Operação Transnacional: PJ Conclui Investigação de Rede que “Limpou” 3,5 Milhões de Euros

A Polícia Judiciária (PJ), através da Diretoria do Norte, deu por concluído e remeteu ao Ministério Público o inquérito que desmantelou uma sofisticada organização criminosa transnacional. A operação, que teve o seu ponto alto em abril de 2025, visou uma rede especializada em “lavar” capitais provenientes de burlas informáticas complexas.

Com uma estrutura hierarquizada e um modelo de negócio “chave na mão”, o grupo utilizava Portugal como placa giratória para branquear dinheiro obtido através de fraudes executadas em diversos países.

A Anatomia do Crime: Do CEO Fraud à Lavagem

A organização operava com um nível de profissionalismo elevado, oferecendo serviços que permitiam a integração de dinheiro sujo na economia legítima através de:

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  • Empresas Fantasma: Constituição de sociedades comerciais fictícias.
  • Contas de Passagem: Abertura de contas bancárias com identidades falsas para fracionar e dispersar os fundos.
  • Burlas Informáticas: O dinheiro tinha origem em esquemas de CEO Fraud (imitação de perfis de diretores para ordenar transferências) e Invoice Fraud (interceção e alteração de faturas).

Os Números da Investigação

A análise financeira efetuada pela PJ revela a escala monumental da atividade ilícita:

Indicador FinanceiroValor Apurado
Circulação Total em Contas> 3.500.000 €
Prejuízos Reclamados (17 lesados)~ 1.400.000 €
Valores Congelados/Apreendidos418.000 €
Arguidos em Prisão Preventiva9

Geografia e Logística

A operação de 2025 estendeu-se por várias cidades, demonstrando a capilaridade da rede em território nacional. Foram realizadas 12 buscas domiciliárias em:

  • Norte: Porto, Maia, Vila Nova de Gaia, Guimarães, Vila Nova de Famalicão e Fafe.
  • Grande Lisboa: Cacém e Amadora.

Perfil dos Detidos: Indivíduos entre os 19 e os 45 anos. Alguns residiam em Portugal, enquanto outros se deslocavam ao país apenas para realizar as operações bancárias e societárias necessárias ao branqueamento.

Conexão Internacional

A investigação confirmou que o “cérebro” da organização estava sediado no estrangeiro, funcionando Portugal como um posto operacional. Devido a esta natureza transnacional, a PJ propôs o recurso a mecanismos de cooperação judiciária internacional, com especial foco nas autoridades brasileiras e em várias jurisdições europeias.

Com a remessa do inquérito ao Ministério Público, o caso entra agora na fase de acusação, marcando uma vitória significativa no combate à criminalidade económico-financeira organizada.


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