Esonor (Opticália): Há 24 anos a olhar pelos olhos de Valongo e não só

Cidália Ferreira é proprietária de 13 estabelecimentos de óptica, inseridos no grupo Opticalia.
A sua primeira loja foi em Valongo fundada em 1997. Fundada exatamente no dia 17 de fevereiro. está hoje de parabéns.

Aqui fica a entrevista publicada na edição em papel, de dezembro, do Jornal Novo Regional.

P – Formou-se em óptica-optometria em 1995 na Universidade do Minho. Após o curso foi logo para o mercado de trabalho? Conte um pouco do seu percurso.
R – Em 1989 entrei na Universidade do Minho no curso de Física Aplicada, Ramo Óptica-Optometria, que finalizei em 1995, como indica. Mais recentemente fiz o mestrado em Optometria Avançada da Universidade do Minho.
O meu percurso profissional começou quando ingressei nos quadros de um grupo líder da óptica, na loja de Santa Catarina onde permaneci até 1997, altura em que decidi que estava na hora de ter o meu próprio negócio e abrir a primeira loja franquiada desse mesmo grupo. Nos anos seguintes abri mais três em Gondomar, V.N. Gaia e Carvalhos e acabei por abandonar esse grupo posteriormente por estar em desacordo com as políticas praticadas.
É muito importante acreditarmos nos projectos, não baixarmos os braços e sabermos adaptar-nos ao mercado. Acima de tudo, não nos acomodarmos, procurarmos sempre mais e melhor, porque rapidamente as coisas se alteram de um momento para o outro e quem tem esta capacidade de resiliência e de adaptação rápida, são os negócios que saem fortalecidos e vencedores.


P – Como aparece a Opticalia no seu trajeto em 2012?
R – A Opticalia surgiu em 2012 como uma oportunidade de consolidar o negócio ainda mais, crescer e estar cada vez mais perto do cliente, daquilo que o move e do que procura. Foi muito importante eu conhecer a equipa que desenvolve a marca e saber do que são capazes, dos objectivos que estavam definidos e que se encontravam alinhados com o meu negócio e o potencial de crescimento que eu procurava. Além disso, era uma marca que vinha para agitar o mercado e a forma como se comunicava na óptica, sempre com uma atitude muito optimista e realista, com a qual me identifico, e daí que tenha sido das primeiras a associar-me ao grupo quando fui convidada a entrar em Maio de 2012.
Está a ser uma experiência muito interessante e acredito que entrei na altura certa, que naquela altura, mais do que nunca, era tempo de mudar. Que em tempos menos favoráveis economicamente é a altura certa para fazer mudanças e que esta foi uma aposta ganha. Foi possível crescer, ao associar-me à Opticalia, que me deu o impulso certo e que me ajudou a desenvolver o meu negócio e a inverter a tendência do mercado. Para além do mais, é muito importante poder competir de igual para igual com grupos que já operavam no mercado.


P – A sua aventura como empresária foi avançando desde a primeira loja até à atualidade. Quantas lojas tem o grupo e onde e há intenções de abrir as próximas?
R – A Opticalia conta actualmente com 258 lojas espalhadas por todo o território continental e Ilhas. Funciona com um sistema de associados, de que a Esonor-Olharlongo faz parte. Especificamente, o nosso grupo tem neste momento 13 lojas, divididas entre lojas de rua e lojas em shoppings, em diversas localidades como Gondomar, Valongo, Vila Nova de Gaia, Paços de Ferreira, Vila do conde, Paredes, Carvalhos, Penafiel, Póvoa de Varzim e Braga.
Quanto a novas aberturas, desde o início da nossa actividade que sempre tivemos uma postura pró-crescimento. Analisamos todas as oportunidades e decidimos sempre com base nos objectivos que temos definidos para a nossa empresa e que queremos alcançar. O caminho será sempre o do crescimento e de aproveitamento de todas as oportunidades que o mercado apresentar, pois essa tem sido a nossa filosofia desde o início. Acredito que temos que estar disponíveis e procurar constantemente novas formas de evoluir a nível pessoal e profissional.
Para já a presença em mais centros comerciais é uma prioridade. No entanto, queremos também fortalecer a presença e impacto das nossas lojas de rua.
P – Com esse número de lojas há necessidade de ter um bom quadro de pessoal profissional. As equipas de trabalho têm também um papel importante no sucesso? Como faz a seleção das pessoas, quais os critérios que usa?
A Opticalia não procura somente vender serviços e produtos, mas acima de tudo solucionar necessidades e satisfazer os clientes. Aliás esse é um dos pontos de chave em que mais trabalhamos dentro da Esonor. Para o conseguir, as equipas das nossas lojas são formadas e motivadas para respeitar os valores e atitudes que consideramos essenciais. A dedicação, a polivalência, o brio profissional, a simpatia e a empatia para com o cliente e também para com os colegas de trabalho uma vez presentes fazem toda a diferença. Valorizamos a formação de todos os membros da equipa e acreditamos que trabalhamos todos em conjunto para o mesmo fim: a excelência do serviço. E isso sente-se e experiencia-se quando se entra dentro de uma das nossas lojas.


P – O seu marido, José Luís Moreira, tem sido sempre um parceiro também nos negócios. É importante existir essa cumplicidade?
R – Muito importante o apoio constante do meu marido em tudo na minha vida.


P – Voltando ao seu posicionamento (e da Opticalia) no mercado, quais as principais diferenças para a concorrência?
R – A Opticalia, como lhe disse, entra com um posicionamento completamente diferenciador no mercado óptico. A falar uma linguagem que na altura, por vezes, não era bem entendida pelos ópticos, mas que era muito bem recebida e percepcionada pelos clientes. Criámos uma ruptura. Até então trabalhava-se a comunicação de uma forma médica e o que a Opticalia viu foi que para além da componente médica e do profissionalismo que é um dado adquirido, há todo um universo de comunicação que poderia ser explorado de forma a transformar o ter de “usar óculos”, como algo bem-vindo. E claro, que o factor moda aqui foi fundamental. Ao tornamos os óculos como um complemento de moda, como um prolongamento do que eu sou e de como me sinto, tal e qual como qualquer outro acessório que uso, falo uma linguagem mais abrangente, mais emocional e que chega a mais potenciais clientes. Foi isso que a Opticalia conseguiu e que reforçou com a ligação que estabelecer para ser a representante em exclusivo para o eye ware, algumas das principais marcas de moda: Mango, Pepe Jeans, Custo Barcelona, Pull&Bear, Pedro de Hierro, Hackett, etc. Marcas que na cabeça do consumidor são moda. Depois há o serviço de que também já falei. Não é por acaso que há seis anos que a marca ganha o prémio 5 estrelas que avalia a excelência de serviço de uma forma independente, e em que em igualdade de avaliação com as suas marcas concorrentes, a Opticalia tem sempre tido uma melhor avaliação da parte dos seus clientes.


P – A primeira loja foi em Valongo. Houve alguma razão especial para isso?
R – Sendo o meu marido natural de Valongo e tendo um conhecimento do mercado, fizemos a opção de abrir a primeira loja em Valongo.

P – Tem tido um papel importante na comunidade, apoiando associações e ações de índole vária. Acha importante essa intervenção e é para continuar?
Não vivemos sozinhos. O ambiente que nos rodeia, os negócios e as pessoas que nos permitem crescer e fazer parte duma comunidade são uma parte vital da nossa vida.
Por isso, acredito que sempre que possamos devemos retribuir de alguma forma, ajudar a trabalhar nas soluções dos problemas, para que possamos todos crescer e ser melhores como um todo.
Claro que nem sempre conseguimos chegar onde gostaríamos, porque infelizmente ainda há muito para fazer, mas sempre que nos for possível estaremos envolvidos em acções em prol da comunidade.


P – Vivemos numa altura “diferente” com várias empresas em dificuldades. Também tem passado por essas dificuldades? Como vê o futuro?
R – Apesar de tudo o mercado da óptica, porque tem esta componente de saúde, não sofreu tanto como outros mercados com a pandemia. O facto de termos uma boa estrutura montada em todas as áreas que envolvem o negócio, permite-nos também optimizar os recursos, algo que ajuda em momentos como este.
Agora claro, que depois tivemos que nos adaptar rapidamente ao momento que se vive, de forma a garantir a segurança de todos em primeiro lugar, e depois de garantir que tínhamos de novo a confiança dos clientes para voltarem. Começámos a trabalhar na marcação de consultas, na comunicação de campanhas que fossem ao encontro da expectativa do cliente e que os ajudasse a ter o melhor produto para o seu caso específico. E a verdade é que aos poucos as coisas voltaram a normalizar… claro que agora com as novas restrições, se volta a sentir um abrandamento no negócio, mas o importante é mantermos a resiliência e irmo-nos reinventado até este momento mais complicado passar.


P – Desejos para este ano
R – Que as pessoas se mantenham optimistas, que acreditem que vamos superar este momento. Que sim, será necessariamente um ano diferente, mas que se nos focarmos no que temos de bom na nossa vida, em quem nos rodeia veremos que temos o que realmente precisamos.