Ameaça de bomba evacua Tribunal de São João Novo durante julgamento de rede ligada ao PCC

Imagem de Arek Socha por Pixabay

O Tribunal de São João Novo, no Porto, viveu uma manhã de tensão esta quinta-feira, 5 de fevereiro. O edifício teve de ser integralmente evacuado após três chamadas anónimas que alertavam para a presença de um engenho explosivo. O incidente ocorreu precisamente quando se preparava o início das alegações finais de um dos julgamentos mais mediáticos e perigosos dos últimos tempos no Norte do país.

Após duas horas de perícias por parte da Brigada de Minas e Armadilhas da PSP, o tribunal regressou à normalidade por volta das 11h40, sem que tenha sido encontrado qualquer objeto suspeito.

O Alvo: Um Julgamento de Narcotráfico Internacional

A ameaça não terá sido aleatória. No interior, decorria a audiência dos estivadores de Leixões, um grupo acusado de receber subornos de 40 mil euros para facilitar a entrada de grandes quantidades de cocaína no Porto.

Os detalhes do caso:

  • Conexão Brasileira: A droga era enviada do Brasil pelo PCC (Primeiro Comando da Capital), a maior organização criminosa da América do Sul.
  • Modus Operandi: Funcionários da infraestrutura portuária seriam o “braço-direito” de um dos maiores importadores de droga do Porto, garantindo que os contentores passavam sem fiscalização.
  • Fase do Julgamento: A sessão de hoje era crucial, estando previstas as alegações finais antes da leitura da sentença.

Cronologia da Manhã de Tensão

HoraAcontecimento
09:30Receção de três telefonemas com ameaças. PSP ordena evacuação imediata.
10:00Chegada da Brigada de Minas e Armadilhas. Perímetro de segurança estabelecido.
10:30Arguidos presos são reconduzidos aos estabelecimentos prisionais por segurança.
11:40PSP dá o “luz verde”. Funcionários, advogados e juízes regressam ao edifício.

Impacto na Justiça

Embora o alerta se tenha provado falso, o objetivo de perturbar os trabalhos foi alcançado. A logística de transportar arguidos presos de volta às cadeias e reagendar as diligências causa um efeito dominó na agenda do tribunal.

Para as autoridades, este tipo de ameaça em processos que envolvem o crime organizado (como o PCC) é visto como uma tática de intimidação ou uma tentativa desesperada de adiar o desfecho judicial de um caso que envolve milhões de euros em tráfico de estupefacientes.


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