Reciclagem: Valongo em segundo entre os 8 municípios da Lipor

Segundo dados da Lipor, foram atingidos em 2019 os maiores valores de sempre de reciclagem, recebendo mais de 8.513 toneladas de materiais encaminhados pelos cidadãos.
O presidente da Câmara de Valongo respondeu a algumas questões do nosso jornal sobre o tema da reciclagem no concelho valonguense.

P- Este ano, no primeiro semestre, os resultados da Lipor com todos os seus municípios, no que se refere à reciclagem, foram bons. Como define o papel do concelho de Valongo nestes bons resultados?

R – Estes resultados são excelentes. Em 2014, em matéria de reciclagem, o Município de Valongo encontrava-se em sexto lugar entre os oito municípios do universo da LIPOR. Em 2020 passamos para segundo lugar. Vamos continuar esta aposta na mudança de comportamentos em prol da sustentabilidade, pois é disso que depende o futuro do Planeta e a qualidade de vida de todos. Estamos no caminho certo, mas ainda temos um longo trilho para percorrer.

P – Há 184.000 Cidadãos dos oito municípios da Lipor com a recolha seletiva Porta-a-Porta Residencial. Qual a situação de Valongo e há intenção de aumentar a cobertura?

R – Para o desempenho do Município de Valongo em matéria de reciclagem tem cada vez mais peso o projeto de recolha seletiva porta-a-porta – RECICLAR É DAR +, iniciado em outubro de 2016.

Atualmente, o Município de Valongo tem 6.500 alojamentos (moradias e edifícios) abrangidos com a recolha seletiva Porta-a-Porta Residencial, onde se inclui também a recolha de resíduos orgânicos (restos alimentares). Este número representa 17% da população do Concelho.

No âmbito deste projeto, o Município oferece a cada moradia/edifício os contentores adequados para o acondicionamento dos diversos resíduos: orgânicos (restos alimentares); papel/cartão; embalagens; vidro e lixo (tudo o resto que não é reciclável nem valorizável).

É nossa intenção abranger 90% das habitações até 2030 com este novo sistema de recolha.

P – Que áreas do concelho têm sido abrangidas por esta campanha?

R – Até à presente data são já 12 as áreas abrangidas (Lombelho, Barreiro, Baguim, Cabeda zonas da freguesia de Alfena, Quinta da Lousa, Susão, Outeiro do Linho e Encosta do Vale, zonas da freguesia de Valongo, Montes da Costa, Bela e Palmilheira, zonas da freguesia de Ermesinde). 

P – Qual tem sido a reação das pessoas?

R – Bastante positiva. Os últimos dados que temos apontam para uma taxa de 66% de adesão. No entanto, existem ainda equipamentos de utilização coletiva na via pública que serão retirados à medida que o projeto avança o que provocará o aumento da taxa de adesão.

Considerando que a metodologia da recolha de resíduos passou de recolha quase diária (de segunda-feira a sábado) com os resíduos todos misturados, isto é lixo, para uma recolha cujo calendário determina que a recolha do lixo é só à sexta-feira, sendo a recolha de papel/cartão às terças-feiras, a recolha das embalagens às quintas-feiras, a recolha do vidro ao sábado (de quinze em quinze dias) e a recolha dos resíduos orgânicos (restos alimentares) às segundas-feiras, quartas-feiras e sábados, entende-se que a reação das pessoas tem sido de colaboração. Prova disso é a quantidade de resíduos recolhidos.

P – Em relação à recolha de lixo de jardins e mobiliário, entre outros “monstros”, vai alguma coisa ser feita para melhorar? As pessoas continuam a deixar junto aos contentores esses produtos

R – O Ecocentro de Ermesinde e o Ecocentro de Valongo estão disponíveis de segunda-feira a sábado, das 8h00 às 20h00, para receber os objetos fora de uso e aparas de jardim que os particulares ou empresas pretendam entregar gratuitamente.

O Município de Valongo disponibiliza também aos munícipes um serviço de recolha gratuita ao domicílio, quer para objetos fora de uso, quer para aparas de jardim (Neste último caso oferecemos até um saco específico para o efeito), em dia a agendar através da linha gratuita 800 202 099, de segunda-feira a sábado, das 8h00 às 20h00, e com um tempo de resposta, salvo raras exceções, que não excede as 24 horas. Estamos a marcar de um dia para o outro, não há desculpas para abandonar os resíduos na via pública!

Estes serviços encontram-se devidamente divulgados, tendo sido colados em 2018 em todos os ecopontos um cartaz de divulgação e contratada uma campanha de sensibilização específica, com intervenção de técnicos junto aos ecopontos mais problemáticos no final de 2019.

Apesar deste serviço, que consideramos exemplar, é um facto que diariamente é depositada uma multiplicidade de resíduos junto aos contentores, atitude ilegal, que viola a regulamentação em vigor.

Como se demonstrou, isso não acontece pela falta de resposta dos serviços municipais, mas sim, por opção (para a qual não encontramos explicação) dos munícipes.

Para minimizar o impacto destas deposições ilegais, a Câmara de Valongo sempre disponibilizou um serviço de remoção dos resíduos em causa para os Ecocentros, que desde 2018 é garantido através de uma contratação de serviços externa. Nesta data estão contratadas duas equipas, que no seu conjunto laboram das 07h00 às 20h00, de segunda a sábado, com o apoio de uma viatura específica, e a maior parte das deposições ilegais são resolvidas no próprio dia em que ocorrem. Este serviço implica atualmente um custo mensal de aproximadamente 8.000 € para o Município.

As soluções existem e são gratuitas para os munícipes, mas ainda há alguma resistência à mudança de comportamentos. Admitimos que seja necessário um reforço da fiscalização das deposições ilegais deste tipo de resíduos e aplicação das respetivas coimas aos cidadãos incumpridores.

P – Em relação às campanhas, é certo que estas resultam melhor junto dos mais novos. Está alguma ação prevista nas escolas?

R – Está em fase de adjudicação o Concurso Público para a prestação de serviços de Recolha de Resíduos Urbanos, Campanhas de Sensibilização e limpeza de faixas de Gestão de Combustível do Município de Valongo, com o prazo de execução de 10 anos, que prevê múltiplas campanhas de sensibilização destinada à população em geral, sem esquecer a população escolar.

P – A articulação entre a Câmara, a empresa que recolhe o lixo e a Lipor tem funcionado bem, ou há algo a melhorar?

R -A articulação entre a Câmara, a empresa que realiza a recolha dos resíduos e a LIPOR tem funcionado bem, no entanto, face à complexidade dos serviços abrangidos, existem sempre aspetos a melhorar, aos quais a Câmara Municipal está atenta, e a trabalhar continuamente para garantir um esforço conjunto, do qual resulte o melhor serviço possível para a população.