Mês e meio após a tomada de posse dos novos órgãos sociais da Associação das Colectividades do Concelho de Valongo, arriscamo-nos a traçar um esboço do nosso quadro associativo.
Antes de mais, reconhecer o papel fundamental que as Coletividades desempenham ao promover uma rede de relações sociais e culturais que enriquecem a vida comunitária, ao unir diferentes indivíduos em torno de interesses comuns. Mas que enfrenta dificuldades e desafios significativos.
A mais imediata relacionada com a sustentabilidade financeira. Muitas associações dependem de subsídios e donativos, o que limita a sua capacidade de planeamento a longo prazo e de implementação de projetos mais ambiciosos – o que não deve limitar os dirigentes na prossecução da sua realização, antes apelar à criatividade e força de vontade.
Outro desafio crítico é o apelo a novos associados. O que pode acontecer tanto pela volatilidade no compromisso, muitas vezes resultante de agendas pessoais e profissionais sobrecarregadas, quanto pela falha na divulgação das próprias associações e atividades levadas a cabo pelas mesmas. Para haver procura, precisa haver conhecimento.
Dificuldades que se procuram mitigar, focados na criação de melhores condições para a formação dos jovens, inclusão dos mais velhos, potenciando trocas de conhecimentos e experiências entre diferentes gerações. Estes são espaços privilegiados de convivência e interação, de encontro da diversidade, de verdadeira integração.
Ao fomentar atividades comunitárias, culturais e desportivas, reduzem-se as barreiras sociais, criam-se oportunidades de participação ativa, particularmente importante para aqueles que vivem em situações de maior vulnerabilidade. Desempenhando, assim, um papel fundamental ao nível da saúde mental, ao promover um sentido de propósito e pertença, por oferecerem distrações positivas e produtivas, e favorecerem o desenvolvimento de redes de apoio social, que previnem e combatem a solidão e o isolamento.
Neste aspeto, os dirigentes têm um papel fundamental, valorizar os associados, promover o contacto e a proximidade. Não sem antes valorizarem e dignificarem todo o trabalho levado a cabo pela própria instituição.
A ACCValongo reconhece também o seu papel neste contexto, de desbloqueio e valorização, ao criar novas parcerias; divulgar o trabalho levado a cabo; promover a colaboração entre diferentes associações, facilitando a partilha de recursos e conhecimentos; promover encontros e seminários que reúnam várias associações a fim de criar estratégias conjuntas e partilha de boas práticas.
Mas também os vários agentes sociais e o poder local têm de assumir o seu lugar e papel, nomeadamente, oferecer apoio logístico e administrativo, facilitar o acesso a espaços públicos para eventos associativos e promover campanhas de sensibilização sobre a importância do associativismo; incentivos fiscais e programas de financiamento específico para projetos de inclusão social.
Sabemos que há dificuldades, e dispomo-nos a trabalhar em colaboração para as mitigar; mas interessa-nos sublinhar, sobretudo, as infindáveis potencialidades do movimento associativo, e é isso que nos deve nortear a todos no trabalho diário pela sua defesa e valorização.
Viva o Movimento Associativo Popular e Voluntário. Viva à cultura, arte, recreio, desporto e solidariedade promovidos pelas nossas associações. Viva Alfena, Ermesinde, Campo e Sobrado, e Valongo.
Joana Ribeiro Fitas
Presidente da ACCValongo


