Pároco de Valongo sublinha o legado do Papa Francisco como pastor dos marginalizados, defensor da paz e da justiça social
O pároco de Valongo, Padre Luís Borges, juntou-se à onda de homenagens à figura de Francisco, o Papa que faleceu esta segunda-feira, 21 de abril, aos 88 anos. “Partiu para a casa do Pai”, escreveu o sacerdote que relembra o pontífice como “um homem de Deus”, profundamente coerente entre palavra e ação.

“O Papa Francisco amava a humanidade e a Igreja, e unificava tudo isso na fé, vivida com alegria”, afirmou. Para o Padre Luís, a marca de Francisco foi a confiança humilde e a entrega total ao amor de Deus, visível logo no primeiro pedido após a sua eleição, em março de 2013: ‘Rezem por mim’.
Nas suas palavras, Francisco foi “o pontífice dos que estão nas periferias da sociedade”, sempre atento às dores do mundo — dos migrantes às vítimas da pobreza, da destruição ambiental aos que sofrem com as guerras. Um Papa que acreditava que “só o Amor nos salvará” e que proclamou esse amor nas grandes praças e nos gestos silenciosos.
Destaca ainda a participação marcante do Papa na Jornada Mundial da Juventude em Lisboa, onde repetiu com insistência: “Todos, todos, todos”, numa mensagem de inclusão que espelhava a sua visão de Igreja sinodal, que caminha unida e escuta todos. “Com uma vida simples, profunda vida espiritual e pastoral, dizia o que tinha a dizer sem medo”, recorda o pároco que teve oportunidade de contactar de perto com Francisco.
O testemunho de Francisco, diz ainda, torna-se agora uma herança viva: “tudo isto ficará como uma marca fortíssima na vida da Igreja e continuará a ser seguido”. Num mundo em que “a ansiedade cresce e a esperança diminui”, Padre Luís apela ao diálogo e à sabedoria coletiva para construir a paz — um valor que Francisco sempre procurou semear.
Num tempo pascal cheio de sentido, conclui: “Confiamos ao Espírito Santo que o próximo sucessor de Pedro continue este caminho de ternura e coragem. E agora, com o coração agradecido, dizemos ao Papa Francisco: rezai por nós.”
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Conheça o texto na íntegra:
“O Papa que veio do “fim do mundo“
O Papa Francisco partiu para a casa do Pai, esta segunda-feira, dia 21 de abril, aos 88 anos. “Queridos irmãos e irmãs, é com profunda tristeza que devo anunciar o falecimento do nosso Santo Padre Francisco”, anunciou o cardeal Kevin Farrell, atual camerlengo, e lembrou: que “ele ensinou-nos a viver os valores do Evangelho com fidelidade, coragem e amor universal, especialmente em favor dos mais pobres e marginalizados”.
O sucessor do Apostolo Pedro sempre revelou uma grande humildade e confiança. A 13 de março de 2013, na primeira aparição, depois de ser eleito, pediu: “rezem por mim”. Foi o que procuramos fazer, com gratidão e alegria.
O Papa Francisco amava a humanidade, e a Igreja, e o que unifica tudo na vida, é a fé, vivida com Alegria. A fé é uma graça, um presente de Deus. Esta cresce, e se fortalece acreditando; num abandono contínuo nas mãos de um amor que se experimenta sempre cada vez maior porque tem a sua origem em Deus.
O Papa Francisco acreditava que só o Amor nos salvará, e por isso, nas várias intervenções, particularmente na Jornada Mundial da Juventude de Lisboa, em 2023, convidava “ todos, todos, todos”, a acolher a Vida e a amar. Foi assim, quando denunciou o drama dos migrantes e refugiados, a pobreza, e a “guerra mundial aos pedaços”, a necessidade de cuidar da casa comum, o nosso planeta, etc.
O Papa Francisco foi o pontífice dos que estão nas periferias da sociedade, e um lutador incansável pela liberdade religiosa e pelos oprimidos. Recordo, das vezes que contactei mais de perto com o Papa, reconheci, que víamos nele um homem de Deus, testemunhava pelo que dizia, mas sobretudo pelos gestos, pelo sorriso pela ternura com que acolhia e vivia o seu ministério. Com uma vida simples, e uma profunda vida espiritual e pastoral, dizia o tinha a dizer sem medo. Na senda da vida evangélica, na relação com Deus e na relação uns com os outros, nas nossas comunidades, neste caminho que nós devemos fazer em conjunto e que ele prezava tanto, a chamada sinodalidade.
Tudo isto que o Papa Francisco foi fazendo ao longo destes anos fica como uma marca fortíssima na vida da Igreja e certamente continuará a ser seguido. É assim, que o recordamos e confiamos que agora temos outro intercessor no Céu pela nossa comunidade e humanidade. Nestes tempos fragmentados por tantas e desnecessárias divisões, diminuem as esperanças de prosperidade e aumentam as inquietações perante o futuro e isso gera ansiedade nas famílias a braços com acrescidas dificuldades e provoca perplexidade sobretudo nos jovens para quem o futuro é mais inseguro. Esta ansiedade pode conduzir-nos a sobressaltos e conflitos sociais que coloquem em questão um pacífico e sereno viver comum. Precisamos neste momento da sabedoria, da lucidez e da determinação de todos para que o diálogo seja a chave da harmonia e da concertação entre todos os cidadãos e para que um futuro de consenso, de justiça e de progresso seja possível. Nestes dias, que celebramos a festa da Páscoa comporta uma riqueza inesgotável, esperamos e confiamos ao Espírito Santo, para que seja um homem que, a partir da Contemplação e da adoração de Jesus Cristo, ajude a Igreja a ser fermento para o mundo, continuar a sair ao encontro das periferias existências, e que ajude a ser mãe fecunda que vive a alegria.
É assim, com o coração agradecido, dizemos agora ao Papa Francisco, rezai por nós.
Pe. Luís Borges“
