O heliporto do Hospital Pedro Hispano (HPH), em Matosinhos, encontra-se encerrado desde o passado dia 19 de fevereiro. A decisão de suspender a atividade partiu da Unidade Local de Saúde de Matosinhos (ULSM), após uma inspeção da Autoridade Nacional de Aviação Civil (ANAC) ter detetado riscos significativos para a segurança das operações de aterragem e descolagem.
Obstáculos e novas normas internacionais
A interdição da infraestrutura baseia-se num relatório técnico que aponta a existência de obstáculos críticos nos canais de aproximação. Entre os problemas detetados encontram-se árvores de grande porte em propriedades privadas vizinhas e linhas de alta tensão da empresa E-Redes.
A situação agravou-se devido à atualização das normas da Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO). Anteriormente, os ângulos dos canais de aproximação permitidos eram de 8%, mas as regras atuais são mais restritivas, exigindo um ângulo de 4,5%. Com esta alteração, os obstáculos existentes tornaram-se impeditivos para a certificação do heliporto de superfície.
A solução: Um heliporto elevado
O relatório da gestão de risco da ULSM sublinha que não é possível alterar a orientação dos canais de voo devido à envolvente urbana do hospital. Como alternativa viável, os especialistas sugerem a construção de um heliporto elevado, com uma altura aproximada de 10 metros. Esta solução permitiria “sobrevoar” os obstáculos atuais e cumprir as novas exigências técnicas de inclinação.
Impacto na emergência médica
Apesar de o heliporto ter uma utilização considerada residual pela ULSM para doentes diretos do HPH — em 2025 registaram-se cerca de 90 voos —, a infraestrutura é estratégica para a Área Metropolitana do Porto. O local serve frequentemente de ponto de receção para doentes graves cujo destino final são os hospitais de São João ou Santo António.
Rui Lázaro, presidente do Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH), alertou para as consequências deste encerramento:
- Aumento do tempo de transporte: O desvio para outros locais pode atrasar a assistência a doentes críticos.
- Risco acrescido: Operar em locais não certificados ou com obstáculos aumenta a probabilidade de incidentes.
- Fator tempo: Na emergência médica, “um minuto pode ser determinante para salvar uma vida”.
Coordenação entre entidades
A administração da ULSM, liderada por António Taveira Gomes, confirmou que a suspensão é temporária enquanto se aguarda o resultado final de um levantamento topográfico detalhado. Todas as entidades envolvidas, incluindo o INEM, o CODU, a Proteção Civil de Matosinhos e os Bombeiros Voluntários de Leixões, foram formalmente notificadas para ajustar os protocolos de transporte de doentes helitransportados na região.


