COVID-19 para a população – Saber mais para nos protegermos melhor

Por:
– Graça Cardoso
Interna de Medicina Geral e Familiar da USF Bela Saúde, Ermesinde, ACeS Maia/ Valongo
e Margarida Aroso
Interna de Medicina Geral e Familiar da USF Pedras Rubras, Maia, ACeS Maia/ Valongo

O que são os coronavírus?

Os coronavírus são uma família de vírus que podem causar infeções no ser humano, e que afeta sobretudo o sistema respiratório. Atualmente tem-se falado de um novo coronavírus, designado de SARS-CoV-2, que foi identificado pela primeira vez na cidade de Wuhan, China, num mercado onde se vendiam animais vivos, sugerindo uma possível infeção zoonótica. SARS-CoV-2 é o nome do vírus, que significa Severe Respiratory Acute Syndrome (Síndrome Respiratória Aguda Grave) – Coronavírus -2, e origina a doença denominada COVID-19. Já foram identificados alguns coronavírus que provocaram surtos e infeções respiratórias graves, nomeadamente a Síndrome Respiratória do Médio Oriente (MERS-CoV) em 2012.

E como se transmite este vírus?

O SARS-CoV-2 é transmitido de forma direta pelo ar, nas gotículas expelidas quando se espirra, tosse ou simplesmente quando se fala, que podem atingir diretamente a boca, nariz e olhos de quem estiver próximo. Também pode ser transmitido de forma indireta, através da deposição de gotículas nos objetos ou superfícies (por exemplo as maçanetas das portas, o telemóvel ou o teclado do computador). Por sua vez outras pessoas infetam-se ao tocar nestes objetos e depois tocam nos olhos, nariz ou boca com as mãos. Estima-se que o período de incubação da doença (tempo decorrido desde a exposição ao vírus até ao aparecimento de sintomas) seja entre 2 e 14 dias. A transmissão por pessoas sem sintomas ainda está a ser investigada, mas toda a população está em risco de contrair a doença.

Quais são sinais e sintomas da COVID-19 e o que fazer caso tenha sintomas suspeitos?

A maioria das pessoas infetadas apresenta sintomas de infeção respiratória ligeiros a moderados: febre (temperatura > 37,5°C), tosse, sensação de falta de ar. Em casos mais graves, pode causar pneumonia grave com insuficiência respiratória, falência de vários órgãos, e eventual morte. No entanto, a maioria dos indivíduos infetados parece recuperar sem sequelas. Na presença de qualquer um dos sintomas suspeitos de COVID-19, o contacto ideal é o do SNS24 (808 24 24 24), porque encaminha os doentes para os cuidados mais adequados consoante a apresentação do quadro clínico. Pode também contactar (de preferência via telefone ou email) os centros de saúde, os quais estão preparados para ajudar os seus doentes, devendo apenas se deslocar lá quando for absolutamente necessário ou por indicação do médico/enfermeiro. Após o contacto e validação da história clínica, os profissionais de saúde irão determinar se é necessário ser testado para COVID-19.

A COVID-19 tem tratamento?

O tratamento para a COVID-19 é dirigido aos sinais e sintomas que o doente apresenta. Estão em curso vários ensaios de investigação com alguns medicamentos, mas ainda sem resultados promissores. Os antibióticos não têm efeito contra este vírus, já que são dirigidos a bactérias e, como tal, não devem ser usados para a sua prevenção ou tratamento. Atualmente ainda não existe uma vacina contra o SARS-CoV-2, estando em curso investigações para o seu desenvolvimento.

Como evitar o contágio?

Para evitar o contágio, é necessário adotar medidas de higiene e etiqueta respiratória, das quais se destacam: 1) tapar o nariz e a boca com o braço (nunca com as mãos), ou lenço de papel e deitá-lo ao lixo de imediato; 2) lavar as mãos com frequência, e sempre que espirrar, se assoar, tossir ou contactar com alguém, durante em média 20 segundos e deve usar água e sabão; 3) evitar o contacto com pessoas com infeção respiratória; 4) evitar tocar na cara com as mãos; 4) evitar partilhar objetos pessoais ou comida em que tenha tocado.

É também importante manter o distanciamento social (cerca de 2 metros), que tem como finalidade minimizar o contacto com outros indivíduos, de forma a reduzir a transmissão da doença. Foram também adotadas medidas no nosso país (em Estado de Emergência) que visam reforçar o distanciamento social e que incluem: encerramento de escolas, estabelecimentos destinados a atividades recreativas e atividades desportivas; suspensão de atividades em espaços abertos, espaços e vias públicas, espaços de jogos e apostas, e atividades de restauração (exceto se confeção com destino a consumo fora do estabelecimento ou cantinas); confinamento obrigatório de pessoas infetadas ou em vigilância; pessoas com dever especial de proteção (maiores de 70 anos; imunodeprimidos e portadores de doença crónica designadamente hipertensos, diabéticos, doentes cardiovasculares, portadores de doença respiratória crónica e doentes oncológicos) só podem circular em espaços e vias públicas ou equiparados para aquisição de bens e serviços, deslocações por motivos de saúde, deslocação a estações e postos de correio, agências bancárias e agências de corretores de seguros ou seguradoras, deslocações para atividade física, sozinhos ou acompanhados por coabitante, deslocações para passeio de animais de companhia, e circulação para exercício de atividade profissional. Existe também o dever geral de recolhimento para a restante população, que poderá deslocar-se em situações de necessidade justificada.

Quanto à utilização de máscara para proteção, atualmente está recomendada a utilização de máscara apenas se está infetado com COVID-19 ou se presta cuidados a pessoas suspeitas de estarem infetadas. O uso de máscara de forma incorreta pode aumentar o risco de infeção, por estar mal colocada ou devido ao contacto das mãos com a cara.

Atualmente não há evidência que os animais domésticos sejam infetados e consequentemente possam transmitir a doença. Também não se verifica a transmissão pelos alimentos. Porém, é recomendada a aplicação do princípio da precaução, a manutenção e o reforço das boas práticas de higiene e segurança alimentar durante a manipulação, preparação e coinfecção dos alimentos.

Há alguma restrição a viagens?

No que respeita a viagens para o estrangeiro, estão atualmente suspensos todos os voos recreativos com destino de e para Espanha e Itália, bem como está proibida a circulação rodoviária nas fronteiras internas terrestres e circulação e transporte ferroviário e fluvial (exceções para os transportes de bens e serviços essenciais). De momento não há restrições de viagens entre outros estados membros da União Europeia (UE) (com exceção de Espanha e Itália). Mantêm-se os voos para os seguintes países fora da UE: Reino Unido, Noruega, Islândia, Liechtenstein, Suíça, Canadá, Estados Unidos da América, Venezuela, África do Sul e Todos os países de língua oficial portuguesa.

E qual o risco para grávidas e lactantes?

Quanto ao risco na gravidez, a informação relativa à COVID-19 é ainda escassa. As grávidas são habitualmente mais suscetíveis a outras infeções respiratórias virais, e podem estar em risco de doença grave, maior morbilidade e maior mortalidade como se verificou no caso de outras infeções por coronavírus e na gripe. Não há informação de desfechos adversos na gravidez em grávidas com COVID-19, no entanto, foi observada aumento do risco de restrição de crescimento fetal e parto prematuro, perda gestacional incluindo aborto espontâneo e nado-morto em casos de infeção por outros coronavírus (SARS CoV-1 e MERS CoV). Sabe-se ainda que a febre alta durante o 1º trimestre de gravidez pode aumentar o risco de alguns defeitos congénitos. Ainda não se sabe se o vírus pode ser transmitido por via vertical (da grávida para o feto). Até ao momento não foi encontrada qualquer evidência da presença de vírus no leite materno, pelo que se mantém a indicação de manter a amamentação.

Mensagem final: tendo em conta a necessidade urgente de controlar o contágio desta infeção, de forma a evitarmos uma sobrecarga dos serviços de saúde e consequentemente a mortalidade elevada observada atualmente em outros países, é mandatório que cumpra todas as recomendações de etiqueta respiratória e distanciamento social que têm sido tão amplamente divulgadas. Por favor, FIQUE EM CASA.