Fátima: Equipa presidida pelo padre de Sobrado, António Pereira, eliminou o Ac. Viseu da primeira liga

O presidente do Centro Desportivo de Fátima, que eliminou o primodivisionário Académico de Viseu da Taça de Portugal de futebol, confessou hoje à Lusa que a vitória resulta de um “milagre” e de “muito trabalho”.

O padre António Pereira, cuja ligação ao clube já leva 56 anos, não pôde assistir ao jogo, por estar a trabalhar, mas admitiu ter ficado surpreendido com a vitória do Fátima, que disputa o Campeonato de Portugal, quarto escalão do futebol luso.

O padre António Pereira nasceu na Lomba, Sobrado, Valongo, no dia 30 de outubro de 1943, está por isso quase a completar 83 anos de idade,


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“Fui acompanhando o resultado pelo telemóvel, conforme pude. Quando vi já quase no final o 1-0… meu Deus, isto é um autêntico milagre”, relatou o que pensou naquele momento.

O Fátima bateu o Académico de Viseu, por 1-0, com o golo que valeu o apuramento a ser apontado por Lucas Russo, já perto do final da partida.

“Logicamente falando, os milagres acontecem sem necessariamente serem sobrenaturais. Houve uma boa preparação por parte a equipa técnica para mentalizar aquela rapaziada, que é muito jovem, e prepará-los para um embate que saiu bem”, destacou.

Apesar de o Fátima ter eliminado o FC Porto da Taça da Liga, em 2007, após a marcação de grandes penalidades, António Pereira não acreditava que esta equipa conseguisse vencer o Académico de Viseu.

“Não pensava minimamente nisso. Estava descontraído, à espera de um resultado volumoso. Quando vi o resultado, pensei: isto é um autêntico milagre. Claro, fiquei satisfeitíssimo, até porque tínhamos perdido o último jogo com Os Nazarenos, que estava em último lugar do campeonato”, acrescenta.

Para o presidente, “eliminar uma equipa da I Liga é de outro mundo”, mas afirmou que lhe contaram que “a equipa bateu-se bem”.

Esta foi a primeira vez que o Fátima eliminou uma equipa da I Liga na Taça de Portugal e o desejo é que o sorteio lhes coloque uma equipa acessível para continuarem na prova.

“Prefiro um adversário mais fácil para termos mais uma vitória, porque milagres não acontecem todos os dias. O ideal era calhar-nos alguém do nosso campeonato e em casa para conseguirmos arrecadar mais algumas verbas, que nos dão jeito”, revelou.

Com uma vitória e um empate em cinco jogos, António Pereira assumiu que o objetivo da época é a manutenção no Campeonato de Portugal.

“Sabemos que não temos hipóteses para subir, porque as nossas possibilidades são insuficientes. Mas, estamos no campeonato para lutar pelo melhor resultado e o que vier, vem”, garantiu.

O dirigente sublinhou que não pretende “investir de maneira nenhuma” para ser candidato à subida, uma vez que situações de investimentos no passado continuam presentes. “Já passámos por lá e as feridas continuam. Não vale a pena. Se vier outro mais corajoso do que eu, que o faça”, disse.

Depois da euforia, António Pereira alertou para a necessidade de ter os pés bem assentes no chão para a próxima partida frente ao Sertanense, a contar para a sexta jornada da série 3 do Campeonato de Portugal.

Também o treinador Nuno Kata, em conferência de imprensa, deixou claro a necessidade de refrear os ânimos.

“Precisamos de pontos no campeonato. Estamos a jogar bem e a praticar um bom futebol, mesmo no nosso campeonato, mas não estamos a traduzir em vitórias e em golos”, observou.

Sem vitórias, a equipa não será “valorizada, pois o futebol é golos, ganhar e somos pontos”, acrescentou.

“Precisamos disso [vitórias] urgentemente e eles têm de ter essa consciência daqui para a frente”, reforçou Kata, que analisou que a derrota com Os Nazarenos aconteceu porque a “equipa não esteve ligada e estava com a cabeça no Académico de Viseu”.

Texto Lusa
Foto Médio Tejo