Rota do Branqueamento: PJ conclui investigação de esquema de 41 milhões que passava pelo Grande Porto

A Polícia Judiciária (PJ), através da Diretoria do Norte, deu por concluído e remeteu ao Ministério Público o inquérito que desmantelou uma poderosa organização criminosa transnacional. O grupo, controlado por cidadãos estrangeiros, utilizava o sistema bancário português para “lavar” montantes astronómicos de dinheiro, tendo como um dos seus centros nevrálgicos a Zona Industrial da Varziela, em Vila do Conde.

Este desfecho surge quase um ano após a operação policial de grande escala (maio de 2025), que mobilizou 110 inspetores e revelou uma estrutura de “colarinho branco” com uma eficácia operacional impressionante.

O Esquema: Como funcionava a “Lavandaria” (TBML)

A organização utilizava um método conhecido como Trade Based Money Laundering (TBML). Em termos simples, o grupo dissimulava a origem ilícita de capitais através de transações comerciais fictícias.

  1. Recolha: O numerário (dinheiro vivo) era recolhido sistematicamente em estabelecimentos comerciais.
  2. Injeção: O dinheiro era depositado em contas de “sociedades de fachada”, geridas por “testas de ferro” com identidades falsas.
  3. Simulação: Através de faturação falsa, simulavam a compra e venda de mercadorias.
  4. Exportação de Capitais: O dinheiro limpo era transferido para o estrangeiro, com destino principal à República Popular da China.

Os Números Impressionantes da Investigação

A dimensão financeira deste grupo coloca esta investigação como uma das mais relevantes dos últimos anos no combate à criminalidade económico-financeira.

IndicadorDados Apurados / Apreensões
Fluxo Financeiro AnalisadoMais de 41 milhões de euros (apenas no período recente)
Dinheiro Vivo Apreendido1.564.715,00 € (grande parte na Varziela)
Buscas Realizadas25 (Vila do Conde, Póvoa de Varzim, Gaia e Esposende)
Arguidos19 (individuais e empresas)
Veículos de Luxo4 viaturas de gama elevada apreendidas
Contas Bancárias25 contas arrestadas

Hierarquia e Divisão de Tarefas

A PJ identificou uma “cadeia de comando” rigorosa, onde nada era deixado ao acaso. A organização estava dividida em departamentos específicos:

  • Logística de Numerário: Equipas dedicadas apenas à recolha e depósito de dinheiro.
  • Gestão Documental: Especialistas na criação de faturas e documentos comerciais falsos.
  • Controlo de “Testas de Ferro”: Gestão de pessoas que davam o nome pelas empresas fantasma.

Situação Processual dos Detidos

Dos quatro detidos na operação original (realizada a 5 e 6 de maio de 2025), o cenário judicial atual é o seguinte:

  • 3 arguidos: Mantêm-se em Prisão Preventiva (a medida de coação mais grave).
  • 1 arguido: Sujeito a apresentações periódicas e proibição de contactos.
  • Restantes: 19 arguidos (singulares e coletivos) aguardam o desenrolar do processo.

O inquérito, agora remetido ao DIAP Regional do Porto, segue para a fase de acusação, encerrando um capítulo importante no combate ao branqueamento de capitais que utilizava o tecido empresarial do Norte do país como escudo.


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