um jardim de infância Tijolo a Tijolo.
Deste leque fazem parte 3 sobradenses, Ana Marujo, Ana Paula Santos e António Santos, que explicam a motivação deste voluntariado.
Ana Marujo
Olá a todos! Sou a Ana Marujo e sou de Sobrado. Sou escriturária num grupo de supermercados.
Sou catequista, leitora e sou responsável pelo movimento da Ação Católica Rural na minha paróquia.
Optei como lema de vida “Ser missionária é ser feliz!”.
Com este desejo de ser feliz e levar felicidade aos outros, embarco em mais uma missão em África.
Conto com a ajuda e a oração, de todos aqueles que fazem esta missão possível. Com certeza no final da experiência sentir-me-ei mais realizada e de bagagem cheia.
Tenho como hobbie escrever e para esta missão não posso esquecer o meu caderno, onde irei escrever as experiências diárias!
A missão é de todos!

Ana Paula Santos
Sou a Ana Paula Santos mais conhecida por Paulinha.
Tenho 52 anos e trabalho com transporte escolar, uma missão que exerço com amor todos os dias. Cuidar de crianças ensinou-me que responsabilidade é também afeto, que presença é também proteção e que um gesto simples pode marcar uma vida. Ao longo dos anos, aprendi a estar atenta, a ser paciente e a oferecer segurança e carinho a quem precisa.
Em 2024, vivi uma das experiências mais marcantes da minha vida ao participar numa missão com refugiados em Oujda, em Marrocos. Ali encontrei pessoas que tinham perdido quase tudo — menos a dignidade e a esperança. Vi de perto o sofrimento, mas também a força, a resiliência e a coragem humana. Essa missão transformou-me profundamente. Percebi que, muitas vezes, o maior gesto de amor é simplesmente estar presente, ouvir, segurar uma mão, olhar nos olhos e dizer “não estás sozinho”.
Foi em Oujda que compreendi que o voluntariado não é apenas ajudar — é deixar-se tocar, é permitir que a dor do outro nos torne mais humanos, mais conscientes e mais disponíveis para servir.
Agora, a minha próxima missão em agosto deste ano, será numa aldeia pobre do Quénia.
Vou com o coração mais preparado, mais humilde e ainda mais determinado a ser instrumento de cuidado e esperança. Levo comigo a maturidade dos meus 52 anos, a experiência de quem já viu realidades difíceis e a certeza de que cada pequeno gesto pode levar luz a alguém.
Não vou apenas para dar — vou para partilhar, aprender e continuar a crescer como ser humano. Quero oferecer o meu tempo, a minha experiência e o meu coração aberto, acreditando que servir é uma das formas mais bonitas de viver.
Vou levar muitos lápis de cor pois acredito que com eles vou comunicar facilmente com estas crianças.

António Santos
Chamo-me António, sou natural de Sobrado e tenho 51 anos. Em agosto partirei em missão para o Quénia.
Levo comigo mais do que a idade — levo caminho feito, histórias vividas e uma vontade firme de continuar a servir. Levo também o meu lenço no pescoço e o meu caderno de caça na mochila — sinais simples de uma identidade que me acompanha para onde quer que vá.
Ao longo da vida tive a graça de estar em missão no Uganda, onde aprendi que a pobreza material muitas vezes esconde uma riqueza humana imensa. Estive também nos campos de refugiados da Grécia, onde os olhares cansados pediam mais do que palavras — pediam presença. Em Oujda, em Marrocos, encontrei rostos marcados pela travessia e pela esperança, e percebi que servir é, antes de tudo, estar disponível.
Sou escuteiro. E isso não é apenas um lenço ao pescoço — é um compromisso no coração. É acreditar que “sempre alerta para servir” não tem idade, tem atitude. No meu caderno de caça levo memórias, aprendizagens e espaço para escrever novas histórias que a missão me irá confiar.
Ir em missão, para mim, não é heroísmo; é resposta. É sentir que a vida ganha sentido quando se partilha tempo, escuta e cuidado.
Já passei o meio século, mas continuo a partir como quem começa. Porque enquanto houver alguém que precise, haverá sempre caminho a fazer.




