Associativismo em Valongo 20: O Poder de Pertencer: A Associação como Casa Comum

Por: Joana Ribeiro Fitas*

O ser humano passa a vida à procura de um lugar, de um espaço emocional onde se sinta seguro, validado e parte de um todo. O sentimento de pertença é uma necessidade. É a certeza invisível de que a nossa presença faz falta.
Mas o que é que define este sentimento. O que é que nos faz sentir, verdadeiramente, em casa?
Tive a resposta a esta pergunta, da forma mais bonita possível, nos últimos dias. Durante o I Encontro de Cantares de Janeiras, em Sobrado, organizado pelo Rancho Folclórico de Santo André, não ouviram o meu cargo ou um protocolo frio, tendo sido apresentada como “alguém da casa”. O mesmo abraço invisível tenho sentido nas diferentes coletividades, onde o acolhimento é tão afetuoso que as barreiras formais desaparecem no primeiro minuto.
Estes momentos lembram-nos que as associações são a ferramenta mais poderosa de integração social que possuímos. Particularmente importante em tempos de mudança.
As nossas freguesias acolhem hoje novos rostos, novos sotaques, pessoas vindas de outras geografias ou contextos sociais difíceis. A grande questão que se coloca é: como convivermos todos juntos? Como evitamos que se criem muros invisíveis entre “os de cá” e “os de fora”?
A resposta está na vida associativa. A integração não se faz por decreto, faz-se na prática. Numa sala de ensaio, num campo de jogos ou na organização de um evento, as etiquetas sociais dissolvem-se. Quando vestimos o traje do rancho, a camisola do clube ou o avental da cozinha da associação, somos todos iguais. Ali, não interessa onde nasceste ou se chegaste ontem. Interessa se sabes a letra da música, se vestes a camisola, se ajudas à festa.
É esta partilha de objetivos comuns que cria a verdadeira integração. A associação funciona como um “tradutor” da comunidade: ensina os códigos locais, cria laços de vizinhança e, sobretudo, combate a solidão. É o lugar onde o desconhecido passa a ter nome e rosto. Onde o “estranho” passa a ser o parceiro de equipa.
Ser tratado como “alguém da casa” é o resultado final deste processo. É a prova de que a inclusão funcionou. E a memória deste acolhimento é o cimento que une uma sociedade. Porque ninguém esquece quem lhe abriu a porta quando estava do lado de fora.
O nosso desafio, enquanto dirigentes e associados, é garantir que esta porta nunca se fecha. É termos a consciência de que cada atividade que promovemos é uma oportunidade para puxar alguém para dentro do círculo. Que saibamos manter as nossas associações como este porto seguro, onde a diversidade se encontra e se transforma em comunidade. Onde todos, independentemente da origem, podem vir a ouvir um dia, com orgulho: “tu és da casa”.
Pelo Movimento Associativo Popular e Voluntário. Pela cultura, arte, recreio, desporto e solidariedade promovidos pelas nossas associações. Por Alfena, Ermesinde, Campo e Sobrado, e Valongo.

*Presidente Associação das Colectividades do Concelho de Valongo