Presidente dos BV Ermesinde fala da situação da corporação

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A Associação dos Bombeiros Voluntários de Ermesinde comemorou há dias o seu 102º aniversário.
Jorge Videira é o presidente da direção e respondeu a algumas questões do Jornal Novo Regional.

P) A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ermesinde comemorou recentemente 102 anos de vida. Como está atualmente a Associação?
R) A Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Ermesinde está bem graças à boa vontade dos Órgãos Sociais, comando e Corpo Ativo. Diariamente, vamos dando resposta às solicitações que nos são feitas, quer no Socorro quer nos Transporte de Doentes Não Urgentes.(TDNU).
Nem sempre conseguimos executar o pleno, umas vezes porque as solicitações são demasiadas, outras por fatores externos à nossa vontade. Falta de pessoal disponível ou,avaria de viaturas. Contudo, no campo do Socorro, vulgo Inem, somos das Corporações que mais serviços faz no distrito, entre 500 e 600 serviços por mês. No TDNU fazemos entre 40 e 50 transportes diários. Como disse, numa ou outra altura vemo-nos obrigados a rejeitar serviços.

P) Quantos elementos tem o Corpo Ativo? Chegam para as necessidades?
R) O Corpo Ativo é composto por cerca de 90 Bombeiros. Permanentes, com o estatuto de funcionário são 30 Homens e Mulheres.
Nem sempre chegam. Embora anualmente seja aberta uma Escola de Recruas, são cada vez menos os candidatos. A indefinição do Estado quanto à aprovação do Estatuto do Bombeiro não alicia os jovens de hoje. Longe vão os tempos em que o voluntariado nestas casas era farto.

P) E no que se refere a condições, por exemplo instalações e viaturas. Qual é a situação? Quais as principais carências
R) As instalações, embora recentes, a parte operacional data de 2003, são exíguas quer no que diz respeito aos parques de viaturas, quer também nos dormitórios (camaratas). Sendo que mais de 30% do Corpo Ativo é representado pelo sexo feminino, vimo-nos obrigados, ainda recentemente, a proceder ao aumento das camaratas femininas com prejuízo de outros espaços. Temos um Projeto de alteração dos espaços interiores, mas que em termos financeiros anda próximo dos 220.000,00€, verba impossível de conseguir face às dificuldades em gerir o dia-adia com as receitas que vamos conseguindo amealhar.
O Estado, sendo o nosso principal cliente, paga pouco e mal, direi mesmo, as Associações Humanitárias dão mais ao Estado do que este lhes dá. Quanto a viaturas, em 7 anos fizemos investimentos de cerca de 500.000,00€. Mesmo assim, temos a maioria dos carros de incêndio com mais de 30 anos. As ambulâncias têm vindo a ser substituídas, mas face ao elevado número de quilómetros que efetuam têm um desgaste bastante rápido.
Precisamos de carros mais recentes, mesmo que importados em bom estado. Mesmo assim, ficam por largas dezenas de euros, difícil de lá chegar.

P) Quantos associados tem a AHBVE? Poderiam ser mais?
R) Em termos de Associados pagantes são cerca de 6.500. Sim, poderiam ser mais, atendendo a que a nossa área de intervenção corresponde às cidades de Alfena e Ermesinde, cuja população rondará os 60.000 habitantes. Verifica-se que apenas pouco mais de 10% dessa população é associada dos Bombeiros.

P) Quais têm sido as principais conquistas nos últimos anos?
R) Algumas conquistas foram realizadas. Abertura à sociedade civil, bem importante no estabelecimento de parcerias. Aquisição de viaturas de combate a incêndio, Ambulâncias, Formação dos nossos Bombeiros, Aquisição de equipamentos e fardamentos, criação de um Departamento de Formação Profissional que vai ajudando à criação de algumas receitas, etc.

P) E em relação ao futuro, como antevê a corporação?
R) Antevejo um futuro pouco risonho para as Associações Humanitárias. Estes 9 anos de gestão que levo nesta casa e que é transversal a todas as Associações Humanitárias do País, sempre a viver com dificuldades financeiras e a fazer ginástica tapando aqui e destapando acolá, fazem com que não acredite num futuro próspero para estas instituições.

P) Como tem sido o apoio da comunidade?
R) Os apoios, em pequena escala, vão aparecendo, mas não suficientes para garantir o futuro.
Estamos com uma campanha de angariação de fundos para a aquisição de uma viatura de Socorro (Ambulância tipo B). Custa cerca de 65.000,00€. Graças às Autarquias, a algumas Associações que colaboraram com eventos de angariação de fundos e a dádivas de pessoas singulares, vamos conseguir concretizar este objetivo. A todos quantos têm colaborado deixo um enorme agradecimento.
Ao Comando e aos nossos Bombeiros, que tiveram esta iniciativa, um agradecimento especial pela forma como entendem que a Associação tem dificuldades na aquisição da Ambulância referida.

Nota: entrevista publicada originalmente na edição em papel Especial 33º aniversário da cidade de Ermesinde.