Opinião: O Associativismo local em Valongo 8 Mulheres no Associativismo

Mulheres no Associativismo: O Caminho para a Verdadeira Paridade

Durante séculos, os espaços de decisão e participação coletiva foram território quase exclusivo de homens. O futuro da comunidade discutia-se nas tabernas, praças, clubes e coletividades, e eram eles que tinham tempo, voz e presença. O associativismo, tal como a política e outras formas de participação pública, foi sendo vedado à participação das mulheres, que chegam tarde ao associativismo.
Mas chegaram. Hoje, estão nos bastidores e na linha da frente, organizam eventos, gerem contas, dirigem associações. Mas o caminho para a verdadeira equidade está longe de estar concluído. Basta olhar para as direções da maioria das coletividades para perceber que os cargos de liderança são maioritariamente ocupados por homens.
Se há cada vez mais mulheres envolvidas, porque continuam em menor número nos cargos de decisão? Apesar dos avanços na igualdade de género, as mulheres continuam a carregar o fardo das múltiplas tarefas, mas também a dificuldade de lhes ser dado espaço, num mundo ainda muito masculino.
Esta desigualdade na distribuição das responsabilidades não é apenas um problema individual; é um obstáculo coletivo. O associativismo perde sempre que não consegue integrar de forma plena e equitativa a visão e a experiência de todos. Porque onde falta diversidade, falta inovação, falta representatividade, falta o olhar atento de quem tem perspetivas e vivências diferentes.
Há sinais de mudança. À medida que o discurso sobre paridade ganha força, mais associações começam a perceber que precisam de abrir espaço, não apenas para as mulheres, mas para a verdadeira diversidade. Não se trata apenas de género, mas também de raça, etnia, contexto social e cultural. O associativismo deve ser um reflexo da sociedade em que se insere, um espaço onde todos cabem, onde todas as experiências são valorizadas.
A interseccionalidade ensina-nos que as desigualdades não se somam apenas – multiplicam-se. Uma mulher racializada enfrenta desafios diferentes de uma mulher branca; uma mulher migrante tem obstáculos distintos. E é por isso que a integração tem de ser pensada de forma ampla, garantindo que os espaços associativos sejam de todos e para todos.
O desafio está lançado: queremos associações mais representativas, com mais voz, maior paridade. Onde todos possam decidir e participar, sem que isso represente um esforço extra ou uma luta solitária. Onde haja equilíbrio de forças, de géneros e de opiniões.
E isto não pode ser visto como uma cedência ou um favor, mas como uma necessidade. Porque uma associação mais diversa é uma associação mais forte. Porque uma liderança mais equilibrada gera decisões mais justas e representativas. Porque a paridade não é um luxo – é um direito e uma vantagem para todos.
Pelo Movimento Associativo Popular e Voluntário. Pela cultura, arte, recreio, desporto e solidariedade promovidos pelas nossas associações. Por Alfena, Ermesinde, Campo e Sobrado, e Valongo.

Joana Ribeiro Fitas
Presidente ACCV


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