Bruno Silva, padeiro-mor, fala da atividade da Confraria, do Pão e da Regueifa de Valongo

Dia 6 de junho decorre o IX Capítulo da Confraria do Pão, da Regueifa e do Biscoito. Trata-se de um evento, incluído na Festa da Regueifa e já com tradição. A receção aos convidados e participantes será às 14h30 na Quinta das Olaias e a Cerimónia Capitular às 15h30m frente aos Paços do Concelho.
Para sabermos mais da Confraria do Pão, da Regueifa e do Biscoito, o Jornal Novo Regional ouviu o padeiro-mor Bruno Silva que nos fala do que tem sido feito e do que ainda há para fazer. A breve prazo a Confraria vai ter a tão desejada sede e a ambição é cativar mais pessoas, sobretudo os jovens, para esta causa.

O que é, afinal, a Confraria do Pão da Regueifa e do Biscoito de Valongo?
Muitas pessoas ainda associam uma confraria apenas à gastronomia ou a momentos de convívio, mas uma confraria é muito mais do que isso.
Uma confraria é uma associação cultural que tem como missão preservar, defender e divulgar tradições, produtos, costumes e património de uma determinada região. No nosso caso, trabalhamos diariamente para valorizar e promover três símbolos muito importantes da identidade valonguense: o Pão, a Regueifa e o Biscoito de Valongo.
Mas o nosso trabalho vai muito além da vertente gastronómica. Procuramos preservar tradições antigas, apoiar os produtores locais, divulgar a história do concelho e reforçar o orgulho das pessoas naquilo que é verdadeiramente nosso.
As confrarias funcionam também como embaixadoras culturais das regiões que representam. Sempre que participamos em capítulos e eventos pelo país, levamos connosco o nome de Valongo, a sua história e os seus sabores.

Este é já o seu terceiro mandato enquanto Padeiro-Mor. Que balanço faz deste percurso?
Faço um balanço muito positivo. Foram anos de trabalho, dedicação e crescimento da Confraria.
Conseguimos tornar a instituição mais ativa, mais próxima da comunidade e com maior notoriedade dentro e fora do concelho. Hoje sinto que a Confraria é mais dinâmica, mais respeitada e mais presente na vida cultural e gastronómica de Valongo.


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O que marcou particularmente os anos de 2025 e 2026?
Foram anos de enorme atividade e consolidação da Confraria.
Reforçámos significativamente a nossa presença no movimento confrádico nacional, participando em mais de duas dezenas de capítulos e encontros gastronómicos em diferentes pontos do país. Essa presença permitiu criar novas ligações com outras confrarias e afirmar cada vez mais a Regueifa e o Biscoito como símbolos identitários de Valongo.
Mas houve também um grande esforço para aproximar a Confraria da comunidade local e dar maior dinâmica à nossa atividade.
Participámos em eventos culturais e gastronómicos, festas populares, procissões, feiras e iniciativas comunitárias, procurando sempre representar Valongo com dignidade e orgulho.
Outro aspeto importante foi o crescimento da visibilidade da própria Confraria. Hoje sentimos que as pessoas conhecem melhor o nosso trabalho e valorizam cada vez mais os produtos tradicionais de Valongo.
Também tivemos presença mediática através de várias ações de divulgação cultural e gastronómica, ajudando a projetar a imagem da Confraria junto de públicos muito diferentes.

Para além da representação confrádica, que outras atividades desenvolveram?
Ao longo destes anos procurámos desenvolver atividades que aproximassem a Confraria da população e ajudassem a manter vivas as nossas tradições.
Realizámos workshops de Sopa Seca, pequenos-almoços tradicionais, atividades em escolas, ações pedagógicas com crianças e famílias, participação em concursos, feiras e diversos eventos culturais e gastronómicos.
Uma das grandes preocupações da Confraria tem sido precisamente a transmissão do conhecimento às novas gerações. Não basta preservar tradições; é necessário explicá-las, ensiná-las e criar ligação emocional entre os mais jovens e o património cultural de Valongo.
Também procurámos reforçar o espírito de união entre confrades e aumentar a participação dos nossos elementos nas diferentes atividades desenvolvidas.

Considera que a Confraria tem hoje maior visibilidade?
Sem dúvida. A presença constante em eventos, atividades públicas e ações mediáticas ajudou muito nesse sentido.
Hoje sentimos que a comunidade reconhece mais facilmente o trabalho da Confraria e percebe melhor a importância da Regueifa e do Biscoito enquanto património cultural e gastronómico de Valongo.

Um dos temas mais falados este ano é a nova sede da Confraria. O que representa esta conquista?Representa a concretização de um sonho com mais de 10 anos. Finalmente teremos uma sede própria, situada no antigo Posto de Turismo de Valongo, mesmo por baixo da Câmara Municipal. Será um espaço muito importante para o futuro da Confraria.

Que objetivos terá essa nova sede?
Queremos que seja muito mais do que apenas um espaço administrativo.
O nosso objetivo é criar um verdadeiro ponto de promoção turística e cultural de Valongo. Queremos que quem visite aquele espaço consiga compreender a importância da Regueifa e do Biscoito na história e identidade das gentes de Valongo.
Pretendemos igualmente que seja um espaço aberto aos nossos confrades produtores, permitindo-lhes divulgar e promover os seus produtos e criar uma maior ligação entre tradição, comunidade e turismo local.

A Confraria terá também presença na Oficina do Pão da Regueifa e do Biscoito?
Sim, e isso deixa-nos muito satisfeitos Conseguimos também garantir um espaço na Oficina do Pão da Regueifa e do Biscoito, onde ficará exposto o traje da Confraria, bem como informação sobre a nossa história, missão e tradição.
É mais um passo importante para reforçar a presença pública da Confraria e preservar a nossa identidade.

Quer deixar algum agradecimento especial?
Naturalmente. Em nome da Confraria e de todos os confrades, quero agradecer ao Município de Valongo e, em especial, ao presidente Eng. Paulo Ferreira, pela cedência destes espaços.
Era um desejo antigo da Confraria e sentimos que esta decisão representa reconhecimento pelo trabalho que temos vindo a desenvolver ao longo destes anos.

Este é também o último ano de mandato da atual Direção. Que mensagem gostaria de deixar?
Acredito sinceramente que o trabalho realizado foi muito positivo e ajudou a fortalecer a Confraria.

Mas as associações vivem da participação, das ideias novas e da renovação. Por isso, gostaria de deixar um apelo a todos os confrades para que participem ativamente no futuro da instituição, apresentando listas, projetos e novas ideias para continuar este trabalho.

E que mensagem gostaria de deixar à comunidade Valonguense?
Gostaria de convidar toda a comunidade a aproximar-se da Confraria, participar nas nossas atividades e considerar juntar-se a nós enquanto confrade.
A Confraria pertence às pessoas, às famílias, aos produtores e a todos aqueles que valorizam as tradições e o património cultural de Valongo.
Precisamos de novas gerações, novas ideias e de pessoas que queiram ajudar a preservar, promover e continuar aquilo que é verdadeiramente nosso.