Vereadora Manuela Duarte, fala de ações desenvolvidas pela Câmara de Valongo
A freguesia de Ermesinde é aquela do concelho de Valongo onde a questão dos sem-abrigo é mais preocupante.
Segundo o levantamento feito pelo Jornal Novo Regional, havia, no momento da reportagem, quatro sem-abrigo na Rua Rodrigues de Freitas, mais dois junto à Igreja e um outro no túnel da Estação.
O JNR ouviu uma das pessoas nesta situação,
Bernardino Moreira, de 67 anos, está há dois anos nesta situação na Rua Rodrigues de Freitas. Diz ele que “a minha vida começou a correr mal depois de uma zanga com a minha mulher”.
Este senhor continua casado, embora diga que “tenho tentado o divórcio, mas não consigo. Ela continua a viver na Gandra, mas nem atende nem fala comigo”.
Acerca da sua situação diz que “de vez em quando vêm cá umas senhoras, mas até agora não consegui nada. Tem sido difícil, o frio e a chuva têm sido um problema”.
Este homem tem tido alguma ajuda de um comerciante próximo “às vezes ajudo a carregar umas coisas e ele apoia-me. Tenho de ir vivendo”. Diga-se que Bernardino tem dois filhos.
Com Bernardino, estão no local outras três pessoas, outro português, um colombiano e um peruano. Não querem falar com o Jornal e dizem apenas que “precisamos que nos ajudem”.
Duas senhoras que também estiveram algum tempo naquele local, conseguiram arranjar alternativa.
O Jornal Novo Regional ouviu dois vizinhos na Rua Rodrigues de Freitas. Ambos disseram que esta situação é inadmissível e que “causa preocupação na vizinhança e não é bonito. Há uns meses atrás havia barulho excessivo à noite, situação que felizmente já não acontece. ”.
Vereadora Manuela Duarte fala da ação da Câmara de Valongo
O JNR questionou Manuela Duarte, vereadora da Ação Social da CM Valongo, sobre este assunto.
Na resposta, Manuela Duarte, enviou ao JNR algumas informações sobre o trabalho técnico e social do Concelho de Valongo.
Diz a vereadora que “o fenómeno das Pessoas em Situação de Sem-Abrigo é incontornavelmente uma realidade da sociedade atual. Infelizmente, o concelho de Valongo não é exceção e confirma-se esta realidade um pouco por todo o concelho, com particular incidência na freguesia de Ermesinde. Todas as Pessoas em Situação de Sem-Abrigo estão identificadas e são acompanhadas pelo Serviço de Atendimento e Acompanhamento Social do Município de Valongo, não estando desprovidas de apoio, porém, como sabemos, o problema da habitação é estrutural. Algumas das pessoas já estiveram integradas em respostas de acolhimento social e outras, por várias razões, recusam liminarmente essa integração, o que esbarra com a capacidade de atuação dos serviços, porque a autodeterminação das pessoas é soberana.
Não obstante, o Município reconhece preocupação com esta situação e tem desde maio de 2024, um grupo de técnicos da autarquia e de outras entidades concelhias, a trabalhar sobre esta problemática em estreita relação com as pessoas que vivenciam a condição de sem-abrigo. Portanto, a partir da auscultação destas pessoas, foi elaborado o Diagnóstico Social, trabalho que levou à conceção de duas respostas, de momento em processo de execução, dirigidas a esta população em situação de grande vulnerabilidade e exclusão social:
Centro de Recursos para a Inclusão Social (CRIS) – resposta integrada, que promove a autonomia e respeita a autodeterminação das pessoas, através da disponibilização dos seguintes serviços: higiene pessoal, tratamento de roupa, cabeleireiro/barbearia, acesso à correspondência e cacifos individuais para armazenamento de bens e pertences.
Espaço para pernoita – De parceria com uma Instituição do Concelho, está a ser elaborado um projeto para pernoitarem”.
Outra medida enunciada por Manuela Duarte, refere que, o Município de Valongo, numa ação concertada com o Instituto da Segurança Social e a Cruz Vermelha Portuguesa Delegação Gondomar/Valongo, tem desde dezembro de 2021, três apartamentos partilhados, em empreendimentos de habitação social, com capacidade para 11 pessoas em situação de sem-abrigo.
Texto e Foto:
Agostinho Duarte



