Operação Nexus mobilizou 300 inspetores da PJ e visou irregularidades em contratos de fornecimento informático. Foram realizadas 103 buscas em instituições públicas e empresas privadas.
A Polícia Judiciária – Diretoria do Norte, em articulação com o DIAP Regional do Porto e a Procuradoria Europeia, deteve seis pessoas no âmbito da Operação Nexus, uma investigação de grande escala centrada em fraude na obtenção de subsídios, corrupção ativa e passiva, falsificação de documentos e abuso de poder, entre outros crimes económico-financeiros.
Esta operação inédita em Portugal, que junta pela primeira vez a Procuradoria Europeia a uma investigação conjunta com o Ministério Público nacional, deu origem a 103 buscas domiciliárias e não domiciliárias em várias zonas do país, abrangendo empresas privadas de tecnologia, instituições de ensino secundário e superior público, unidades de saúde, fundações, concessionárias de serviços públicos, uma agência de viagens e entidades públicas de capitais exclusivamente públicos.
Entre os detidos encontram-se um administrador e três funcionários de uma empresa tecnológica, um funcionário de uma concessionária de serviços públicos e um funcionário público.
A investigação teve origem em denúncias de irregularidades em compras públicas de material informático e soluções de cibersegurança por parte de uma instituição de ensino superior do Norte, no âmbito de projetos financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). As diligências revelaram um esquema criminoso altamente organizado, envolvendo adjudicações ilegais num valor estimado de 20 milhões de euros, com troca de favores e subornos para beneficiar um grupo empresarial de tecnologia, bem como produtores e importadores com grande peso no setor.
As buscas contaram com a participação de cerca de 300 inspetores e técnicos da Polícia Judiciária, incluindo elementos das unidades nacionais de combate à corrupção, cibercrime, contraterrorismo e tráfico de estupefacientes, além de peritos financeiros e informáticos.
No decurso da operação, o Gabinete de Recuperação de Ativos (GRA-Norte) executou arrestos no valor de 4,6 milhões de euros.
Os detidos serão presentes ao Tribunal de Instrução Criminal do Porto, para primeiro interrogatório judicial e eventual aplicação de medidas de coação.
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