Associativismo em Valongo 22: Retrato de um Congresso

Por Joana Ribeiro Fitas*
Em março, teve lugar o Congresso Eletivo da nossa Confederação. Para nós, foi um momento de particular orgulho: a lista eleita integrou dois elementos da nossa casa: Adelino Soares, vice-presidente, e Agostinho Duarte, conselheiro nacional. Um merecido reconhecimento do trabalho de ambos e da força e da vitalidade do associativismo em Valongo.
Mas, estes encontros servem também para refletir sobre o associativismo como um todo. E, ao olhar para os quadros de decisão, algo salta à vista: a ausência.
Há uma dominância clara de homens, brancos, maduros. E quando a fotografia é esta, entramos no perigo do viés – o perigo de representar apenas uns. As nossas associações estão cheias de mulheres de enorme valor, que seguram o barco todos os dias. Estão a acolher pessoas oriundas de outros países e culturas.
Ao analisar o programa, percebi que a “igualdade de género” surge numa rubrica curta, quase disfarçada, a par do “envelhecimento ativo”. Ora, promover o envelhecimento ativo é um dado adquirido; as nossas associações fazem-no naturalmente! O que precisávamos era de um programa sério de paridade e diversidade. Um plano para trazer as mulheres e jovens para os quadros de decisão e para os lugares de fala.
Fala-se de inclusão, mas falta falar de integração. Incluir abre a porta, integrar garante que quem entra tem lugar à mesa. O associativismo é o embrião da democracia, e nas nossas casas não fica ninguém de fora. Precisamos que a nossa cúpula nacional seja, também ela, cada vez mais integradora e plural.
E porque a democracia também se faz de contas, o congresso trouxe à mesa a carteira das associações, com a proposta de subida da quota anual de 60€ para 70€ a partir de maio, e para 80€ em 2027.
Compreendo as necessidades financeiras da Confederação, mas senti que era meu dever deixar um convite à reflexão. Que impacto real terão estes euros a mais nas contas globais da estrutura nacional? E, por outro lado, que impacto terão nas pequenas coletividades do nosso concelho? Coloquei na balança: se aumentamos este peso, vamos contribuir mais para aproximar ou para afastar?
Deixei o desafio: em vez de sobrecarregar as associações de base, não faria mais sentido sermos nós, estruturas descentralizadas, a aumentar a percentagem de participação e assumir esse esforço? O convite à reflexão ficou feito. A proposta de aumento foi aprovada – desfecho já esperado, não dependente do nosso voto –, mas a semente do debate e a defesa das nossas coletividades ficaram registadas.
O congresso mostrou que o movimento está vivo, e que debater é saudável e necessário. Fica a certeza de que ainda temos muito caminho para andar até termos um associativismo que seja, de facto, a cara de todos nós.
Pelo Movimento Associativo Popular e Voluntário. Pela cultura, arte, recreio, desporto e solidariedade promovidos pelas nossas associações. Por Alfena, Ermesinde, Campo e Sobrado, e Valongo.

* Presidente da Associação das Colectividades do Concelho de Valongo