Quando passam 36 ANOS DE CIDADE DE ERMESINDE o Jornal Novo Regional entrevistou Pedro Cunha, o presidente da Direção do Ermesinde 1936.
Justificado este destaque em forma de balanço de uma época em que o Ermesinde conseguiu trazer para a sala de troféus a Taça da AF Porto.
O balanço, as dificuldades, os anseios e os apelos na entrevista que se segue.
Jornal Novo Regional – Pedro Cunha, este é o primeiro ano de mandato à frente do Ermesinde 1936. Em jeito de balanço há naturalmente a vitória na taça da AF Porto, que foi ponto alto, não é? Mas há mais?
Pedro Cunha – Realmente a vitória na taça da AF Porto foi o ponto alto. Eu acho que o primeiro ano foi, sobretudo, uma continuidade a um trabalho que já tinha vindo a ser feito, foi consolidar algumas coisas que estavam a ser bem feitas e foi corrigir e melhorar outras coisas que eram necessárias fazer. Neste primeiro ano importante foi consolidar um bocadinho a parte financeira do clube, porque era algo que me preocupava e era algo necessário.
Portanto, esse foi, digamos, um dos grandes objetivos da minha candidatura, era a estabilidade financeira do clube. Do ponto de vista desportivo, como referiu e bem, o culminar com a vitória da Taça da AF Porto e conseguir assim o passaporte para a Taça de Portugal.
Houve algumas pequeninas alterações, quer a nível da formação, quer a nível orgânico do próprio clube, umas coisas ligeiras e o primeiro ano foi aquilo que eu sempre falei, quer com a estrutura, quer com a coordenação, quer com todas as pessoas que estão ligadas diretamente ao clube, que seria um ano de alguma consolidação e este ano será depois um avançar de todo este trabalho que foi desenvolvido.
Foi um ano muito duro, principalmente o início da época foi muito difícil, mas depois as coisas começaram a rolar e começaram a encaixar-se e as coisas foram fluindo.
JNR – Em relação à formação, continua a ser uma grande aposta do clube?
PC – Sim, a formação é a menina dos nossos olhos. Eu sou um homem do clube, fui atleta no clube, joguei cá há muitos anos. A minha vida é toda feita em Ermesinde porque eu e minha família somos de Ermesinde. Eu fui atleta do clube e, portanto, também devo muito do que sou à formação, porque os bons momentos que eu passei na minha juventude, grande parte deles foram no Ermesinde, que não pode ser visto só como um clube de futebol, é um clube que forma homens e mulheres para a vida. E essa também tem que ser sempre a nossa vertente, não podemos descurar isso. Porque nós sabemos que muitos dos nossos atletas que passam pelo clube não vão ser jogadores de futebol, mas sabemos que vão ser homens e mulheres na vida. E, portanto, nós temos esta componente formativa de passar valores e de permitir que os nossos jovens pratiquem desporto e que se divirtam e que bebam desses valores, que eu também bebi porque, felizmente, tive bons treinadores e bons diretores que me deram também bons valores.
JNR – E como foram os resultados da formação?
PC – Tivemos alguns escalões que foram campeões. Tivemos um bom comportamento a nível de todos, desde os sub-7 aos sub-19. Os sub-19 estiveram quase para ir à fase final para discutir a subir à primeira divisão. Tivemos há pouco, a consagração dos sub-7 campeões da série deles. Mas, pronto, num campo geral, a formação esteve relativamente bem. Mas queremos mais, o nosso objetivo é voltarmos a colocar alguns dos nossos escalões superiores na primeira divisão, sub-15, sub-17 ou sub-19.
JNR – Quantas equipas de formação têm em atividade?
PC – Neste momento temos um total de 21 equipas.
JNR – O que torna o Ermesinde uma máquina já difícil de gerir…
PC– Sim, é uma máquina grande de gerir, porque estamos a falar de cerca de 350 atletas, é muita gente. E não são só 350 atletas, são 350 atletas, é equipas técnicas, é staff, é gabinete médico… É, de facto, um desafio muito grande. Mas, felizmente, também temos um grupo de gente, de trabalhadores, os diretores de escalão, porque cada escalão tem o seu próprio diretor, e que fazem um trabalho brutal. Porque é um trabalho voluntário, é um trabalho gratuito, e fazem um trabalho brutal, o que nos ajuda muito e nos liberta, a nós da direção, de muito desse trabalho, porque é assegurado por eles, cada diretor de escalão assume as suas funções, a equipa técnica também.
JNR – Em relação aos séniores, para além da vitória na Taça, os objetivos no campeonato foram aqueles que estavam à espera?
PC – Sim. A primeira vez que reuni com o míster para o contratar, pedi-lhe que criássemos uma equipa para uma manutenção tranquila. Não havia mais nenhuma outra exigência do que esta, a manutenção tranquila, porque temos que ser, acima de tudo, realistas.
Obviamente que eu gostaria muito de ver o Ermesinde no campeonato de Portugal, porque a cidade merece, porque o clube merece, e é, efetivamente, voltar aos velhos tempos, mas temos de ser conscientes, temos de ser cautelosos, porque a nível financeiro é necessário, de facto, conseguir essa estabilidade para que, quando acontecer esse salto, as coisas sejam feitas consolidadas e que sejam com sustentabilidade.
Na época passa tivemos azar em alguns jogos, porque o Ermesinde mostrou um futebol bonito e muita gente nos dizia isto, que era uma das melhores equipas a jogar futebol da Liga, se não, até melhor. Tivemos azar em alguns jogos, como os dois com o Sousense ( que foi campeão), que perdemos mas jogamos claramente melhor. Criamos de facto uma boa equipa a jogar, muito bem e sendo uma equipa nova, não era expectável que logo no primeiro ano a equipa conseguisse esta ligação tão bonita. Isso aconteceu graças também de um trabalho da equipa técnica que fez um trabalho extraordinário, liderada pelo mister Ricardo Barros, que fez um trabalho brutal, é um ser humano extraordinário, um homem com capacidade de liderança ímpar e tudo isto fez com que a máquina trabalhasse bem, e, de facto, os objetivos dos séniores foram largamente superados.
JNR – O apoio dos adeptos é importante?
PC – Claro é muito importante esse apoio. Estão sempre presentes, seja nos séniores seja na formação. São sempre o nosso décimo segundo jogador. Acompanham-nos em casa, acompanham-nos fora, nós já temos tido recintos onde vamos jogar fora, em que há mais adeptos do Ermesinde do que os próprios adeptos da casa.
A massa adepta antes da Final da Taça uniu-se e criou um apoio financeiro, para suportar o estágio da nossa equipa, que foi inédito também, porque não é normal numa liga destas, uma equipa que não é profissional poder fazer um estágio, e este estágio foi suportado totalmente pela massa adepta que andou a bater porta a porta na cidade, patrocinadores, pessoas que quiseram ajudar…
JNR – o apoio dos patrocinadores é importante para o projeto?
PC – Claro que sim, nós temos aqueles apoios habituais ano após ano, e vamos tendo de vez em quando alguns novos, que vão acreditando no clube. Não lhe vou mentir, é verdade que o Ermesinde precisaria de mais apoios, e este também foi um dos meus grandes objetivos, nós sentíamos que a cidade se encontrava um bocadinho afastada do clube, e o clube da cidade.
Foi sempre também um dos grandes objetivos no nosso projeto de candidatura que foi tentar aproximar mais a cidade ao clube) e portanto foram também desenvolvidas algumas ações desde o início da época de forma a que o clube estivesse mais presente na cidade, nós estivemos presente na Noite Branca, nós estivemos presentes na Santa Rita, nós fizemos a nossa apresentação do clube na Expoval, no Parque Urbano, nós temos aqui algumas iniciativas elencadas para levar os nossos jovens a algumas instituições da cidade, quer do ponto de vista social, que possamos também estar perto, porque como lhe disse há pouco, o clube não pode ser visto só como um clube de futebol. Portanto, com esta aproximação, eu acredito que se vão abrir portas para algumas pessoas, nomeadamente no tecido empresarial, que possam querer vir ajudar.

JNR – Quantos associados tem neste momento a pagar?
PC -Não chega a 200 pagantes. Temos muitos mais, mas pagantes não temos mais do que isso, e que é francamente pouco. Estamos a falar de uma cidade com 40 mil habitantes e, portanto, o nosso objetivo é crescer exponencialmente o número de associados. Nós estivemos agora, felizmente, na Santa Rita, porque também fizemos essa campanha de angariação de novos sócios, e tivemos uma adesão até simpática de pessoas que se quiseram tornar sócios.
JNR – E em relação ao apoio das entidades oficiais, nomeadamente a junta de freguesia de Ermesinde e a Câmara Municipal de Valongo, como é que tem sido?
PC – É sempre menos do que nós queremos, É sempre, e eu acho que isso é transversal em todo o lado, as autarquias, quer a câmara, quer a junta, estão muito asfixiadas financeiramente, não tenho dúvida. Eu acho que não há má vontade, muito pelo contrário, quer da Junta, quer da Câmara.
Em relação à Câmara temos a questão do Estádio, que é municipal, e é a estrutura desportiva mais degradada do concelho de Valongo. Passam por aqui milhares de atletas, milhares de pais, mães, avós, por ano, de equipas de fora, que vêm de vários locais e a primeira coisa que encontram aqui é um estádio francamente degradado, em muitíssimo fracas condições, em algumas zonas com risco já, porque há risco de queda em algumas zonas do estádio. Aquilo que me foi prometido pela autarquia é que, seja com dinheiro da Câmara, seja com apoios particulares, seja com este estádio iria sofrer uma requalificação profunda, e portanto este é o grande apoio que eu espero que a câmara do Valongo venha a concretizar, já o assumiu, mas que venha a concretizá-lo, porque efetivamente esta estrutura tem que sofrer alterações urgentes, porque há riscos.
Organizamos alguns torneios e a junta também vai colaborando na medida dos possíveis.
A nível governamental, acho que o governo tem que olhar para o desporto de uma vez por todas de uma forma mais regional.
JNR – Se houvesse mais espaço, o Ermesinde poderia ter mais equipas em competição?
PC – Claro que sim, a grande aposta que eu acho que a formação deve ter, e não é no Ermesinde, mas será em todos os clubes, é nos escolas mais pequeninos, é aí que nós queremos, e temos tentado apostar o máximo nos pequeninos, desde os 6, 7 aninhos, para começarem a praticar desporto.
JNR – Finalmente, e em resumo, quanto à equipa sénior, qual vai ser a grande ambição?
PC – Vai continuar a ser a manutenção, embora eu saiba que as pessoas querem mais. O grande objetivo era, sem dúvida, a renovação do nosso míster, Ricardo Barros. É um homem que tem feito um trabalho brutal, em quem eu confio plenamente, é o que eu costumo dizer, é o meu míster e será sempre o meu míster. Esse foi o grande primeiro objetivo para a nova época, era conseguir a renovação dele, porque ele foi contactado por muitos clubes, mas aceitou ficar no Ermesinde, recusando clubes de níveis superiores. Identificou-se com o projeto, identificou-se com a massa adepta, identificou-se com tudo aquilo que lhe foi dado também ao longo da época.
Quanto aos jogadores, infelizmente que não conseguimos segurar um ou outro jogador, como o caso do Leandro, que era o nosso matado e também o Barreiro, que era um jogador imprescindível ali no meio campo, e que também vai apostar num nível acima, no Campeonato de Portugal e bem merece. Mas o grosso da equipa nós conseguimos renovar. Vamos ter algumas surpresas a nível de contratações, mas a seu tempo serão divulgadas. (na página oficial do Ermesinde 1936 já foram anunciadas algumas novidades).



