Crise no têxtil atinge o norte: Polopiqué dispensa 274 trabalhadores e Stampdyeing deixa salários por pagar

Imagem: Polopiqué

O setor têxtil do Norte atravessa uma nova vaga de dificuldades. A Polopiqué, com sede em Santo Tirso, anunciou o fecho de duas unidades de confeção e tecelagem, medida que vai levar ao despedimento de 274 trabalhadores. A empresa justifica a decisão com a necessidade de restruturação da dívida e aposta em concentrar a produção nas fábricas mais rentáveis. Em comunicado, a administração garante que todos os direitos dos funcionários serão respeitados e sublinha que pretende reforçar a subcontratação para manter a qualidade da produção.

A poucos quilómetros, em Guimarães, a Stampdyeing enfrenta igualmente problemas sérios. A fábrica tem a produção suspensa desde 24 de junho, depois de a fornecedora de energia cortar o abastecimento devido a falhas no pagamento. Os quase cem trabalhadores mantiveram-se ao serviço até 14 de agosto, altura em que entraram de férias sem receber o salário de julho nem o subsídio correspondente. A administração avançou com um processo especial de revitalização em tribunal e promete retomar a atividade já na próxima semana.

As dificuldades do setor têm vindo a agravar-se desde a pandemia. Além da quebra no consumo, as empresas portuguesas enfrentam a concorrência feroz dos têxteis chineses, que continuam a chegar ao mercado europeu a preços muito abaixo da média. As associações empresariais alertam para um risco de colapso e pedem medidas urgentes à União Europeia, lembrando ainda que o aumento das tarifas norte-americanas — que passam agora a 15% em alguns segmentos — pode reduzir ainda mais as exportações nacionais.

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