Eleição do novo Papa: como funciona o Conclave e quem são os nomes mais falados para suceder Francisco
Com a morte do Papa Francisco esta segunda-feira, 21 de abril, devido a uma pneumonia bilateral, inicia-se oficialmente o período de Sede Vacante na Igreja Católica. O funeral do pontífice está agendado para dia 30 de abril, e o Conclave — assembleia que elegerá o novo chefe da Igreja — deverá começar a 6 de maio, podendo ser adiado até um máximo de 20 dias após a morte, conforme prevê a Constituição Apostólica Universi Dominici Gregis, de 1996.
Como funciona o Conclave?
A eleição realiza-se na Capela Sistina, no Vaticano, com a participação exclusiva dos cardeais com menos de 80 anos. O número máximo de eleitores permitido é de 120, e todos devem manter absoluto sigilo durante o processo, sob pena de excomunhão. Não podem comunicar com o exterior, aceder a redes sociais ou conceder entrevistas. O voto é secreto, depositado numa urna, e requer-se uma maioria de dois terços para que um cardeal seja eleito Papa.
Após a escolha, é feita a pergunta: “Aceita sua eleição como Sumo Pontífice?”, seguida de “Com que nome deseja ser chamado?”. O anúncio oficial ao mundo dá-se na sacada da Basílica de São Pedro, com a tradicional proclamação “Habemus Papam” e a apresentação pública do novo Papa.
Os favoritos à cadeira de Pedro
A plataforma Cardinalii Collegii Recensio, identifica os seguintes nomes como os mais prováveis sucessores:
- Péter Erdő (Hungria) – Teólogo conservador, defensor da hierarquia tradicional da Igreja e opositor da união homossexual.
- Matteo Zuppi (Itália) – Próximo do Papa Francisco, progressista e defensor do diálogo com comunidades LGBTQIA+.
- Robert Sarah (Guiné) – Próximo do Papa emérito Bento XVI, é uma figura tradicionalista com posições firmes contra reformas morais.
- Luis Antonio Tagle (Filipinas) – Conhecido como o “Francisco Asiático”, é carismático, ecológico e progressista.
- Fridolin Ambongo Besungu (R.D. Congo) – Arcebispo combativo nas causas sociais, com forte voz política no continente africano.
- Pierbattista Pizzaballa (Itália) – Patriarca Latino de Jerusalém, com experiência no diálogo inter-religioso e em zonas de conflito.
- Pietro Parolin (Itália) – Secretário de Estado do Vaticano, diplomata experiente, mas criticado por falta de contacto pastoral.
- Willem Eijk (Países Baixos) – Ortodoxo em matérias de bioética, opõe-se firmemente ao aborto e à eutanásia.
- Charles Bo (Myanmar) – Figura mediática e desportiva, aposta no discurso da moderação.
- Jean-Marc Aveline (França) – Cauteloso, defende a descentralização da Igreja.
- Anders Arborelius (Suécia) – Protetor do meio ambiente e defensor do celibato sacerdotal.
Portugal na corrida
Dos seis cardeais portugueses, quatro têm direito de voto neste Conclave:
- D. Américo Aguiar – Natural de Leça do Balio, Matosinhos, é o mais jovem dos cardeais portugueses. Destacou-se na organização da Jornada Mundial da Juventude e tem formação em Comunicação. Atualmente, é Bispo de Setúbal.
- D. José Tolentino Mendonça – Prefeito do Dicastério para a Cultura e Educação. Madeirense, poeta e teólogo, é tido como próximo de Francisco e goza de prestígio académico internacional.
- D. Manuel Clemente – Patriarca emérito de Lisboa e antigo Bispo do Porto. Intelectual respeitado, foi nomeado cardeal em 2015. Enfrentou o processo doloroso de resposta aos abusos sexuais dentro da Igreja em Portugal.
- D. António Marto – Bispo emérito de Leiria-Fátima, natural de Braga, conhecido por ter acolhido duas visitas papais ao Santuário de Fátima. Com 77 anos, é o mais velho dos eleitores portugueses.
Entre os portugueses, destaca-se o nome de Tolentino de Mendonça, apontado como o mais próximo da linha reformista de Francisco, o que pode ser uma vantagem num Conclave dividido entre tradicionalistas e progressistas.
A escolha que definirá o futuro da Igreja
Este será um dos conclaves mais decisivos da história recente. Em tempos de crise de vocações, escândalos internos e tensões entre visões conservadoras e progressistas, a escolha do próximo Papa poderá definir não só o rumo doutrinal da Igreja, como também a sua relevância geopolítica e espiritual nas próximas décadas.
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