Entrevista com Paulo Esteves Ferreira, vereador da Câmara de Valongo

Depois de termos entrevistado Manuela Duarte e Orlando Rodrigues, vereadora da Ação Social e da Educação, respetivamente, fomos ouvir Paulo Esteves Ferreira, vereador com o pelouro das obras, mobilidade e do desporto, entre outras responsabilidades.

Pode ler a entrevista ao Jornal Novo Regional.

Jornal Novo Regional: Ao fim de dois anos  de mandato, nestas funções, qual é o balanço que faz do seu desempenho?

Paulo Esteves Ferreira: Foram dois anos intensos, com muito trabalho, com muito prejuízo da vida pessoal e familiar, mas muito gratificantes. Concretizamos muitos projetos e temos muitos mais projetos em curso para passarem para a fase de construção. Infelizmente estamos num estado muito burocrático e tudo demora imenso tempo até se concretizar. Só para ter noção, desde que decidimos avançar com um projeto até o mesmo estar concluído, pode demorar 2 a 3 anos dependendo do prazo da obra. Os prazos legais dos procedimentos concursais são muito demorados e nós não fugimos a eles. Respeitamos o que a lei impõe. Para além disso está a acontecer algo que nunca tinha acontecido no mandato anterior que é os concursos que lançamos ficarem desertos, sem concorrentes. Isto acontece por haver muita construção e poucos recursos humanos.

JNR: À vista desermada, há um investimento muito grande na área da mobilidade?

PEF: Sim, temos construído novos passeios, alargado passeios existentes, alterado o acabamento do piso para que sejam mais seguros e inclusivos e realizado rebaixos nas passadeiras com pisos próprios para os invisuais. Já investimos alguns milhões mas continua ainda a faltar realizar muito. Recebemos em 2013 um concelho com muitas carências e uma câmara sem dinheiro e com uma elevada dívida e isso dificultou muito o nosso trabalho no primeiro mandato. Felizmente gerimos bem a escassez e trabalhamos bem este novo quadro comunitário. Fomos buscar dinheiro comunitário para podermos realizar obra.

JNR: Também tem a seu cargo a área dos fundos comunitários e do investimento. Sempre são mais de 20 milhões de euros que já conseguiram para Valongo?

PEF: Sim. De forma muito resumida: Contratualizamos cerca de 16 milhões no âmbito do Plano de Desenvolvimento Estratégico, que inclui a Oficina da Regueifa e do Biscoito em Valongo, a Oficina do Brinquedo em Alfena, a sede do Parque das Serras do Porto, vários projetos de reabilitação viária urbana e reabilitação de vários empreendimentos sociais. Contratualizamos mais quatro milhões de euros com o governo para a reformulação da Escola de Ermesinde. Vamos agora ter 2,5 milhões para a escola Vallis Longus, e já conseguimos 300 mil euros para a Escola Secundária de Valongo. Contratualizamos cerca de 1,5 milhões de euros ligados à eficiência energética, por isso sim, já conseguimos captar verbas superiores a 20 milhões de euros e só em 6 anos de governação.

JNR: Na prática este investimento todo é para ser concretizado até quando?

PEF: Até 2021. Há compromissos escritos assumidos. Já está realizado uma grande parte, outra parte será em 2020 e o que faltar passará para 2021.Mas este financiamento, quer do Estado quer da Comunidade Europeia, implica um esforço municipal muito grande. A câmara tem, normalmente, de assumir 15% e em alguns casos ultrapassa esse valor. Isto implica termos capacidade financeira para não perdermos estes financiamentos. Até agora temos conseguido e está a correr bem. Tão bem que na área metropolitana somos o município com melhor taxa de execução de projetos financiados.

JNR: Ainda tem a seu cargo as obras particulares e nota-se que há muita obra particular a aparecer no Concelho. Sente isso?

PEF: Não é um sentimento é uma certeza comprovada pelo número de processos de licenciamento que me passam pelas mãos. A nossa economia está melhor, saímos da austeridade que nos foi imposta e o nosso concelho tem sido procurado para promoção imobiliária. Há muita procura e pouca oferta, o que dá garantias de venda a quem quer investir no sector, mas também acarreta responsabilidades ao município e por isso é que temos vindo a embargar algumas obras. Somos amigos do investimento e dos investidores mas os licenciamentos e as regras têm de ser cumpridas. A lei tem de ser respeitada e não permitiremos ilegalidades. Quem construir de forma ilegal sofrerá as consequências.

JNR: E o desporto? É um dos seus pelouros e decidiu  apostar no slogan “Valongo Capital do Desporto Outdoor. A aposta tem resultado?

PEF: Não é fácil aferir se tem resultado ou não. A verdade é que pela nossa localização estratégica e condições naturais temos muita gente a visitar as nossa serras e a usufruir dos nossos circuitos. Temos um centro de Trail Running, um de BTT e um de trilhos equestres. Eu acho que o slogan está a entrar porque recentemente, numa entrevista para receber estagiários, a entrevistadora questionava os candidatos se conheciam as logomarcas do concelho e se sim, quais eram, e várias pessoas que não eram do concelho, nem daqui perto, achavam que o desporto era uma das marcas e em particular o desporto outdoor.

JNR: Os trails que a câmara apoia durante o ano também ajudam a promover esse slogan?

PEF: Sim, assim como o facto de termos um circuito interno composto pelos cinco trails que a câmara coorganiza com os clubes para aumentar o interesse e a competição. O desporto não é uma das logomarcas mas as Serras são e as nossas serras estão preparadas para receber essas atividades desportivas pois tem percursos devidamente sinalizados para que, quem queira praticar desporto nas nossas serras, o possa fazer em segurança, sem medo de se perder ou cair a um fojo.

JNR: Polémica tem sido a construção de uma plataforma logística nos Lagueirões, sendo que o tribunal veio dar razão à Associação de moradores o que me tem a dizer?

PEF: Digo três coisas: Não é uma plataforma logística mas sim um armazém cuja atividade será armazenagem e expedição de papel. Não há violação do PDM pois o mesmo permite a construção daquele armazém a quem foi exigido apuro arquitetónico para não ser um edifício com “quatro chapas ao alto”. A construção deste edifício tem como contrapartida a construção de uma variante que ligará o Alto da Serra à avenida dos Lageuirões por onde o trânsito será obrigado a passar, que irá ser muito importante para aquela zona mas também para quem vive no Susão, Quinta da Lousa e até Alfena.

JNR: O Executivo foi eleito pelo Partido Socialista. Dentro de dias vai acontecer o ato eleitoral para eleger o lider concelhio. Qual a sua posição?

PEF: Eu apoio um projeto de continuidade. O PS conquistou há seis anos atrás uma câmara que durante vinte anos foi do PSD com resultados visíveis para todos dessa governação. Um concelho que se resignou a ser um dormitório, sem identidade nem orgulho e que ninguém valorizava. Hoje em dia, para além de vários prémios que temos recebido em diferentes áreas somos reconhecidos e até dados como exemplo em várias áreas. Com projetos sociais, com projetos participativos, com projetos culturais, com ações ligadas à mobilidade, ao desporto, à capacidade de execução dos fundos comunitários. Eu acredito que estamos a fazer um bom trabalho e a tomar as melhores opções para promover o nosso território e para melhorar as condições do nosso concelho. Tivemos a maior vitoria desde o 25 de Abril nas últimas autárquicas, em termos de votos. Só não ganhamos a freguesia de Alfena mas também aí subimos bastante na percentagem de votos. Estamos empenhados em fazer um terceiro mandato para termos tempo de implementar projetos que consideramos serem importantes para o concelho. Quando sairmos teremos deixado um concelho muito melhor daquele que recebemos. Com obra feita e com muito menos dívida. Por isso não posso apoiar uma candidatura que não esteja alinhada com este projeto de continuidade. E é por isso que apoio e votarei no Ivo Vale Neves para presidir novamente a concelhia do partido.