Valongo 2026: PAN critica “orçamento de continuidade” e reclama autoria de medidas-chave

O orçamento municipal de Valongo para 2026, aprovado recentemente em Assembleia Municipal com um valor recorde de 119.950.000 €, está sob fogo cruzado. A Comissão Política Concelhia do PAN (Pessoas-Animais-Natureza) reagiu duramente ao documento, classificando-o como um plano que “não serve os valonguenses” e que hipoteca o investimento em infraestruturas básicas em favor de “obras de fachada”.

Para o PAN, a grande “pedra no sapato” deste orçamento é o reforço de 5,8 milhões de euros na obra da Casa da Democracia Local, um investimento que o partido considera retirar fôlego a necessidades urgentes como creches, lares e a manutenção da rede viária.

O “Efeito PAN”: Ideias adotadas, mas sem voz?

Apesar de não ter assento direto na Assembleia Municipal, o PAN reclama uma vitória moral. O partido sublinha que várias medidas incluídas neste orçamento foram propostas por si no passado e inicialmente rejeitadas pelo PS.


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Medida no Orçamento 2026Origem (segundo o PAN)
Parque de MatilhasProposta PAN rejeitada em 2025; agora considerada “viável”.
Corredor do Rio FerreiraSugerido pelo partido no ano anterior.
Parque de CampismoMedida defendida pelo PAN nas últimas autárquicas.
Laboratório de InsetosCausa ambiental defendida pela estrutura local.
Apoio ao Sem-Abrigo (CRIS)Reforço de bens essenciais defendido ao longo dos anos.

“Mesmo sem voz [na Assembleia], as causas do partido avançam. É o efeito PAN em Valongo: o PS primeiro rejeita, depois inclui no orçamento”, refere a nota de imprensa.

As Críticas: Do Aterro de Sobrado ao “Valongo 2.0”

O PAN aponta o dedo àquilo que considera serem as grandes ausências e falhas da estratégia do novo executivo:

  • Aterro de Sobrado: Críticas pela falta de soluções novas para reduzir o impacto dos resíduos urbanos e industriais.
  • Gestão do Arvoredo: O partido denuncia “podas agressivas” e falta de meios financeiros e técnicos nas freguesias para cumprir a lei da gestão de arvoredo urbano.
  • Causa Animal: O PAN considera que o CROA (Centro de Recolha Oficial) continua a ser insuficiente, não tendo espaços adequados para gatos.
  • Valongo 2.0: A estratégia de tornar Valongo a “Capital do Turismo de Natureza” é vista como irrealista. O partido questiona como pode o concelho competir com o Gerês ou a Serra da Freita, defendendo que a prioridade devia ser a recuperação da fauna e flora e não o seu uso turístico.

O “Mapa” da Aprovação

O orçamento não reuniu consenso total, evidenciando divisões mesmo entre as freguesias:

  • A FAVOR: PS, Presidente da Junta de Campo e Presidente da Junta de Ermesinde.
  • ABSTENÇÃO: PSD, Chega, CDS, IL, CDU e Presidente da Junta de Alfena.
  • CONTRA: Presidente da Junta de Sobrado e Presidente da Junta de Valongo.

O PAN conclui que Valongo está “parado e à deriva”, prometendo manter-se atento a uma legislatura que, na sua visão, será “mais do mesmo”, pecando pela falta de uma estratégia social e natural equilibrada.


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