Assembleia Municipal de Valongo aprova Plano e Orçamento com dois votos contra

Decorreu no dia 5 de fevereiro a segunda parte da sessão da Assembleia Municipal de 26 de fevereiro e que incluía na ordem de trabalho apenas a discussão e votação do Plano e Orçamento para 2026. Recorde-se que este plano e orçamento está orçado em 120 milhões de euros (ler noticia aqui https://www.jornalnovoregional.pt/2026/01/valongo-aprova-orcamento-de-120-milhoes-para-2026-investimento-recorde-em-escolas-e-saude/)

Os documentos foram aprovados, com dois votos contra, da presidente da Junta de Sobrado, Ana Lourenço e do presidente da Junta de Valongo, Ivo Vale Neves, votos favoráveis do PS, representante do PJ de Ermesinde, Bruno Ascenção e presidente da Junta de Campo, José Manuel Carvalho. Abstiveram-se o PJ de Alfena, Arnaldo Soares e os eleitos das restantes forças politicas, PSD, Chega, CDS, CDU e IL.

Nos discursos de justificação da votação, Catarina Lobo do PS, caracterizou este documento como de continuidade de uma mudança positiva tendo as pessoas como prioridade.
Já para Rui Abreu do PSD, a abstenção do PSD não é um voto de confiança e referiu-se ao crescimento residual de receitas e ao que considerou de “gestão à vista”. Rui Abreu questionou ainda sobre a obrigação da Câmara de Valongo com os STCP.
Sónia Sousa da CDU manifestou reservas quanto à concretização dos projetos para habitação e recuperação de escolas e disse que há áreas menos focadas como a da mobilidade.
Luís Filipe Rebelo, da Iniciativa Liberal, defendeu um acompanhamento da AM às obras da Casa da Democracia e disse que faltam reformas estratégicas de despesa municipal, bem assim como uma maior ambição económica.
Para Ana Lourenço, presidente da Junta de Sobrado (recorde-se que votou contra), falou da falta de abordagem no documento da requalificação de passeios e arruamentos e da falta de compromisso para a ampliação do cemitério. Disse ainda que, caso haja inversão de prioridades saberá reconhecer essa inversão. Antes a autarca de Sobrado, eleita nas ultimas eleições referiu-se à dificuldade de gestão, queixando-se da anterior gestão que não deixou condições de trabalho nem disponibilidade financeira.
Para Arnaldo Soares, presidente da Junta de Alfena, (absteve-se), queixou-se da falta de auscultação da junta na elaboração do plano e e falou do mau estado de ruas e passeios.
Este autarca afirmou que poderia prescindir do investimento previsto no edifício sede da Junta de Freguesia, com a canalização de parte desse investimento para melhorar ruas e passeios. Disse ainda que as escolas precisam de um intervenção, já que, afirmou “estamos a perder alunos para a Maia e Santo Tirso”.
Ivo Vale Neves, presidente da Junta de Valongo eleito pelo PS, justificou o voto conta, com a falta de inclusão no Plano de várias sugestões dadas pela Junta. Estão neste caso a aquisição de um terreno junto ao corredor ecológico, que serviria para aí ser colocada a feira semanal e parque de estacionamento. Outro projeto não atendido foi a aquisição da casa da família Cruz, na Praça Machado dos Santos. O autarca defende a instalação nesse local de um núcleo museológico de Hóquei em Patins, já que foi nessa casa o balneário da ADV quando funcionava o ringue na Praça Machado dos Santos. Ivo Neves queixou-se ainda das transferências para as juntas, que não são as suficientes e também da falta de referência no Plano do alargamento do cemitério. Aliás sobre este assunto disse que “palavra dada, palavra honrada, o que não se verifica neste caso”.
Mário Rui Monteiro do CDS, afirmou ter receio que a Câmara não tenha capacidade para cumprir com as juntas de freguesia.
Bruno Ascensão, em representação da Junta de Ermesinde referiu que, apesar do voto favorável, a Junta de Ermesinde não é um braço armado da Câmara Municipal, tendo algumas questões a resolver.

Nas respostas aos deputados, o presidente da Câmara de Valongo, Paulo Esteves Ferreira começou por dizer que há uma continuidade e que o orçamento está consignado por obras que estão curso.
Sobre os STCP o presidente da Câmara também manifestou alguma preocupação defendendo que os encargos com os STCP não deveriam ser assumidos só pelos municípios, a exemplo do Metro, CP e mesmo rede UNIR. O encargo do Município de Valongo chega aos 2,4 milhões de euros, defendendo Paulo Ferreira que esse valor desça.
O autarca falou do objetivo da Câmara em criar condições para que a habitação para a classe média com valores de arrendamento 40% abaixo do mercado seja possível e em aumentar os lugares de creche, também importante para a classe média.
Paulo Ferreira refere confiar no governar e afirmou ter esperança em que avancem as anunciadas linhas de financiamento para arruamentos, habitação, zonas industriais e para a componente não elegível dos programas comunitários.
Acerca das reivindicações dos presidentes de Junta, Paulo Esteves Ferreira afirmou que foi eleito para cumprir os seus compromissos, embora respeite os compromissos dos presidentes de Junta. O autarca referiu o aumento das transferências para as juntas superior à inflação, “o que não acontece com todos os municípios”.
Em relação às pretensões da Junta de Valongo afirmou estar de acordo com elas, mas que não há possibilidade de as incluir no Orçamento porque há verbas consignadas e compromissos assumidos.
Acerca do cemitério, Paulo Ferreira referiu que o compromisso não foi com ele e que foi pena não ter sido realizado logo. “Mas estamos cá para ajudar”, referiu o autarca.
Paulo Ferreira abordou ainda outras questões como a aposta no turismo de natureza, como sendo um aspeto da revolução e aposta no Valongo 2.0.

Texto ADR
Foto retirada do vídeo facebook da CMV