Os Filhos da Pauta esgotam Centro Cultural de Alfena com celebração do 25 de Abril

A noite de sábado, 3 de maio, ficou marcada pela celebração da Revolução dos Cravos no Centro Cultural de Alfena, com o auditório completamente lotado para assistir à atuação da Associação Os Filhos da Pauta. O espetáculo, adiado por motivo de luto pela morte do Papa Francisco, reuniu música, memória e reflexão sobre a liberdade e a democracia.

Sob a direção de Diamantino Gomes, presidente da associação, a atuação percorreu o cancioneiro português, com especial destaque para músicas de intervenção, cante alentejano e canções em mirandês, acompanhadas por cavaquinhos, violas, acordeões, teclas e instrumentos improvisados, numa performance que contou com o apoio musical do Professor Alfredo Fernandes.

A cerimónia contou com a presença de várias entidades oficiais. O vice-presidente da Câmara Municipal de Valongo, Paulo Esteves Ferreira, enalteceu os avanços alcançados com o 25 de Abril, destacando melhorias nas áreas da saúde pública, educação e condições de vida, reforçando a importância da liberdade de expressão, mas distinguindo-a do insulto gratuito. Pelo que, defende, “é preciso continuar a trabalhar, como até aqui, junto dos jovens”. Aproveitou para salientar o papel das Associações na construção da Democracia, salientando o exemplo concreto d’Os Filhos da Pauta.

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Neste sentido, o presidente da Junta de Freguesia de Alfena, Luís Miguel Caetano, também presente, sublinhou a relevância do trabalho realizado no pós-revolução e o impacto positivo nas comunidades locais, destacando o trabalho das coletividades, parabenizando Diamantino Gomes, nesse sentido.

O representante da Confederação Portuguesa das Colectividades, Adelino Soares, frisou o papel essencial das associações populares para a democracia, destacando o crescente envolvimento das mulheres. E Joana Ribeiro Fitas, da Associação das Colectividades do Concelho de Valongo, apontou as associações como espaços de cidadania ativa, onde se constrói pensamento crítico e sentido de comunidade, essenciais para a construção do futuro.

O espetáculo contou ainda com momentos de dança tradicional, com a participação especial de dois pares do Rancho Etnográfico de Vila das Aves. Mas o ponto alto da noite foi a interpretação final de “Grândola, Vila Morena”, de Zeca Afonso, acompanhada por gaitas de foles, e com o público em pé, a cantar em uníssono, num verdadeiro tributo à liberdade.

A apresentação esteve a cargo de Elsa e Albino, que proporcionaram momentos de reflexão através das intervenções de duas gerações nascidas em liberdade: Rodrigo, de 15 anos, alertou para os riscos dos discursos populistas e a importância de manter uma postura crítica, enquanto Vasco, de apenas 9 anos, celebrou a liberdade de expressão com a espontaneidade da infância: “Posso falar sem me policiar… só às vezes, quando quero convencer a minha mãe.”


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