A Câmara Municipal de Gondomar deu um passo decisivo para a concretização da nova Central de Valorização de Biorresíduos da Lipor, em Baguim do Monte. Através de um edital recente, a autarquia anunciou a expropriação de oito parcelas de terreno — totalizando 41.400 metros quadrados de solo rural e agrícola na fronteira com Ermesinde — por um valor global superior a 823 mil euros.
Este projeto, que representa um investimento de 70 milhões de euros, é uma peça fundamental na estratégia ambiental do Grande Porto, permitindo à Lipor aumentar a sua capacidade de tratamento de resíduos alimentares e verdes recolhidos nos oito municípios que serve.
A Nova Central em Números
A infraestrutura será instalada junto ao complexo atual da Lipor e foca-se na economia circular total, transformando “lixo” em energia e fertilizantes.
| Detalhe | Capacidade / Valor |
| Investimento Total | ~70 Milhões de Euros |
| Capacidade de Tratamento | 75.000 toneladas/ano (65k alimentares + 10k verdes) |
| Tecnologia | Digestão anaeróbia por via húmida e compostagem |
| Produtos Finais | Biometano (rede de gás) e Composto Orgânico (agricultura) |
| Novos Empregos | 33 postos de trabalho diretos |
| Área de Expropriação | 4,1 hectares (8 parcelas privadas) |
Impacto Ambiental e Infraestruturas Locais
O projeto não se limita ao tratamento de resíduos. Estão previstas várias intervenções que prometem valorizar a zona envolvente em Baguim do Monte:
- Reabilitação do Ribeiro do Caneiro: O curso de água será “desentubado”, voltando a correr a céu aberto com vegetação ripícola, o que ajudará na prevenção de inundações e na biodiversidade local.
- Melhorias Viárias: No âmbito de um protocolo com a autarquia, será reabilitada a Rua da Morena e construída uma nova rotunda para facilitar o fluxo de camiões (estima-se a entrada de 72 veículos de recolha por dia).
- Autossuficiência: A central terá a sua própria ETAR, reutilizando a água tratada no processo de compostagem e na rega de espaços verdes.
Calendário da Obra
Embora as expropriações avancem agora com caráter de urgência, o cronograma aponta para um processo faseado. A Declaração de Impacte Ambiental é esperada até ao final do primeiro semestre de 2026. A construção deverá arrancar em 2027, com a entrada em funcionamento pleno prevista para 2030, após um período de testes no final de 2029.
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