Covid 19: Emigrantes valonguenses em estado de alerta

Texto Isabel Fernandes Moreira

A Europa vive um momento de alerta global devido ao COVID – 19. O Jornal Novo Regional (JNR) falou com vários valonguenses que estão emigrados, que contaram o clima que se vive nos seus países. No geral, estão receosos com o que vai acontecer com sistema de saúde, porque sabem que o pico do vírus ainda está para chegar, e consequentemente com a economia. Há um caso de isolamento.

Na Suiça também já foi decretado o estado de emergência. Até 19 de abril tudo fecha. Tudo o que não é essencial para vivermos. A excepção vai para as farmácias, bancos, correios e padarias. Alguns supermercados, quiosques e bombas de gasolina vão manter as portas abertas.

Agostinha Mendes é de Alfena e vive e trabalha em Genebra. Ao JNR conta que a situação está a tornar-se complicada. O conselho Federal decretou, na sexta feira passada, medidas que não variam muito das que foram tomadas pelo governo português.

As fronteiras estão altamente controladas, as escolas estão fechadas, os estabelecimentos fecham mais cedo e com controlo do número de clientes. Todas as manifestações, concertos, reuniões, entre outros eventos foram anulados. “Na Suíça o pico do coronavirus ainda está para chegar, mas os números estão a subir rapidamente”.

Agostinha Mendes reside numa zona já com casos registados e, esta segunda feira, 16 de março, foi declarado um caso de COVID-19 num dos residentes do seu trabalho. Por isso, nesta altura, “ eu mesma estou confinada em casa porque apresento alguns sintomas”. “Eu estou confinada no quarto com máscara, tenho que lavar as mãos muitas vezes ao dia, enfim todas as precauções que já conhecemos”.

A Alfenense é coordenadora numa instituição que acolhe pessoas com deficiências, onde, desde logo, foram tomadas medidas importantes, entre as quais, assumir o enquadramento dos beneficiários apenas a 50%. “Todos os estagiários e aprendizes foram enviados para casa, foram interditas visitas às famílias e proibidas as entradas a pessoal do exterior a todos os nossos serviços como a restauração”, enumera.

Os filhos estão consigo mas com o menor contacto possível.

O marido não tem dormido no quarto. “Coitado… o sofá tem sido a cama dele”.

O marido de Agostinha, que trabalha no aeroporto de Genebra, continua a trabalhar. “Por enquanto o aeroporto ainda não foi fechado”.

Quanto ao seu estado de saúde, não esconde que está “um pouco apreensiva”, mas “confiante”.

Em Gstaad, na Suiça, vive Clotilde Cardoso. A Valonguense passou recentemente por um problema de saúde que levou ao seu internamento. Por isso, já estava confinada em casa aquando das medidas que decretaram o isolamento. “Devido ao que me aconteceu, estou mais fraca, por isso, estou em casa e são as minhas amigas que vão fazer as minhas compras”.

Diz-se muito receosa por causa do seu estado de saúde até porque “há rumores de casos aqui onde moro” e muito preocupada com o que poderá vir acontecer, principalmente “a nível de saúde, mas também a nível da economia”.

Os portugueses com quem contacta também estão “muito” receosos. “A maioria trabalha nas limpezas e é muito complicado porque lidam com muita gente”, conta.

José Monteiro e a mulher trabalham no Conselho da União Europeia, em Bruxelas, Bélgica. Ambos estão a trabalhar a partir de casa. “O parlamento europeu decretou 100% de teletrabalho aos funcionários! Recolher obrigatório! Excepto alguns colegas de serviços técnicos e específicos”, conta.

O alfenense afirma que as autoridades belgas não estão a dar muito ênfase ao problema vírus.”Espero que seja estratégico para não alarmar as pessoas ou encher os hospitais por tudo e por nada”. Por seu lado, considera que a situação “não é para brincadeiras” e lamenta que “várias pessoas “em Portugal e até mesmo aqui não levam isto como um assunto sério e que esta situação estará por muitos meses”.

Manuela Moreira tinha viagem marcada para Portugal. Chegaria a Alfena esta quarta feira, 18 de março. “Foi adiada. Para já, marquei para novembro. Espero já poder ir nessa altura”.

Vive em Saarbrücken, Alemanha, onde desde esta segunda feira, está tudo encerrado. “O estado cancelou concertos, jogos que futebol e pediu que as pessoas não se juntassem, nem mesmo em encontros familiares”.

Manuela Moreira conta que o filho, que é trabalhador / estudante, já está a trabalhar a partir de casa e sem aulas. A valonguense, por enquanto, ainda se vai manter a trabalhar, bem como o marido.