CEO Fraud no Porto: Rede internacional desmantelada com ajuda de ex-bancário

O DIAP Regional do Porto, em colaboração com a Polícia Judiciária (Diretoria do Norte), desferiu um golpe decisivo numa organização criminosa de cariz internacional que operava a partir de Portugal. A operação resultou na detenção de onze arguidos (oito mulheres e três homens) envolvidos num esquema sofisticado de CEO Fraud, que lesou empresas estrangeiras em quase 1,8 milhões de euros.

Entre os detidos destaca-se um ex-bancário, peça-chave que utilizava a sua posição privilegiada para facilitar a circulação rápida de capitais ilícitos.

O Esquema: Como funcionava a “CEO Fraud”

A organização atuava desde 2023 com um método meticuloso de interferência em comunicações eletrónicas. O objetivo era intercetar pagamentos legítimos entre empresas e fornecedores.


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  • Identidades Falsas: O grupo criava contas bancárias em nome de pessoas singulares e coletivas fictícias ou usando documentos falsificados.
  • Manipulação de IBAN: Ao intervir nas comunicações, alteravam o IBAN dos pagamentos de faturas, desviando o dinheiro para as contas controladas pela rede.
  • O Papel do Bancário: O arguido ex-bancário abusava das suas funções para alargar os limites de movimentação online destas contas. Isto permitia que montantes elevados fossem transferidos ou dissipados imediatamente após o desvio, dificultando a recuperação dos fundos.

Números e Balanço da Operação

A investigação já identificou crimes cometidos contra sete sociedades estrangeiras. O rasto do crime levou à apreensão de bens que evidenciam um estilo de vida luxuoso financiado pela fraude.

IndicadorDados da Investigação
Valor Total do Desvio€1.799.395,59
Dinheiro Vivo ApreendidoSuperior a €200.000,00
Bens de LuxoRelógios, joias e vestuário de marcas exclusivas
Veículos2 viaturas de gama alta
Arguidos Detidos11 (10 em prisão preventiva)

Decisão Judicial: Mão Pesada do Tribunal

O Tribunal Judicial da Comarca do Porto, após os interrogatórios realizados a 13 de março de 2026, considerou que existiam perigos graves de fuga, continuação da atividade criminosa e perturbação do inquérito.

Medidas de Coação Aplicadas:

  • Prisão Preventiva: Aplicada a dez dos arguidos (incluindo o ex-bancário), cumulada com a proibição de contacto com os restantes envolvidos.
  • Medidas Cautelares (1 Arguida): Proibição de sair do país (entrega de passaporte), apresentações bissemanais à polícia e proibição de contactos.

Os crimes em causa incluem associação criminosa, branqueamento de capitais, burla qualificada, falsidade informática e, especificamente para o ex-bancário, corrupção passiva no setor privado.


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