Associativismo em Valongo 14: A Dançar se Preserva a Nossa História

Joana Ribeiro Fitas*

O folclore é muito mais do que dança. É um repositório vivo da memória de um povo, sustentado por investigação, recolha etnográfica e documentação. Cada dança, traje ou canção retrata episódios da vida local: colheitas, amores, festas, rituais. É, por isso, uma ferramenta preciosa de educação patrimonial e histórica.
No palco do FestInVallis, vimos isso em ação: grupos da Argentina, Bósnia-Herzegovina, Polónia, Espanha — e também os nossos — expressaram em movimento aquilo que são. Mas o contraste é evidente: lá fora, vemos jovens em força; cá, são sobretudo adultos que mantêm viva a tradição. Importa perceber porquê.
Na Bósnia, a dança tradicional ensina-se desde cedo. Festivais como o Ilidža International Children’s Folklore Festival envolvem jovens entre os 10 e os 14 anos. Na Polónia, a polonaise faz parte do cerimonial de ritos juvenis. Por isso os seus palcos transbordam juventude — fruto de investimento e preservação cultural.
E por cá? Por que não temos dança tradicional nas escolas? Por que motivo as AEC incluem ioga ou inglês, mas não folclore? Que oportunidades têm as nossas crianças de conhecer e viver a sua cultura local?
Em dezembro de 2024, numa reunião com o Dep. da Cultura da CMV, a Associação das Coletividades do Concelho de Valongo (ACCV) sugeriu a introdução da Dança Tradicional Portuguesa nas AEC do 1.º ciclo. Reiteramos agora essa proposta, à porta de um novo ano letivo. Os ranchos e grupos locais são parceiros naturais: conhecem as tradições e têm ligação direta à comunidade.
Porquê levar o folclore às escolas? Por que os benefícios são reais e comprovados:
Desenvolvimento motor, emocional e social. Melhora o equilíbrio, a cooperação, a empatia e a expressão emocional.
Identidade e pertença. Dançar o que é nosso fortalece a autoestima e o enraizamento comunitário.
Educação cultural e histórica. Cada dança traz história viva: trajes, ofícios, instrumentos, contextos locais.
Saúde física e bem-estar. Promove motivação, autoestima e saúde emocional.
Inclusão e acessibilidade. É de baixo custo, fácil implementação e aberta a todas as crianças.
Se não passarmos o testemunho às novas gerações, o folclore arrisca-se a desaparecer. Não por falta de valor, mas por falta de transmissão. A cultura mede-se no valor que gera: identidade, coesão e pertença. A escola é o lugar certo para semear tudo isso.
Pelo Movimento Associativo Popular e Voluntário. Pela cultura, arte, recreio, desporto e solidariedade promovidos pelas nossas associações. Por Alfena, Ermesinde, Campo e Sobrado, e Valongo.

*Presidente Associação das Colectividades do Concelho de Valongo


publicidade
Espaço Publicitário